Associados da Languiru participam de palestra técnica sobre produção leiteira

Com o intuito de transmitir aos associados produtores de leite, novos conceitos sobre nutrição e manejo de vacas no período pré e pós-parto, o Setor de Leite do Departamento Técnico da Cooperativa Languiru promoveu importante palestra técnica, no dia 16 de maio.

Para estimular o aprimoramento da atividade leiteira na área de atuação da cooperativa, o Setor de Leite, em parceria com a empresa Nutrifarma, trouxe para conversar com os produtores o consultor de propriedades Bolivar Nóbrega de Faria, especialista em clínica e cirurgia de grandes animais. Ele atende bacias leiteiras das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, é natural de Minas Gerais e profissional médico veterinário, com pós-graduação em Nutrição Animal, além de pesquisador do Instituto de Pesquisa Flávio Guarani/Rehagro.

Participaram do evento, que ocorreu na Associação dos Funcionários da Languiru, em torno de 150 produtores de leite. Também prestigiaram o encontro a direção da cooperativa, técnicos em agropecuária, médicos veterinários e coordenação do Setor de Leite.

Vaca gorda não é animal saudável

Chamando a atenção dos produtores para o tema da palestra – “Período de Transição”, Faria comentou as causas das doenças que ocorrem nesta fase e enfatizou o manejo indicado para o pré e o pós-parto. No período que compreende as três semanas anteriores e as três semanas seguintes ao parto, alertou para 75% das doenças em bovinos relacionadas ao sistema imunológico do animal mais suscetível a organismos externos. “Esse período pode ser o início de várias doenças, como retenção de placenta, mastite e cetose. A lactação de uma vaca começa quando você seca ela e a prepara para voltar a produzir leite. Para cada litro de leite que perco no pico da lactação, eu acabo perdendo 300 litros na lactação total”, estimou.

Faria comparou o cuidado que se deve ter com o animal nessa transição com a preparação de um atleta para uma Olimpíada. “A vaca, assim como ocorre com o atleta, deve receber uma preparação final para vencer a ‘competição’, nesse caso, produzir leite.”

Apresentando gráficos e fotos, o palestrante afirmou que o pré e o pós-parto são algumas das questões mais pesquisadas no mundo quando se trata de atividade leiteira.  “Façam um planejamento. Se a vaca não estiver ‘arrancando’ para produzir leite, esse problema pode estar no período de transição”, observou.

Faria chamou atenção para outro fator importante, relacionado à alimentação dos animais nesta fase. “Quanto mais peso a vaca perde, menos leite ela vai produzir. Durante a prenhês é aconselhado oferecer ao animal expressiva quantidade de comida no cocho. Se uma pessoa come pouco e gasta muita energia, ela começa a emagrecer. Assim ocorre com uma vaca que está prenha e come pouco. O terneiro começa a sugar nutrientes e, consequentemente, a vaca vai emagrecer e produzir pouco leite”, exemplificou.

Ele estimou que 3% de sobra de alimento no cocho é um percentual viável e que não acarretará prejuízo ao produtor. “A produção e os resultados gerados pelo animal sempre compensarão. Se você chegar no final do dia no cocho e não encontrar nenhuma sobra, é sinal de que está faltando comida”.

Da mesma forma, Faria chamou atenção para o excesso de peso do animal, o que pode acarretar em problemas para o fígado. Segundo ele, a gordura que o organismo da vaca manda para o fígado reduz a produção de leite. “É preciso cuidar bem do fígado da vaca para que ela tenha o escore corporal adequado. Uma vaca gorda não é saudável”, alertou.

Sobre instalações na propriedade, o pesquisador observou que o produtor deve oferecer conforto aos animais e monitorar a produção com anotações individuais sobre cada animal. “Cerca de 85% das vacas precisam estar descansando após a ordenha.”

Languiru prioriza qualidade

Ao final do evento, o presidente da Cooperativa Languiru, Dirceu Bayer, observou que as palestras organizadas pelo Departamento Técnico servem para profissionalizar os associados da cooperativa. Bayer comentou sobre aspectos da atividade leiteira e frisou que os produtores devem ter orgulho de ser associados da Languiru. “Não é fácil ser produtor de leite, há muitas variáveis e temos que ficar atentos a vários aspectos. A Languiru tem uma preocupação muito grande com a questão da qualidade e uma cooperativa só é forte se o seu associado for forte”, sintetizou.

Grupo seleto

Já o vice-presidente, Renato Kreimeier, enalteceu que a cooperativa tem uma “grande” capacidade de crescimento. Falou dos investimentos realizados para fomentar a atividade leiteira e citou números da produção. “O objetivo da Languiru é industrializar a matéria-prima de qualidade que os associados produzem. Temos um grupo seleto e que vem crescendo muito”, elogiou.

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