Transporte em pista dupla reduz em R$ 1,2 mil custo por motorista

Enquanto aguardam a resolução do impasse entre a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), empresários calculam o impacto financeiro de uma rodovia com a falta de uma pista 100% dupla. O custo da mão de obra de movimentação de uma carga entre Lajeado e Porto Alegre, por exemplo, poderia ser reduzido em R$ 1,2 mil.

A conta é feita a partir do tempo gasto no trajeto, mais o custo das horas pagas ao condutor. De acordo com o empresário Valmor Scapini, hoje a velocidade média de um veículo de carga na BR-386 é de 55Km/h.

Entre o “arranca e para” do caminhão, a demora é justificada ainda pela diferença de velocidade máxima no trajeto até a Capital. “Seguramente poderíamos aumentar a média de velocidade até 65Km/h”, projeta Scapini.

Assim, tomando como base os vencimentos de um caminhoneiro, com uma jornada de trabalho de 220 horas por mês, a redução do custo da mão de obra pode alcançar R$ 1,2 mil por funcionário.

O valor considera os encargos trabalhistas e a remuneração líquida do trabalhador e é uma estimativa feita sobre o porcentual de economia – 20%-. “Isso aumentaria a produtividade em um frete e reflete economicamente no transporte de carga”, conclui o empresário.

A segurança

Para além da questão financeira, Scapini diz que o problema da rodovia está nas mortes no trânsito, acumuladas ao longo de sua extensão na região. “No último mês, tivemos três óbitos, não foi constado que a culpa é da dimensão da pista. Mas a própria autoridade de trânsito ventila essa possibilidade”, reflete.

Novo bloqueio na pista

A Câmara da Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT) demonstra descontentamento com a falta de informações tanto da Funai quanto o Dnit. A entidade promete protestar.

De acordo com o presidente da CIC-VT, Ito Lanius, a primeira ação será a colocação de duas placas publicitárias, entre o trecho onde está parada a duplicação. Os dois quilômetros entre Estrela e bom Retiro do Sul receberão a indicação da revolta. “Tanto o Dnit quanto a Funai demonstram falta de vontade e descaso com a região, pois simplesmente ignoram nosso pedidos de informação”, critica Lanius. A expectativa é que as placas sejam colocadas na próxima semana no acostamento rodovia.

Para Oreno Ardêmio Heineck, que é um dos interlocutores da região nas tratativas de duplicação da BR-386, o manifesto não deve ficar só na sinalização. Heineck quer mobilizar os empresários para um novo bloqueio na pista, semelhante ao que ocorreu em março. “E se isso for confirmado, e tudo indica que sim, será maior do que o protesto de março”, garante Heineck.

Relembre

A mobilização que ocorreu na manhã do sábado de 15 de março, próximo ao posto Laguinho reuniu caminhões de diferentes empresas de transporte. Os veículos causaram congestionamento na rodovia.

A manifestação tinha o mesmo propósito reativado agora pela CIC-VT. Chamar a atenção contra o que as lideranças regionais chamam de falta de sensibilidade da Funai.

Para setembro

Heineck diz que uma nova tratativa para liberar o trecho indígena da BR-386 deve ocorrer em setembro. Segundo ele, no próximo mês, uma parte das casas da nova aldeia estará concluída. A situação, de acordo com ele, pode sinalizar para um acordo entre Funai e a região. “Quem sabe, se conseguirmos a transferência de algumas famílias, a fundação libere a obra de duplicação no trajeto”, propõe.

Dnit reforça liberação neste ano

O Dnit confirma que a conclusão da aldeia indígena ocorrerá em dezembro de 2014.

Por meio da assessoria de imprensa, o órgão disse que, “houve um acerto entre o Dnit e a Funai. A obra das 29 casas, escola, área para o artesanato e casa de fala atende a todos os requisitos solicitados pela Funai. Assim, a expectativa é de que, com a entrega das moradias, prevista para o fim do ano, a Funai já libere o trecho”, conclui a nota.

Quanto à falta de sensibilidade e interesse na questão regional, que atenta para a celeridade na obra, a assessoria do Dnit não se manifestou. Procurada, a Funai não respondeu ao contato feito pela reportagem.

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