“Temos razões econômicas para acreditar na retomada do crescimento”

Último Almoço Empresarial do ano ocorreu no Auditório 03 da CIC

Almoço Empresarial da CIC Teutônia destacou cenário econômico e perspectivas para 2017. Evento também celebrou os 17 anos da entidade

No dia 1º de dezembro a CIC Teutônia realizou a última edição deste ano do Almoço Empresarial. O evento teve a parceria da Sicredi Ouro Branco e contou com palestra que destacou o cenário econômico para 2017. O palestrante foi o doutorando em Economia pela UFRGS, Pedro Lutz Ramos, economista que contribuiu para que a Gerência de Análise Econômica do Banco Cooperativo Sicredi fosse premiada como uma das áreas econômicas do país com maior precisão em suas projeções, segundo a Bloomberg, o Banco Central do Brasil e o Grupo Estado de São Paulo.

Aniversário

Na abertura da programação, o presidente da CIC, Renato Scheffler, lembrou a importância do dia 1º de dezembro, data em que a entidade comemora mais um aniversário. Fundada em 1999, a CIC Teutônia representa atualmente cerca de 500 associados nos setores da indústria, do comércio e de serviços. “A entidade surgiu a partir da fusão da Câmara de Dirigentes Lojistas de Teutônia (CDL) e da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Teutônia (ACIAT), iniciando com 98 associados. Essa fusão agregou valores e possibilitou o início de um trabalho em escala, com o surgimento de novos serviços e convênios em benefício das empresas associadas, promovendo o crescimento em nível local e regional”, recordou Scheffler, agradecendo a todos que contribuíram com o desenvolvimento da CIC ao longo desses 17 anos.

Cenário atual e retomada do crescimento

“Temos razões econômicas para acreditar na retomada do crescimento, algo que não aconteceu nos últimos anos.” A afirmação é do economista Pedro Lutz Ramos, apresentando indícios dessa reversão de expectativas. Para falar da atividade econômica brasileira e mundial, ele abordou contas públicas, taxa de câmbio, economia internacional, taxa de juros e inflação.
Entre outros apontamentos, ressaltou que o país enfrenta dificuldades com o desequilíbrio das contas públicas. “Em outubro, o PIB brasileiro registrou -2,2%. A conta da dívida pública começou a ficar negativa, em dois anos a dívida pública cresceu cerca de 20%, uma evolução grande a claramente insustentável”, explicou.
Nesse contexto, Ramos citou o “tarifaço” na economia como alternativa para tentar cobrir essa disparidade. “Muitos impostos foram adicionados às contas dos brasileiros. Mesmo assim, não ajustou as contas públicas, pois as despesas a partir de 2005 seguiram crescendo ano a ano, com 10% de crescimento da despesa todo o ano. Junte a isso o desequilíbrio político, e o mercado financeiro mundial percebeu que o Brasil poderia entrar num caminho sem volta da dívida pública. Assim registramos a saída agressiva de recursos do Brasil, o que resultou em desvalorização do câmbio, aumento das taxas de juros e da carga tributária, redução do crédito e redução da confiança”, explicou.
Conforme o economista, “o pessimismo começa a ficar para trás a partir do Impeachment, com reversão das expectativas. O mercado financeiro como um todo e as empresas brasileiras percebem isso positivamente, voltam a apostar no Brasil e a renovar expectativas.”

Projeções

Ramos falou desse cenário de reversão. “Seguimos uma trajetória suave de ajuste fiscal, que depende de credibilidade e financiamento externo para funcionar, visto que o problema no curto prazo não está solucionado. No curto prazo teremos medidas extraordinárias de receita e privatizações, e em algum momento será necessário ‘pisar no acelerador’ desse ajuste”, disse.
Nas projeções das contas públicas, o PIB deve fechar 2016 mais uma vez negativo, em -3,5%, com 0,7% em 2017. Sobre a taxa de câmbio, as projeções apontam para o Dólar valorizado em R$ 3,40. “Em 2017, caso o novo presidente americano Donald Trump realize as propostas apresentadas, há o risco de redução da liquidez global, com reflexo para nossa taxa de câmbio, que pode chegar a R$ 3,70/US$. Caso não se concretizem tais propostas, a cotação deve ficar abaixo desse patamar em 2017”, apontou.
No que se refere à inflação e aos juros, o economista considera esses os principais vetores para explicar que o Brasil sai da recessão em 2017. “O aumento de impostos, a redução de subsídios e a desvalorização cambial elevaram a inflação brasileira. Isso pressiona os preços para cima, o custo das empresas brasileiras sobe. A projeção é de que 2016 encerre com inflação em 7%, e para 2017 a inflação deve ser de 5%. A taxa de juros deve fechar este ano em 13,75% e 2017 em 11%. Isso é reflexo da nova postura do governo, deixando o aumento de impostos em último lugar. A valorização da taxa de câmbio também reduz o custo das empresas. Paralelamente a isso, a oferta de alimentos no mundo começa a se regularizar com o aumento das safras. Esse aumento da oferta de produtos reduz custos de mercado, regularizando a oferta de alimentos no Brasil, e também empurra para baixo a inflação. Preços estão caindo nominalmente”, enumerou.
Para ele, “2017 cria horizontes melhores. No PIB, por exemplo, o resultado é modesto depois de dois anos de forte queda. Mas é possível olhar para frente e enxergar crescimento econômico”.
Para o diretor executivo da Sicredi Ouro Branco, Neori Ernani Abel, “2017 seguirá sendo um ano desafiador, mas pelo que vimos, estamos começando a ‘empatar o jogo’, a ter dias melhores”.
O próximo Almoço Empresarial a ser organizado pela CIC Teutônia ocorre no dia 29 de março de 2017.

Fonte Leandro Augusto Hamester- AI CIC Teutônia

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