Unidades de referência da Chamada Pública do Leite participam de capacitação em Teutônia

Um grupo de 25 agricultores que integram as unidades de referência da Chamada Pública ASF/ATER nº 07/2013, Lote 19, que visa promover uma agricultura sustentável na cadeia produtiva do leite, participou na última quarta-feira, dia 18, de uma capacitação no Colégio Teutônia, no município de mesmo nome. A atividade, organizada pela Emater/RS-Ascar – que executa a Chamada Pública do Leite em todo o Estado, por meio de convênio com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) – contou com palestras e tarde de campo.

Na parte da manhã foram dois paineis. O primeiro, com o tema “Armazenagem e Qualidade na Propriedade Leiteira”, foi ministrado pelo engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Ricardo Martins. Em seguida, o assessor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag/RS), Airton Hochheid falou sobre os “Cenários da Cadeia Produtiva do Leite no RS”. À tarde houve atividade de campo na granja do colégio, com demonstração de método sobre ensiladeiras, pastagens, alimentação e acompanhamento na ordenha.

O encontro, de acordo com o assistente técnico regional em Sistema de Produção Animal da Emater/RS-Ascar, Martin Schmachtenberg, é parte de um conjunto de atividades que estão sendo desenvolvidas desde o início do ano passado e que beneficiarão 500 famílias de 41 municípios, 25 delas do Vale do Taquari, 14 do Vale do Caí e dois da Serra Gaúcha. “O objetivo será o de fomentar a atividade leiteira, concentrando o trabalho nas propriedades onde a produção é menor, com foco na sustentabilidade econômica, social e ambiental”, ressalta.

Em relação às unidades de referência, elas foram selecionadas para servirem de modelo para outros agricultores envolvidos com a bovinocultura de leite. “Nesses locais o trabalho será ainda mais intenso, tendo como base os eixos da Chamada Pública, que são a gestão da atividade, a organização da produção, a produtividade, a qualidade do produto e a comercialização”, explica Schmachtenberg. Concluídas as ações da Chamada, espera-se que as famílias envolvidas possam ampliar sua produtividade e renda, promovendo também o aumento da qualidade de vida e a continuidade dos jovens no meio rural.

Uma das integrantes da Chamada é a produtora Judite Teresinha Schäfer, de Linha General Neto, em Barão. Bovinocultora de leite há seis anos, a agricultora possui 11 vacas, que produzem uma média de 220 litros de leite por dia. No começo, as duas únicas vacas resultavam em apenas 15 litros diários. Foi por meio do acesso à assistência técnica gratuita, aliada a uma linha de financiamento, que Judite conseguiu ampliar não apenas o rebanho, mas também a produtividade. “A gente começa a participar de reuniões e palestras que nos ajudam a entender melhor as partes da alimentação e da genética”, exemplifica.

Antes de produzir leite, Judite trabalhava com hortaliças e frutas. Só que as exigências do mercado, somadas ao risco de frustração da safra e às dificuldades de manejo fizeram com que repensasse a matriz produtiva da propriedade, onde trabalha ao lado do marido e do filho de 11 anos. Hoje, não se arrepende de sua escolha. Desenvolve a atividade como integrada de uma pequena cooperativa do município, que mantém o preço estável, valorizando os investimentos feitos. “A minha ideia é aumentar ainda mais a produtividade, após a Chamada, chegando aos 300 litros diários”, diz.

Outro produtor, Marco Aurélio Rohr, da localidade de Linha Roncador, em Colinas, também é bovinocultor há pouco tempo. Até 2007, trabalhava em uma fábrica de calçados da região, tendo que respeitar horários, cumprir metas, ouvir as exigências do chefe e fazer horas extras nem sempre bem-remuneradas. “Espero nunca mais precisar retornar a cidade pra trabalhar”, afirma o agricultor, que hoje possui 28 vacas em lactação, produzindo 450 litros de leite ao dia. “Aqui tenho internet, parabólica, celular, meu próprio veículo, enfim, uma infraestrutura semelhante a das pessoas que vivem em centros urbanos”, garante.

Animado com a atividade, Rohr já estuda a possibilidade de ampliar o seu plantel. A intenção do bovinocultor é chegar a um número de 45 vacas, com mil litros ao dia. “Penso que a qualificação, por meio da Chamada Pública possa ser um caminho pra isso, já que passamos a ter mais orientações sobre a atividade”, diz. No local já fez um galpão, montou um sistema de piqueteamento com pastagens permanentes e adquiriu equipamentos, com linhas de financiamento para o meio rural. “No começo, é claro que houve dificuldades, mas se a gente tem vontade e faz aquilo que gosta fica mais fácil”, completa.

 

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