Um dia para recordar o engajamento na juventude rural

Para técnicos, extensionistas e ex-sócios dos Clubes 4-S de Arroio do Meio, Capitão, Pouso Novo e Travesseiro, a quarta-feira, dia 17, foi dia de rever amigos e relembrar o trabalho realizado na juventude. Cerca de 300 pessoas que atuaram no movimento quatroessista nas décadas de 1960, 1970 e 1980 compareceram ao I Encontro Intermunicipal, no Esporte Clube Esperança de Dona Rita, em Arroio do Meio.

Antes do evento, ocorreram vários pré-encontros. De acordo com um dos organizadores da programação, Roque Steffens, a iniciativa foi uma forma de resgatar os projetos desenvolvidos no meio rural – tanto individuais quanto coletivos. Fotografias – de desfiles, excursões, projetos comunitários relacionados à agricultura, agropecuária e artesanato – estavam expostos aos participantes.

Criados por meio de uma iniciativa da Emater/RS-Ascar, os Clubes 4-S buscavam fortalecer o trabalho da agricultura no Estado. “Também serviam para capacitar o jovem rural que, à época, estudava até o 4º ano do primário, no máximo. Eles podiam aprender, por meio de folhetos e de cursos, desenvolvendo lideranças na comunidade “, conta Steffens, coordenador dos 25 Clubes 4-S que existiam na década de 1970, aos quais eram associados cerca de 1,1 mil jovens.

Não havia idade estipulada para se associar; bastavam o interesse e a vontade de atuar em prol da comunidade. Desde os 12 anos, Jorge Secchi (58) já fazia parte da diretoria do Clube 4-S Progresso e Amizade, de Alto Palmas, Capitão. Num de seus projetos – sobre cultura do milho – o quatroessista cultivou uma “lavoura demonstrativa”, na qual as sementes, em terrenos inclinados, eram plantadas em curvas de nível. Agricultores podiam visitar a lavoura e dimensionar o resultado econômico da medida e o impacto da forma de plantio na proteção do solo.

Ex-extensionista da Emater/RS-Ascar, Ilse Thomas Queiroz (62) ajudou a organizar a exposição do encontro. Ela integrou o Clube 4-S Sempre Avante, de Barra da Forqueta, Arroio do Meio, na década de 1960. Participava do projeto Arranjo do Quarto, no qual as jovens aprendiam a confeccionar roupas de cama. Para ela, envolver-se na preparação do evento foi uma forma de recordar os bons tempos. “Parece que voltei lá atrás. Para mim, serviu para resgatar memórias.”

Juventude engajada

O enfraquecimento dos clubes teve início na década de 1980. Ex-sócio do Clube 4-S Conquista da Copa, de Linha São Luís, em Capitão, Otávio Deves (67) acredita que, dentre as causas do declínio do movimento, estão o êxodo rural e a filosofia de trabalho que a fomentadora – Ascar – possuía na época. Para Roque Steffens, o número reduzido de jovens no campo impossibilita o desenvolvimento de um trabalho como o realizado nas décadas passadas. “Além disso, não há mais o despertar; os jovens não se reúnem mais neste sentido”, observa.

Saiba mais

Os clubes 4-S brasileiros são inspirados no modelo norte-americano Clubs Four-H (Head, Heart, Hands, Health), em português – Cabeça, Coração, Mãos, Saúde. No Brasil, adotou-se o nome 4-S (Saber, Sentir, Saúde, Servir). “O Saber fazia referência à procura pelo conhecimento; no Sentir, o jovem se colocava dentro da sua realidade; a Saúde correspondia à preocupação com saneamento, com alimentação saudável; e o Servir significava estar a serviço da comunidade, da família, da pátria, de Deus e do Clube 4-S”, explica Jorge Secchi (58), ex-sócio do Clube 4-S Progresso e Amizade, de Alto Palmas, Capitão. O emblema dos clubes era um trevo de quatro folhas, com a letra S dentro de cada uma delas.

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