Caminho dos Moinhos

Os moinhos do Vale do Taquari na Serra Gaúcha são admiráveis registros da imigração italiana no começo do século passado. Engenhosas construções de madeira, cheias de poesia, sofisticação técnica, lições de arquitetura: testemunhos do trabalho humano. Para as famílias recém-chegadas, estes moinhos significavam a conquista de uma vida autossustentável, com o pão e a massa como base culinária e econômica.

Novamente integrados ao dia-a-dia das comunidades, os moinhos ganham novo fôlego e assumem novos papéis. A professora e ambientalista Judith Cortesão, no ano 2000, foi quem primeiro apelou para a urgência da restauração, pesquisa e divulgação dos moinhos coloniais. De lá para cá, já voltaram a funcionar alguns dos moinhos, como o Moinho Vicenzi, situado ao lado de uma magnífica cachoeira. No coração do Caminho, em Ilópolis, funciona desde Fevereiro de 2008 o conjunto do Museu do Pão, compreendo o Moinho Colognese, a Oficina de Panificação e o museu propriamente dito.

O roteiro turístico e cultural dos moinhos leva o visitante a uma região de belíssimas paisagens: suaves vales e montanhas, rios e regatos, cachoeiras e lagos, densas matas de araucária, grutas, arquitetura rural dos imigrantes e um povo acolhedor.

Venha conhecer um pouco dessa cultura, desse pedaço original do Brasil, ainda por ser descoberto!

Associação dos Amigos dos Moinhos do Vale do Taquari
Informações: (51) 3774 1537
Site: www.caminhodosmoinhos.com.br


Moinho Colognese

Ilópolis (Centro)
Construção: 1910
Estado: restaurado e funcionando

O restaurado Moinho Colognese voltou a funcionar e produzir farinha, podendo receber visitas guiadas.

Histórico

1930 – O Moinho Tomasini & Baú surge de uma sociedade entre os irmãos José e Biaggio Tomasini e Pedro e Antonio Baú. Foi construído pelo carpinteiro Garibaldi Bertuol com madeira fornecida pela Serraria Araçá de Tomasini e Cia. O maquinário a vapor alimentado por lenha foi montado por técnicos alemães. A produção de moagem diária de trigo é de 20 sacos de 60 kg. Posteriormente a sociedade é desfeita. O moinho passa por diversos proprietários e locatários: por fim, é fechado e o seu maquinário, vendido. Carlos Colognese aluga o prédio e ali monta um armazém de secos e molhados.

1953 – O prédio é adquirido pelos irmãos Ângelo, Savino, José, Augusto e João Ernesto Colognese. O moinho é novamente montado com a denominação de Colognese e Cia. João Ernesto Colognese e a sua esposa Ada conseguem, como proteção, um quadro com a imagem de Santa Catarina de Alexandria, padroeira dos moleiros e dos moinhos.

1976 – Os irmãos Colognese vendem a patente de registro para um outro moinho, desfazendo a sociedade.

1982 – João Ernesto Colognese assume integralmente a propriedade.

2004 – A Associação dos Amigos dos Moinhos do Vale do Taquari é criada e adquire o imóvel com recursos doados pela Nestlé Brasil.

2005 – O escritório Brasil Arquitetura elabora projeto para a restauração do moinho, integrado ao projeto do conjunto do futuro Museu do Pão. Inicia-se a restauração do moinho pelos alunos do curso de Restauração e Artesanato de Madeira, promovido pelo IILA (Instituto Ítalo Latino Americano). O projeto tem patrocínio da Nestlé Brasil, apoio da Prefeitura de Ilópolis, IPHAN e Universidade de Caxias do Sul.

2006 – A construção do conjunto Museu do Pão e Oficina de Panificação é iniciada com patrocínio da Nestlé através da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio Grande do Sul.

2007 – A construção do conjunto, bem como o restauro do moinho e de seu maquinário são concluídos.

2008 – Inauguração do Museu do Pão, que compreende o Museu, a Oficina de Panificação e o Moinho Colognese, ponto de partida para a implantação do Caminho dos Moinhos.

Bodega do Moinho

O antigo depósito de grãos do Moinho foi transformado numa acolhedora bodega, que oferece produtos da oficina de panificação e de toda a região. É um novo ponto de encontro, lazer e convivência para moradores e visitantes.

