Verão: época também de realizar a transferência de embriões

O Projeto Transferência de Embriões (TE) da Dália Alimentos começou a ser realizado em 2012. Desde então, produtores de leite associados à cooperativa buscam pelo procedimento visando à qualificação do rebanho e à genética dos animais produtores de leite. De acordo com a médica veterinária responsável pelo projeto, Vanessa Calderaro Dalcin, desde seu início, foram transferidos 125 embriões, com média de 42% de prenhez.

A meta para 2014 é fechar o ano com 45% de prenhez, sendo que já foram registrados sete nascimentos de terneiras e um macho. “Todas as terneiras foram pesadas ao nascer e, nos primeiros dias, houve acompanhando do desenvolvimento. Assim que ficarem prontos os resultados de DNA, serão devidamente registradas na Associação de Criadores de Gado Holandês do RS (Gadolando). “Um total de 15 produtores rurais aderiram ao projeto e hoje já possuem – ou aguardam a chegada – de terneiras geneticamente superiores à média de seus rebanhos”, contabiliza Vanessa.

Ela explica que, tecnicamente, o procedimento para garantir maior taxa de prenhez era realizado nos períodos de inverno, quando o clima é mais ameno e fresco. Entretanto, a transferência de embriões vem se mostrando como uma boa alternativa para melhorar a taxa de prenhez de vacas holandesas durante o período mais quente do ano. Em propriedades leiteiras e, principalmente, em vacas de alta produção, a média de prenhez com inseminação artificial durante o verão reduz significativamente, ficando, muitas vezes, em torno de 10 a 20%.

Prova disso foi registrada na propriedade do casal Edson (48) e Mariane Landmeier (40), em Linha Berlim, a seis quilômetros do município de Westfália. Eles optaram pelo projeto após anos trabalhando no sistema atual, que utilizava touros para a fertilização de vacas.

Mariane conta que a família decidiu fazer uso de embriões após pesquisar sobre a técnica. “Fomos visitar uma propriedade em Carlos Barbosa e vimos que era uma excelente alternativa para garantir o nascimento de fêmeas. A gente também lia sobre o assunto no jornal da Dália, que tinha reportagens sobre embriões”, conta.

Para o verão: transferência de embriões mais eficiente que inseminação artificial

Enquanto as temperaturas ultrapassavam a casa dos 40ºC, no dia 24 de janeiro deste ano, nove vacas da propriedade foram inovuladas com embriões provenientes da “fertilização in vitro”. De acordo com Vanessa, “na primeira confirmação tínhamos cinco destas nove vacas prenhes. Após duas absorções chegamos ao final do protocolo, nesta propriedade, com três vacas prenhes, totalizando 33%.”

Naquele mesmo dia foram inovuladas seis vacas na propriedade de Rene Winter, em Rio Pardo, com resultado final de quatro vacas prenhes, ficando em 66% de prenhez. “Comparando os resultados destas propriedades, identificamos que no verão a transferência de embrião foi mais eficiente do que a inseminação artificial. Precisamos explorar mais o potencial desta técnica e, por isso, os objetivos para o próximo verão é que tenhamos uma produção de embriões de fertilização in vitro maior e suficiente para utilizarmos como rotina em mais propriedades”, adianta Vanessa.

Propriedade diversificada

A regra para a família Landmeier é diversificar a pequena propriedade agrícola. Além do casal Edson e Mariane, atuam no trabalho conjunto os filhos Alex (20) e Edu Henrique (13), continuando a obra dos pais e fomentando a sucessão rural.

Nos 17 hectares de área de terras estão plantados milho para a produção de silagem. Anualmente, a produção é de 320 toneladas, destinadas para alimento do rebanho, composto por 64 animais entre vacas, novilhas e terneiras. Destes, 27 encontram-se em lactação, produzindo em torno de 700 litros por dia. Aliás, nesta atividade de bovinocultura leiteira quem atua é Alex e Mariane, que projetam a ampliação e modernização das instalações com a construção de um free stall para alojar o rebanho. A obra deve ser iniciada ainda neste ano.

A suinocultura também está presente na propriedade. A terminação aloja 570 cabeças em um galpão totalmente automatizado. Edson é quem administra essa atividade. A avicultura também faz parte da rotina agrícola da propriedade rural. Dois aviários com capacidade para alojar entre 65 e 70 mil aves, automatizados e climatizados, contam com o trabalho Mariane e Alex. Na propriedade, cada um desempenha uma função, sendo que a mão de obra é totalmente familiar.

Perfil

Vanessa Calderaro Dalcin (25) trabalha na Dália Alimentos há um ano e meio. Formada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 2011, especializou-se em embriologia e reprodução de bovinos durante a faculdade e no estágio realizado em Córdoba, na Argentina. Em 2013 concluiu o Mestrado em Produção Animal pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Ingressou na Dália Alimentos para montar e iniciar o Projeto de Transferência de Embriões (TE). Hoje atua coordenando o projeto que já soma mais de cem embriões transferidos e também auxiliando no controle da qualidade do leite nas propriedades do Programa Vale dos Lácteos. Ela acredita que a importância do seu trabalho está embasada em programas que se apresentam como alternativas para melhorar a produtividade e a lucratividade dos associados. A veterinária se define uma apaixonada pela produção leiteira. Além de funcionária, é associada do programa leite da cooperativa.

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