União familiar e foco na sucessão é lema para família de Ilópolis

O leite configura-se como a principal atividade na propriedade da família Bagnara, em Linha Peca, distante cinco quilômetros da sede do município de Ilópolis. Tudo começou com o casal Avelino (76) e Arsiza (74), que começaram de forma tímida, porém, promissora. “No começo a gente vendia muito pouco, mas sempre vendia algo”, relata, ele que se associou à Dália Alimentos no ano de 1963.

Por longos anos, Avelino ocupou o cargo de delegado na cooperativa. A figura de líder familiar e dentro da Dália foi repassada ao filho Joacir (44), que hoje dá sequencia ao trabalho do pai junto à esposa Marilene (39) e aos filhos Joel (17) e Jonas (7). Além disso, também já ocupou a função de delegado e, atualmente, é suplente.

Depois de entrar em contato com a assistência técnica da Dália, Joacir fez a visita a algumas instalações semelhantes a que construiria. O intuito era facilitar o entendimento acerca do funcionamento e compreensão da planta. O investimento foi de R$ 41 mil, aplicado no espaço pensado depois que Joacir percebeu no filho Joel o interesse em permanecer na propriedade. O jovem concluiu o Ensino Médio no ano passado e afirma que não se interessa em trabalhar fora, mas sim dar continuidade ao trabalho na propriedade com 37,5 hectares, como vem fazendo até então.

A nova instalação substituiu a antiga, que já não comportava mais os anseios da família em termos de produção e mão de obra. Todos contribuem, de uma forma ou de outra, para o trabalho com os animais e também na lavoura. Hoje, são 30 animais entre vacas, terneiras e novilhas. Destes, 14 se encontram em lactação, produzindo 280 litros de leite por dia.

Mas o objetivo é expandir, passando para um plantel de 23 animais em lactação e aumentando o volume de leite produzido para 450 litros diários. A nova sala de ordenha é toda em alvenaria, tem capacidade para oito animais e está de acordo com as normas da cooperativa e também vigente às condições sanitárias. Além disso, Joacir ampliou a sala de alimentação para 30 animais, reestruturando e reformando o espaço.

Avelino garante que o valor investido se reverteu em custo benefício, melhorou o trabalho e diminuiu o tempo entre as ordenhas. “Se fosse saber que era assim, a gente teria construído antes”, frisa o aposentado. Joacir também demostra satisfação com o novo empreendimento dedicado às vacas e acredita que o tempo, a mão de obra e o bem-estar animal qualificou o trabalho na atividade leiteira.

Além do gado leiteiro, a família trabalha com fumo e erva-mate. São 40 mil pés de tabaco e cerca de sete hectares dedicados à planta que dá origem ao chimarrão. Mas o intuito dos Bagnara é ampliar o leite para poder reduzir o fumo.

Sucessão rural

Todos auxiliam na execução dos trabalhos, inclusive o pequeno Jonas, que acompanha a avô Avelino no estábulo e também na sala de ordenha. Quanto a Joel, ressalta que não se interessa em abandonar o local onde nasceu por acreditar que o trabalho no campo é mais gratificante do que na cidade. “Aqui a gente trabalha pra gente, não tem patrão, nós que somos os donos e fizemos os nossos horários”, coloca o jovem, fomentando a sucessão rural.

O pai orgulha-se em saber que o filho dará segmento ao trabalho e lembra que o investimento foi pensando também na sucessão familiar. “A escolha dele é livre, se quiser sair, estudar, trabalhar fora, nunca o impedimos. Mas ficamos felizes por saber que ele pretende ficar aqui. É motivo de entusiasmo para todos nós, que tanto trabalhamos para erguer e manter tudo isso”, declara Joacir.

Perfil da assistência técnica

O profissional que atende a família é o Técnico em Agropecuária, Júlio de Sordi (32), de Anta Gorda. Formou-se no Colégio Agrícola de Guaporé, em 1998, e presta atendimento a 302 produtores de leite dos municípios de Anta Gorda, Relvado, Doutor Ricardo, Ilópolis Putinga, Arvorezinha, Itapuca e Nova Alvorada.

De Sordi está na Dália desde 2004 e acredita que o trabalho de assistência técnica é importante, pois o produtor que procura o técnico para a troca de ideias e/ou acompanha na visitação a plantas e construções coopera para o crescimento da propriedade e também da cooperativa. “Os técnicos estão com todas as plantas de construções que, seguidamente, são atualizadas por uma equipe de profissionais da área para a melhoria do trabalho na atividade leiteira.”

Segundo ele, isso ocorre para que haja melhor conforto e bem-estar dos animais e produtores, facilitando o trabalho diário na atividade leiteira. “Nem todas as propriedades têm o acompanhamento dos filhos, mas percebesse que onde o produtor melhora as condições de trabalho, também solicitam a opinião e sugestão dos filhos, aderindo às tecnologias, utilizando equipamentos e maquinários que facilite o serviço. Assim, os filhos estão ficando na atividade e assumindo o trabalho dos pais, tornando o seu negócio do futuro e não apenas um trabalho como outro qualquer.”

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