Museu do Pão

No Museu do Pão, uma pequena coleção de objetos utilizados pelos imigrantes italianos do Vale do Taquari, refaz a trajetória da produção do alimento “do grão ao prato”. Uma linha do tempo resume 6000 anos da presença do pão na história da humanidade. No pequeno auditório documentários, filmes e palestras discutam temas ligados ao pão e à imigração italiana, entre outros.

Oficina de Panificação

A oficina de panificação insere-se no resgate da culinária tradicional e na formação e capacitação de jovens para o exercício da nobre profissão da Arte Branca. Ali serão ministrados diversos tipos de cursos de panificação e confeitaria para crianças, jovens universitários e moradores da região.


Moinho Vicenzi

Anta Gorda (Linha Tunas)
Construção: 1930
Estado: funcionando

Histórico

1930 – Os irmãos Miotto constroem um moinho para a moagem de trigo e milho.

1960 – Isidoro Lamperti e Riccieri Mucelin adquirem o moinho e a as terras em seu entorno. Olivo Vicenzi incorpora-se à sociedade.

1964 – Olívio Vicenzi adquire totalmente a propriedade, que passa a se chamar Moinho Vicenzi.

1965 – Um cilindro para a moagem de trigo é instalado.

1970 – Com a crise do Trigo-Papel, encerra-se a moagem de trigo. O moinho passa a moer somente milho e a descascar e polir arroz.

1991 – As atividades de moagem são encerradas e o prédio cai em total abandono.

2000 – Judith Cortesão com seus alunos do curso de mestrado em Educação Ambiental da FURG (Fundação Universidade Federal do Rio Grande) visitam o moinho e seu entorno. A professora o compara a uma paisagem japonesa. Com sua divulgação o moinho passa a ser incluído e procurado como ponto turístico de Anta Gorda e do Vale do Taquari.

2004 – Falece Olivo Vicenzi e seus filhos passam a administrar o patrimônio. O casal Isair e Adelaide Vicenzi decide recuperar o moinho. Em 21 de outubro, o moinho volta a funcionar na moagem de farinha de milho.

2008 – O Moinho Vicenzi, já em pleno funcionamento, é incluído no Caminho dos Moinhos.


Moinho Marca

Putinga (Linha Carlos Barbosa)
Construção: 1950
Estado: a ser restaurado

Histórico

1937 – Uma chuva de meteoritos cai sobre Putinga, no dia da festa de São Roque, 16 de agosto. Tratava-se de um meteorito que se fragmentou em várias partes atingindo diferentes pontos da redondeza. O fenômeno, raríssimo, causou medo e espanto. A cidade ficou conhecida como “ Cida de do Meteorito”.

1950 – Vitório Vicari e Jose Dall’Agnol visitam a comunidade e arredores no intuito de arrecadar fundos para a construção de um moinho em sistema cooperativo. Santo Mazzoco passa a esculpir três mil pedras de basalto (1m x 0,50m) para o alicerce e porão do moinho.

1952 – É constituída oficialmente a cooperativa mista Padre Carlos Dall’Agnol Ltda., em homenagem ao primeiro pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Purificação de Putinga.

1954 – A cooperativa do moinho supera os 400 sócios.

1980 – A Cooperativa e o Moinho encerram suas atividades.

1986 – Arlindo Cosseau arremata o moinho em leilão público.

1991 – Arquimedes Marca adquire o imóvel e as terras adjacentes.

2000 – Judith Cortesão e seus alunos do curso de mestrado em Educação Ambiental da FURG (Fundação Universidade do Rio Grande) visitam o moinho, a usina hidroelétrica em seu entorno e o Museu da Cida de.

2008 – O Moinho Marca é incluído no Caminho dos Moinhos, devendo ser recuperado e restaurado.


Moinho Fachinetto

Arvorezinha (Bairro Moinho)
Construção: 1947
Estado: restaurado e funcionando

Histórico

1947 – O moinho começa a ser construído pelos sócios fundadores, Danilo Pompermaier, João Miotto, Arminio Miotto e posteriormente por Mário Zampiva, Nadir Tomasini, Batista Tomé e Jacir Rigo.

1949 – As polias, pedras mós e cilindros do moinho entram em atividade e surge a empresa Miotto, Pompermaier e Cia Ltda. O moinho era movido com motor a lenha, chamado locomove, semelhante a uma pequena locomotiva ferroviária.

1952 – O moinho passa a funcionar com energia elétrica.

1958 – Com o nome de Moinho Tupy e razão social de Pompermaier e Cia. Ltda. passa a produzir os produtos de marca “Odete”. A matéria prima (trigo, milho e arroz) vem de várias localidades do alto do Vale do Taquari e da Serra do Botucaraí. Em época da colheita, o moinho chega a receber mais de cem cavalos e carroças para a moagem dos cereais. O sistema de troca de produtos ainda é mais usual que o de venda.

