Coordenadora de Dados da Covid-19 diz que modelo adotado pelo RS é vivo e passível de recursos

Lajeado – “O modelo de distanciamento controlado adotado no Rio Grande do Sul não é para ser deixado na prateleira e sim colocado em prática. Assim, ele é passível de flexibilização e pode ser mudado a partir dos recursos que recebemos e julgamos.” A afirmação foi feita pela coordenadora do Comitê de Dados da Covid-19 no Estado, Leany Lemos, em live promovida nesta terça-feira (21) pela Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil).

Com o tema “Bandeiras na pandemia: a definição do mapa do RS”, Leany foi entrevistada pelo presidente da entidade, Cristian Rota Bergesch, e pelo diretor executivo do Hospital Bruno Born, Cristiano Dickel. Durante a conversa, a coordenadora explicou como o governo do Estado trabalha para definir as bandeiras de cada região.

Defesa do modelo

Em quase duas horas de transmissão, Leany ressaltou que a construção do distanciamento controlado mobilizou dezenas de especialistas. É baseado em 11 indicadores que medem a velocidade do avanço do novo coronavírus e a capacidade de resposta da área de atendimento. “O objetivo foi ser um ponto de equilíbrio, propondo uma convivência com a pandemia. A única segurança que dispomos para conter a doença é o isolamento e os cuidados recomendados”, pontuou.

Leany defendeu o modelo como algo “vivo e aberto”. “Não há certezas. Nossos finais de semana, ao julgarmos os recursos, são tensos, quando fazemos muitos questionamentos mútuos. O pensamento científico é questionador. É por isso que a ciência avança”, defendeu a entrevistada ao ser interrogada sobre pontos em que o modelo deixa de atender totalmente às necessidades de todos os públicos envolvidos.

Nova etapa do modelo

Ela defendeu o modelo. “Podemos dizer que essa fase um do modelo impediu que o sistema de saúde entrasse em colapso como vimos em outros estados. Agora, poderemos entrar numa segunda fase, que será de cogestão com as regiões, o que não significa relaxar nas medidas”, destacou.

Leany observou que ainda não há uma concepção final sobre como irá funcionar essa nova etapa do distanciamento controlado. Mas antecipou que o governo manterá o sistema do mapa de cores conforme o risco de avanço da pandemia em cada região. “Estamos iniciando as discussões com os prefeitos. Muitos cobram maior autonomia para definir as restrições em suas cidades, outros querem que o governo continue coordenando o modelo. A tendência é dividir as decisões com cada associação regional”, antecipou. Uma primeira reunião do governador Eduardo Leite com a Federação das Associação de Municípios do RS (Famurs), também nesta terça-feira, serviu para debater as linhas dessa segunda fase do Distanciamento Controlado.

Divisão das regiões

A coordenadora do Comitê de Dados explicou que o Governo dividiu o Estado em 20 regiões e sete macro-regiões. “Os dados analisados pelo Governo levam em conta o que está acontecendo na macro, pois precisamos ter leitos disponíveis. À medida que os leitos vão sendo ocupados, isso vai afetando as bandeiras das outras regiões,” comentou.

Na primeira semana do mapa, a região de Lajeado foi a única a estar na vermelha, o que representa risco alto de disseminação da doença. No entanto, nas dez semanas seguintes, vem se mantendo na classificação laranja. Com 36 municípios, a região soma 65 leitos de UTI, cuja ocupação está abaixo de 70% (abaixo de 30% para pacientes de Covid-19). “Lajeado vem mostrando que as medidas de isolamento, com o esforço da sociedade, surtem efeito”, sustenta Leany.

Abertura de recursos

Durante sua fala, Leany falou que o modelo adotado no RS é novo, tendo sido adotado por outros estados brasileiros como São Paulo e Santa Catarina. “Por ser um modelo novo, o Governo abriu a possibilidade de as regiões entrarem com recursos,” destaca.

Na rodada da última sexta-feira, (17), a região de Lajeado ficou em bandeira vermelha junto com outras 17 regiões. Segundo Leany o Estado acatou os recursos de 10 regiões que voltaram à bandeira laranja. “Esses recursos são abertos para os prefeitos terem a oportunidade de argumentar, pois eles conhecem a realidade dos municípios. Dos recursos da última semana, quatro não foram aceitos e outras quatro regiões não recorreram à alternativa.”

Volta às aulas

Questionada sobre como vê a possibilidade de volta às aulas, Leany frisou que a definição das autoridades levará em conta várias fatores, como a necessidade de testagem em massa das crianças e dos professores. Lajeado fez uma exposição ao Governo do Estado sobre a proposta de retorno das aulas dos estudantes dos terceiros anos do ensino médio. Este estudo também está sendo analisado e contribuirá para a decisão a ser tomada.

Leany também destacou a diferença entre o retorno nas escolas particulares e públicas. Nas públicas, o governo precisará calcular o orçamento adicional  necessário para implementar o sistema de testagem e uso de máscaras (EPI’s) pelos professores.

BRDE

Na abertura da live, Bergesch abordou as expectativas do setor empresarial com a indicação da coordenadora do Comitê de Dados para assumir a presidência do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Salientou que muitas empresas precisarão de maior apoio para a recuperação de suas atividades nos pós-pandemia.

Leany observou que a pandemia impôs incertezas sobre as principais economias mundiais e que muitos países agora destinam quantias consideráveis para recuperação dos seus setores produtivos.

Realização

A live ocorreu simultaneamente nas três plataformas digitais da entidade e serviu como forma de levar os conteúdos abordados mensalmente nas tradicionais reuniões-almoço. Ela pode ser conferida na íntegra nos perfis do facebook e youtube da entidade.

A live contou com o apoio de Bebidas Fruki, BiMachine, Black Contabilidade, BRDE, CBM Materiais Elétricos, Construtora Jachetti, Excellence Garçons, Invictos Ar Condicionados e Refrigeração, Olicenter, Poolseg Corretora de Seguros, Sicredi Integração RS/MG e Star Som, Luz e Imagem. Este grupo de empresas constitui o time de apoiadores das reuniões-almoço 2020 da Acil.

Fonte Comunicação Acil Lajeado

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