União promete ramal ferroviário para a região

A empresa pública que gerencia a construção de ferrovias no Brasil apresentou na noite de quarta-feira, dia 27, o traçado da Norte-Sul. A Valec confirma que a linha férrea não passará pela região, mas assegura um ramal ligando o Vale.

O desenho foi revelado em uma reunião com o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), na sede da estatal. Conforme o parlamentar, a decisão de excluir o Vale do traçado ocorre por conta da ferrovia Tronco Sul, malha viária já existente na região com ramificações em Erechim, Passo Fundo, Camaquã, Roca Sales e Triunfo.

“O Vale do Taquari não precisa de uma ferrovia nova”, ressalta. Segundo ele, a Tronco Sul será ligada à Norte-Sul, em um entroncamento na cidade de Chapecó. Para isso, as bitolas da linha férrea serão substituídas por peças de padrão mais largo, idênticos ao da nova ferrovia.

“O estudo do governo diz que é mais barato ampliar a bitola e ligar os traçados”, frisa. Porém, acredita que será necessário incluir ambas as obras no programa de concessões que será lançado em junho pelo governo federal.

Para tanto, defende uma mobilização do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), colegiado que reúne os três estados da Região Sul. “Queremos tirar a obra da dependência do Orçamento Geral da União, porque não haverá dinheiro.”

No caso da malha viária existente no Vale, será necessária uma repactuação do contrato atual, que concede o uso à América Latina Logísticas. Se não houver excesso de burocracia, a adaptação deve sair antes da obra da Norte-Sul.

Propostas estudadas

Nos próximos dias o Ministério dos Transportes deve confirmar oficialmente as decisões. O traçado da Norte-Sul apresentado pela Valec faz parte do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA).

O estudo levou em conta a demanda econômica, o fluxo de caminhões e a geografia do solo de diferentes trajetos. Foram duas propostas para o ingresso da ferrovia no território gaúcho. A primeira incluía a entrada por Erechim, passando por Passo Fundo e Carazinho até chegar ao Vale do Taquari. A segunda, confirmada pela Valec, entra pelo Noroeste e segue pelo centro do Estado.

Outras três possibilidades de ligação até a região sul foram estudadas. Em uma delas a ferrovia cruzaria a Região Metropolitana. Outro traçado previa a sequência pelo oeste, aproveitando trecho administrado pela América Latina Logística (ALL), de Cacequi e Bagé.

A proposta escolhida passa por Iraí, Caiçara, Frederico Westphalen, Palmeira das Missões, Seberi, Boa Vista das Missões, Cruz Alta, Santa Maria, Pelotas e Rio Grande. A empresa passa a elaborar o projeto executivo, que deve demorar 18 meses para ser concluído.

Carências no transporte

Estudo divulgado pela Confederação Nacional de Transportes (CNT) indica deficiências nos modais e falta de investimentos em infraestrutura. Cerca de 30% dos recursos autorizados não são investidos pelo governo federal, por problemas gerenciais.

Em 2014, foram repassados R$ 15,8 bilhões para infraestrutura de transporte, cerca de 0,29% do PIB. Em 1975, o percentual em relação ao PIB era de 1,8%.

A falta de ferrovias é considerada problema grave por 83,3% dos embarcadores de grãos. O país tem 3,4 quilômetros de ferrovias para cada mil quilômetros quadrados de área.

Os dados revelam que a baixa produtividade dos equipamentos portuários é um problema grave todos embarcadores. Para a maioria, as operações portuárias são deficientes. Há pouca profundidade dos berços, bacias de evolução e canais de acesso.

Outra questão relevante é a burocracia relacionada à implantação e à ampliação das infraestruturas. Somam-se os erros em projetos, necessárias para o licenciamento ambiental, o que atraso a obtenção das licenças.

Para o professor do curso de Logística da Unisinos, de São Leopoldo, Rafael Bassani, a falta de planejamento dos governos mantém o país dependente da malha rodoviária. Para ele, empresários estão preocupados de investir em outras formas de distribuir mercadorias.

Ele utiliza o exemplo do Porto de Estrela. Se as dragas estivessem abrindo os calados para permitir o fluxo contínuo, diz. O aproveitamento do espaço seria muito maior. “Para o empresário, investir nisso é inútil sem planejamento público. Não sabe se a malha hidroviária se manterá em atividades no ano seguinte. O que dirá em cinco ou 20 anos.”

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