Vale busca alternativa para nova ferrovia

Como o traçado da ferrovia Norte-Sul não deve passar pelo Vale, líderes tentam criar uma alternativa para contemplar a região. Havia a expectativa de a construção da estrada de ferro ligar Estrela ao Porto de Rio Grande. Pelo estudo da Valec, empresa ligada ao Ministério dos Transportes (MT), a possibilidade foi excluída.

Uma audiência pública estava agendada para segunda-feira na Assembleia Legislativa. Com a mudança de ministro no MT, o evento foi cancelado. No encontro, a Valec apresentaria o resultado do estudo e o traçado escolhido. De acordo com o presidente da Frente Parlamentar pelas Ferrovias na Assembleia Legislativa e deputado estadual, Raul Carrion (PC do B), sem a participação do governo federal, a audiência pública perde o significado.

Representantes do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat) e da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) pretendem debater o assunto com o parlamentar. O intuito é articular uma nova proposta para pelo menos viabilizar um ramal da nova ferrovia até Estrela.

Haviam duas propostas em análise, frisa Carrion. A primeira chegava ao Estado por Erechim, passando por Passo Fundo, Carazinho até chegar ao Vale do Taquari. No entanto, o mapa da ferrovia, a partir da análise da Valec, prevê a passagem dos trilhos por Frederico Westphalen, via por Cruz Alta, Santa Maria e pelo Vale do Rio Pardo, em Cachoeira do Sul, antes de seguir ao Porto de Rio Grande.

Segundo o deputado, há outras possibilidades para incluir a região, mas para tanto é necessário mobilização política. Entre as propostas, está a construção do Tronco-Sul. O trecho chegou a passar por um estudo de viabilidade, mas o valor da obra inviabilizou a execução do projeto. O investimento se aproximaria a R$ 30 bilhões, orçamento previsto pela União para todas as ampliações do modal no país. “O levantamento foi malfeito. Não observaram a estrutura existente no caminho”, afirma Carrion.

Como havia propósito de investir nesse projeto, o deputado quer buscar o dinheiro que estava previsto e conseguir uma ligação ao Vale do Taquari.

O Plano Plurianual (PPA) da União para 2013 a 2015 estipula a destinação de R$ 39,6 bilhões para infraestrutura ferroviária. Entre as metas, estão a expansão da malha ferroviária, a construção de acessos aos portos, a adequação de trechos ferroviários, a manutenção das ferrovias e a mudança no modelo de concessões.

Escoamento da produção

A justificativa em torno da necessidade de uma rota de trens passando pelo Vale está na exportação. Estima-se que 72% da produção de grãos do Estado passa pela região. São mais de 35 mil contêineres que partem dos vales do Rio Pardo e Taquari por ano. Os principais produtos são fumo, carne e grãos.

Com o ramal ferroviário entre Estrela e Rio Grande, deixariam de circular em torno de 370 mil caminhões por ano. Pela ferrovia, o transporte de carga é, em média, dez vezes mais barato. O custo da logística representa cerca de 17% do preço das mercadorias. Por ano, a exportação gera mais de R$ 400 milhões para a região.

Com a construção dos silos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Estrela, aumenta a importância de uma ligação da região com o maior porto do Estado. O governo federal investe R$ 22 milhões na obra.

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