1972 – O moinho é vendido para a Cooperativa Agrícola Soledade Ltda.

1999 – As atividades do moinho são encerradas.

2000 – Judith Cortesão ministra pequenos cursos e palestras de educação patrimonial e ambiental em Arvorezinha e apóia a criação da rota Caminhos da Erva Mate. No III Seminário Estadual de Turismo Ecológico, realizado na cidade de Encantado, fala sobre a importância e beleza dos moinhos como atrativo cultural e turístico a serem preservados.

2007 – Claudir Fachinetto adquire o moinho, recupera sua edificação e engrenagens e começa a produzir a farinha “Vó Gentília”, em homenagem a sua avó. Junto ao Moinho Fachinetto é criado um centro cultural com o intuito de preservar sua memória e incrementar o desenvolvimento da região.

2008 – O Moinho Fachinetto é incluído no Caminho dos Moinhos.


Moinho Dallé

Anta Gorda (Linha Borghetto)
Construção: 1919
Estado: funcionando

Histórico

1919 – Giuseppe Bortolanza constrói o moinho movido a energia hidráulica com um jogo de pedras mó para a moagem de milho.

1926 – Os irmãos José e Theobaldo Acco adquirem o moinho e acrescentam mais um jogo de pedras mó para a moagem de trigo.

1950 – José Dallé compra a parte societária do seu tio José Acco. O moinho ganha o nome de Moinho Acco e Dallé Ltda.

1953 – Um segundo módulo de 10 metros de altura e um silo com capacidade de armazenamento de até 200 toneladas de trigo são acrescentados. O moinho passa à energia de propulsão a óleo. É instalado um cilindro para a moagem de trigo.

1967 – José Dallé adquire a parte de Theobaldo Acco e o moinho passa a chamar-se Moinho José Dallé.

1980 – Com o falecimento de José Dallé, os seus filhos assumem o negócio e o moinho finalmente passa a ter seu nome atual, Moinho Dallé Ltda.

1982 – O cilindro de trigo é desativado.

1990 – Volta a funcionar o cilindro para a produção de farinha de trigo.

1995 – O cilindro para moagem de trigo é novamente desativado e o moinho passa a produzir somente farinha de milho.

2000 – Judith Cortesão com seus alunos do curso de mestrado em Educação Ambiental da FURG (Fundação Universidade Federal do Rio Grande) visitam o moinho e encantam-se com a região do Borghetto, suas edificações de madeira (Bodega Goldoni, Capitel de Santa Maria Bambina, antigo hotel) e com a tranqüilidade do lugar.

2008 – O Moinho Dallé segue funcionando e é incluído no Caminho dos Moinhos.


Moinho Castaman

Arvorezinha (Linha Quarta Baixa)
Construção: 1947
Estado: a ser restaurado

Histórico

1947 – Belarmino Menegon e Pedro Castaman iniciam a construção dos alicerces de pedra: Ferruccio Castaman e Mansueto Ultramari executam a construção de madeira do moinho.

1954 – O engenheiro João Zanizella e sua equipe constroem e instalam os equipamentos de moagem de Milho e de Trigo.

1957 – A firma Moinho Irmãos Castaman & Filhos Ltda. é constituída pelos irmãos Natal e Ferruccio Castaman e pelos filhos Hermes e Renildo Castaman.

1979 – O moinho encerra a atividade de moagem de trigo.

2001 – Primeira reunião com a comunidade, junto à capela de São Marcos para tratar da restauração do moinho.

2002 – Junto ao moinho é aberto o primeiro poço para abastecer a comunidade com água.

2008 – O moinho Castaman é incluído no Caminho dos Moinhos.

05 de maio de 2010 Aprovação do recurso de R$ 1.800 para restauro do moinho


Informações Turísticas

Associação dos Amigos dos Moinhos do Vale do Taquari  
Museu do Pão. Moinho Colognese
Rua Padre da Silva Kolling 1020
Ilópolis

Central de Informações de Ilópolis: (51) 3774 1537
E-mail: faleconosco@caminhodosmoinhos.com.br

Horários de atendimento no Moinho de Ilópolis:
De terça à sábado:
Manhã: 08h30min às 11h30min
Tarde: 13h30min às 17h

Domingo e feriados:
Tarde: 13h30min às 17h