Via Láctea: Teutônia pede duplicação, mas Daer acena com quebra-molas

O Conselho Municipal de Trânsito de Teutônia (Comtrante) realizou na última terça-feira, dia 8, sua reunião ordinária mensal e a pauta central foram as travessias urbanas da rodovia ERS-128 (Via Láctea), ou seja, nas rótulas vazadas (trevos) de acesso aos bairros. Para debater o tema foi convidado e participou do encontro o superintendente de Lajeado do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), engenheiro Hildo Artur Mourão da Silva.

O pleito central de Teutônia é que o Estado, através do Daer, faça o projeto de duplicação da rodovia. Ciente de que é uma obra demorada, enquanto isso, são pleiteadas algumas medidas emergenciais para amenizar, principalmente a situação crítica de congestionamento e insegurança nas travessias urbanas. Uma das sugestões apresentadas é a transformação de rótulas vazadas em rótulas fechadas, além da construção de ruas laterais no trecho mais crítico, nas rótulas do Bairro Languiru.

Embora tenha concordado com rótulas fechadas e vias laterais sejam a solução ideal, Mourão vê dificuldades de execução pela priorização do Estado para os municípios sem acesso e pela falta de projeto. Para surpresa e espanto dos conselheiros, o engenheiro Mourão propôs a implantação de quebra-molas na rodovia para conter a velocidade, segundo ele o principal motivo para a causa de acidentes. Ele rechaçou a ideia de lombadas eletrônicas, “porque o cidadão bom para, mas o bandido não para. No quebra-molas vai a zero a velocidade, na lombada, com 40 ou 50 Km/h, não tem como atravessar”.

A colocação de quebra-molas nas rótulas (trevos) reduziria a velocidade dos veículos na rodovia, porém dificultaria ainda mais a travessia de um lado para o outro, gerando transtornos ainda piores dos vividos atualmente. “Teríamos congestionamentos ainda maiores, com filas intermináveis”, projetam os conselheiros.

Outra colocação do superintendente que espantou os conselheiros foi o fato de que “não falta dinheiro, mas precisa do projeto”. Ele sugeriu fazer pressão política, inclusive com audiência com o governador do Estado, para pleitear o projeto e a obra. “Verba vai sobrar, isso não é problema. O governo diz que para obra tem dinheiro, mas a preferência são os acessos municipais. Não impede de conseguir, pois não deixa de ser um acesso municipal”, complementou Mourão.

Estrutura defasada

O prefeito Renato Airton Altmann sustenta, incansavelmente, que a estrutura da Via Láctea está defasada, obsoleta, ultrapassada. “A rodovia tem a idade do município. A estrutura é a mesma desde então. Foi feita sinalização, roçada, tapa buracos, mas a estrutura não melhorou nada, os trevos são os mesmos. Temos no perímetro urbano, de 10 km, 8 trevos com o da Rota do Sol, todos abertos, com risco iminente de acidentes e tragédias. Queremos transformados os trevos em rótulas fechadas”, aponta.

Altmann salienta que já são inúmeros os ofícios pedindo projeto de duplicação, inclusive com duas vezes entregues na mão do governador Tarso Genro, uma para o secretário de Obras, outra para o secretário do Planejamento e cerca de três audiências com a direção geral do Daer. Até agora, nenhum retorno. “Não imagino esta rodovia daqui a 5 anos sem um investimento forte. Desde que foi inaugurado o Frigorífico de Suínos em Poço das Antas, aumentou ainda mais o fluxo. Outras cidades usam a rodovia para chegar a BR-386 e temos que achar medidas emergenciais enquanto não sair o projeto de duplicação”, pondera o prefeito.

Teutônia precisa aderir ao movimento

Outra preocupação manifestada pelo prefeito Renato Altmann é o fato de que o movimento Duplica Via Láctea “parece ser algo que só a Prefeitura quer. Não deve ser assim. Este projeto é de Teutônia, é para o bem, para um futuro melhor para Teutônia. Precisamos de mais engajamento para mobilizar”.

Altmann sugeriu que entidades promovam mobilizações internas para que os associados comprem a ideia do movimento. Também pede que os vereadores, através de suas bancadas na Assembleia Legislativa e suas influências no governo do Estado, peçam insistentemente o projeto de duplicação e, enquanto este não acontece de fato, sejam feitas medidas emergenciais na rodovia.

“O Duplica Via Láctea não é para promover o prefeito. É para solucionar um problema grave de Teutônia e projetar uma rodovia mais segura para todos, hoje, amanhã e para o futuro”, conclui Altmann.

Duplica Via Láctea

O movimento Duplica Via Láctea foi lançado em abril de 2011, com a iniciativa da Administração Municipal de Teutônia e o envolvimento da CIC Teutônia, empresários, CFCs e outras entidades da comunidade. Em agosto daquele ano, Teutônia recebeu uma audiência pública da Assembleia Legislativa, sob a liderança do então deputado Luís Fernando Schmidt, para apresentar os problemas e a situação, com a reivindicação de soluções. Mais de 150 pessoas participaram da audiência, mas que até hoje não surtiu em elaboração do projeto.

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