Superprodução derruba preço da erva

Entre 2013 e 2014, o preço da erva-mate disparou, com alta de até 200%. Naquele momento, a oferta estava muito abaixo da demanda. Os altos preços serviram de incentivo para os produtores apostarem nas ervateiras. Em 2015, 21 foram abertas na região alta do Vale do Taquari.

O cenário de 2016 é bem diferente dos anos anteriores. A grande oferta gerada pelo crescimento na produção gerou o efeito contrário. Os preços registram queda recorrente nos últimos meses. Segundo os números da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), o preço médio está entre R$ 7,90 e R$ 12,90, representando queda de 10% apenas nos últimos 15 dias.

A estabilização do mercado pode ser bem vista pelos consumidores, mas é um sinal de alerta para produtores. Na avaliação do presidente do Sindicato das Indústrias do Mate, Gilberto Heck, a queda do preço é prejudicial para todos. “Não é só o produtor que perde. Com um preço menor, a qualidade também reduz e o consumidor é afetado.”

Para enfrentar a redução dos preços, Heck defende aposta nas exportações. “Precisamos ganhar mais mercado, vender para a América do sul e o mercado árabe.” Na avaliação do presidente, os produtores não são os únicos prejudicados pelos preços baixos. “Com isso o consumidor acaba recebendo um produto de menor qualidade e sofre também com isso.”

Diversificação do produto

Heck defende também o uso da erva-mate em outros produtos além do chimarrão. Segundo o presidente, ela pode ser usada como matéria-prima na produção de refrigerantes, chás e outras bebidas.

Hoje já é usada em cervejas especiais e mesmo como sabor de sorvete. Na avaliação do presidente, essa é uma das melhores alternativas para melhorar o preço aos produtores.

“Preço baixo prejudica cadeia”

Presidente do Sindicato das Indústrias do Mate, Gilberto Heck, acredita que a indústria deve usar melhor o produto como matéria-prima.

Existe alguma previsão de reação no preço da erva-mate?
Gilberto Heck – A gente está prevendo dois ou três anos de estagnação. Temos uma superoferta de matéria-prima e é uma cultura perene, não ciclo anual. Eu acredito que, se não conseguirmos outra maneira de ecoar o produto, seguiremos com superoferta pelos próximos anos e preços cada vez mais baixos.

Qual medida pode ser tomada para elevar o preço?
Heck – O preço baixo é ruim para toda a cadeia, inclusive para o consumidor. Se não tiver um preço adequado, abaixo do preço de produção, será vendida uma matéria-prima inferior. Ou nós conseguimos destinar essa matéria-prima para outros produtos, ou precisamos fazer o arranquio de erva-mate para adequar oferta e demanda.

Que outros produtos podem utilizar erva- mate?
Heck – Ela tem outras destinações além do chimarrão, e nós temos que desenvolver mercado com chá-mate, tererê com mercados para outros países. Nós temos bastante países da Europa que estão comprando. Estados Unidos está montando a importação. A gente espera que seja desenvolvida uma espécie de refrigerante para ampliar o uso e aumentar o mercado.

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