Vale espera investimentos do RS para retomar o crescimento

Na segunda metade de 2014, o Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat) elaborou um livro com estratégias para a região. Ele levanta demandas para o período de 2015 a 2018 – os quatro em que José Ivo Sartori (PMDB) estará à frente do Palácio Piratini.

Aos 66 anos de idade, Sartori foi eleito governador com 61,21% dos votos válidos. No último dia 1°, foi oficialmente empossado para assumir o mandato.

Para o Vale, o momento é de recomeço das cobranças junto aos representantes estaduais e de mobilizações políticas. Sai o petista Tarso Genro, entra o peemedebista, ex-prefeito de Caxias do Sul.

Para a presidente do Codevat – o Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) da região -, Cíntia Agostini, a diversidade econômica do Vale é bastante importante e o novo governador irá se deparar com isso.

Ela aponta que o associativismo e o cooperativismo têm se apresentado como consolidação das riquezas. “São importantes para a região”, avalia. Para Cíntia, há grandes avanços, mas também um contraposição. “Trabalhávamos com uma matriz produtiva, com o produtor, e agora já estamos avançando na questão da agroindústria e agregação do valor do produto que temos”, diz.

O problema está na falta de inovação. “Precisamos trabalhar mais com a questão da pesquisa e do desenvolvimento”, aponta. Acredita que isso é importante para o Vale se diferenciar enquanto região.

A busca, entretanto, não é apenas do Codevat. Entre outras entidades, também a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT) está à espera de bons frutos no novo governo.

O presidente da CIC-VT, Ito Lanius, relata que Sartori vai encontrar um Vale que está em retomada de crescimento, mas que ainda precisa recuperar os índices de participação na economia do Estado. “Em 2002, o índice de participação era de 4%. Hoje, estamos em 3,43%. Precisamos de mais incentivos para o crescimento econômico”, lamenta.

Infraestrutura

Um dos pontos de manifestação dos representantes diz respeito à infraestrutura, que inclui a mobilidade regional. “Temos uma região no Centro do Estado e que interliga diversas outras regiões. Isso é bem importante para nós, só que nós precisamos dar conta”, detalha Cíntia.

Para ela, o Vale possui hidrovia, a BR-386 e até ferrovia, mas não se está aproveitando o potencial: “Temos que avançar nisso. Mesmo com rodovia saturada e havendo município sem acesso asfáltico, além da necessidade de duplicação.”

Lanius, por outro lado, conta que uma das bandeiras da CIC-VT é a de que haja autossuficiência em geração de energia hídrica. “O que precisamos é de uma agilidade, do Governo do Estado, e até de um destravamento da burocracia e das licenças ambientais em andamento”, observa.

Para ele, será fundamental o contato com a Secretaria de Minas e Energia. “Ela tem um ponto positivo, que é o secretário Lucas Redecker – com muita ligação e, consequentemente, muitos votos no Vale do Taquari”, sinaliza.

Ainda segundo o presidente, a entidade espera estreitar os laços com a secretária de Meio Ambiente, Ana Maria Pellini: “É uma pessoa que também possui uma visão desenvolvimentista, mesmo não desconsiderando a sustentabilidade ambiental.”

Saúde requer atualização no custeio

O tema da saúde é recorrente entre a maioria das entidades representativas da região. Para Cíntia, o Vale já conseguiu dar conta de uma dinâmica mais regionalizada. “Temos atendimentos de menor complexidade em alguns hospitais e de maior complexidade em outros, com algumas especialidades”, comemora.

Contudo, reflete que é preciso ampliar a rede de atenção regionalizada para fazer com que se consiga dar conta da maior parte das especialidades. “Principalmente da baixa e da média complexidade, sem ter que ficar deslocando pacientes para muito longe”, diz.

O grande dilema, ainda assim, não parece ser esse. “É fundamental por parte do Estado a questão do custeio do serviço público de saúde”, solta, como grande demanda.

O motivo é que foram financiados equipamentos e obras, nos últimos anos. Mas, sem atualização do custeio, o atendimento via saúde pública fica comprometido. Quando aborda o tema, refere-se ao pagamento para a saúde – o que é repassado pelo Estado: “Ele não paga alguns serviços e alguns hospitais, por exemplo, não conseguem se manter, já que o repasse é muito pequeno.”

Para Lanius, a saúde é um clamor da sociedade. “É uma questão necessária 24 horas e muitas coisas precisam ser melhoradas, principalmente a quem não possui muito poder aquisitivo”, salienta.

Atendimento integral é necessidade nas escolas

Os índices do Estado diminuíram e a evasão das salas de aula continua em todo o Estado. Diante da situação, a presidente do Codevat avalia que para a região é importante o atendimento integral na educação.

Para ela, com as crianças nos dois turnos, em atividades na escola, diminui-se os “outros riscos no entorno”. “A questão da educação integral o Sartori precisa nos ajudar, pois isso evita também outras coisas que estão atreladas”, analisa.

Cíntia cita, por exemplo, os altos índices de drogadição: “Tudo isso está aí porque os nossos jovens precisam ter o que fazer. A escola tem que mudar para atendê-los. Se a escola não mudar, não dará conta do perfil do jovem que está vindo.”

Aumento de efetivo é chance de melhora na segurança

O presidente da CIC-VT considera a questão da segurança complicada. “O problema está bastante evidenciado”, diz. Segundo Ito Lanius, passa por várias questões e uma delas está relacionada ao aumento de efetivo.

Para ele, é necessário um conjunto de ações e que passam pela educação e cultura. “Tenho a visão sistêmica, não acredito em problemas isolados”, explica.

Cíntia é mais incisiva. Para ela, em primeiro lugar, deve-se dar atenção ao efetivo. “Polícia Rodoviária Federal (PRF) querendo fechar o posto de Tabaí porque não há efetivo, não dá”, lamenta.

A presidente acredita que, se o Rio Grande do Sul não tomar conta da segurança da forma como precisa, não irá para frente: “Em Lajeado e na região, neste ano, foi assustador. E são problemas atrelados e que precisam ser olhados.”

Vale apresenta baixo índice de saneamento

Embora pouco debatidas, as discussões em torno do meio ambiente são tidas como de grande importância na região. Alguns dos problemas, quando se trata do assunto, é com os dejetos em propriedades e também o saneamento básico.

Para Cíntia, a carga orgânica produzida nas propriedades está gerando problema na natureza e nos rios. “Temos que transformar isso em negócio. A região produz 30% das aves, 15% dos suínos e 9% do leite, mas esses bichos estão produzindo carga orgânica e não estamos sabendo aproveitar”, reclama.

De acordo com ela, até o momento não houve um programa eficiente, por meio da Secretaria de Meio Ambiente do Estado, que conseguisse encontrar uma dinâmica que pudesse criar alternativas para isso.

Quanto ao saneamento, analisa que os dados do Vale são assustadores. “A região tem só 11% de saneamento e a média estadual é 48%. Então, tem que ser pensado”, diz.

Cíntia conta que ao se analisar outros indicadores, verifica-se números bons, como o de saúde. “Mas, o saneamento está lá embaixo. O que são 11% para uma região que se considera rica?”, questiona.

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