Tradição sobrevive na colheita gaúcha

Num setor onde o consumo por tecnologia é crescente, apanhar espigas de milho manualmente e recolhê-las em carroças puxadas com junta de bois é atividade cada vez mais rara no campo. Em Forquetinha, mesmo que a lavoura ofereça condições de colheita mecanizada, Valter Heep, 75 anos, prefere o método tradicional, mantido desde a colonização, como fizeram os primeiros imigrantes a se instalarem no município a partir de 1870. O trabalho é mais lento e exige habilidade. Na parte da manhã apanham as espigas do pé, que são colocados em montes no chão. À tarde, fazem o recolhimento. Ao final do dia, são duas carroças lotadas de milho, que é levado ao paiol para armazenagem. Cada carga rende, em média, cinco sacas de grãos. “Ajudo a colher milho desse jeito desde que eu era guri. Nós fazemos o serviço com calma, sem apressar nada, temos tempo”, diz Heep.

Para tirar o milho da terra, Valter Heep conta com a ajuda da nora Noemi Hoffstäeter, do cunhado Ivo Hoffstäeter e do neto Mateus, que já está aprendendo os segredos da colheita. “De manhã, ele vai à escola. À tarde, auxilia na lavoura e já demonstra muita habilidade”, diz o avô. “Eu gosto de ajudar. É bom”, resume Mateus.

Apesar da importância de preservar as tradições, Valter Heep não tem controle sobre a quantidade. “O que posso dizer é que este ano a safra não será boa. As espigas são muito pequenas. Fez muito calor no verão e não se desenvolveram.” Ele observa que toda a safra é consumida pelos animais na propriedade. Além da junta de bois, ele tem algumas cabeças de gado, suínos e galinhas, suficiente para o consumo da família.

Os Heep são um exemplo de sustentabilidade. Produzem quase tudo que consomem e usam na propriedade. Além dos animais que fornecem carne, banha e ovos, cultivam aipim, feijão, amendoim, batata e milho pipoca para os dias de chuva. E da horta sai parte do cardápio diário. “Na cozinha só se usa banha para preparar os alimentos. É muito mais saudável do que o óleo de soja, que não presta para a saúde”, acredita o homem de 75 anos que esbanja vitalidade.

você pode gostar também Mais do autor

Comentários

Carregando...