Suinocultura: Uma coadjuvante na propriedade

A instabilidade dos preços para os criadores de suínos vem fazendo a atividade perder o protagonismo em parte das propriedades rurais gaúchas.

De acordo com o presidente da Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador, muitos produtores passaram a considerar a criação economicamente inviável, em razão dos elevados custos de produção e apostaram em outras áreas. “A suinocultura não se tornou uma atividade mais atraente. Quem está nela não demonstra interesse em crescer”, destaca Folador, ressaltando que isso ocorre tanto com produtores independentes ou como com aqueles que estão integrados às indústrias. Segundo Folador, contudo, a estabilização dos preços verificada desde o segundo semestre de 2013 vem ajudando os suinocultores a recuperarem as perdas nos últimos anos.

Um dos exemplos de quem abandonou a atividade é o do secretário da Agricultura de Estrela, José Adão Braun, que também já ocupou o cargo de presidente da Acsurs e da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS). Na crise enfrentada pelo setor, em 2002, ele decidiu parar com a granja de suínos. “Aquele ano foi terrível. Cada vez que uma porca vinha com cria, já se sabia que cada leitão daria uma perda de pelo menos R$ 100. Era algo utópico manter-se na atividade”, recorda. Os animais eram destinados à reprodução. “De cada cem leitões, 70 iam para o frigorífico e apenas 30 eram vendidos para reprodução. A granja produzia animais de muita genética.”

Braun vendeu a granja de suínos e investiu no tambo de leite que, na época, era atividade secundária em Bom Retiro do Sul. “Percebo que tomei a decisão certa. Com o leite, a rentabilidade é maior e não tem a instabilidade do preço do suíno”, compara. A produção diária de leite chega a 2,5 mil litros/dia, e a projeção é de bater nos 3 mil litros/dia.

Na outra ponta da cadeia produtiva, o Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado do Rio Grande do Sul (Sips) destaca que o fato de produtores abandonarem a atividade ocorre de forma pontual e não em escala. Segundo secretário-executivo do sindicato, Rogério Kerber, o setor precisa ainda aumentar a taxa de desfrute, ou seja, a relação percentual entre o número de animais abatidos no período de um ano, em relação ao rebanho total, mais a taxa de crescimento. “O crescimento do rebanho sem aumento de abate é improdutivo”, afirma Kerber.

Segundo o executivo, desde a metade do ano passado os suinocultores vêm recuperando preço e registram queda no custo da produção. A saca de milho de 60 quilos saiu dos R$ 33 e atualmente varia de R$ 25,00 a R$ 26,00. “A partir do segundo semestre de 2013, não houve mais reclamação. O mercado está bom.” Kerber lembra que a falta do grão pode ter motivado alguns produtores que não estavam em um sistema de integração a saírem da atividade. Para ele, os suinocultores melhor estruturados conseguem obter um bom retorno. Sem detalhar números, Kerber diz que o Rio Grande do Sul foi um dos poucos estados que aumentou a produção no ano passado. Os dados consolidados devem ser divulgados nas próximas duas semanas.

Os números

  • A suinocultura gaúcha conta com 9 mil produtores, que abastecem pequenos, médios e grandes frigoríficos.
  • De janeiro a novembro de 2013, segundo o Ministério da Agricultura, por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF), foram abatidos 6.673.040 suínos
  • Levantamento da Acsurs aponta que em 2012 o rebanho no Rio Grande do Sul tinha aproximadamente 5,6 milhões de cabeças.

Aposta na produção leiteira

O casal Felipe e Mara Johner e o filho Luís, moradores da localidade de São Gabriel, no município de Cruzeiro do Sul, não aguentaram o repuxo do preço da suinocultura. Com uma granja que produzia animais para reprodução com genética das raças Landrace, Large White e Duroc, os prejuízos eram constantes. Em 2008, resolveram abandonar a atividade.

O que também contribuiu para largar a suinocultura foram as exigências da legislação ambiental. “Cada pouco era uma lei diferente. Parecia que era de propósito para fazer a gente desistir”, diz Luís. “Chegamos a ter 60 matrizes de muita qualidade e paramos com tudo”. Segundo ele, “o maior prejuízo fica com os pequenos produtores, que têm dificuldade em conseguir animais de boa genética, porque o setor é dominado pelas grandes empresas integradoras.

A família Johner decidiu então investir na produção de leite. No plantel há vacas das raças Holandesa e Pardo Suíço. A produção diária fica em 500 litros. “Já estamos trabalhando para ampliar a produção, o que tem que ser feito gradualmente”, observa Luís Johner.

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