Sucessão Rural: Após visita às propriedades, próxima etapa será dedicada à elaboração de projeto

O projeto-piloto de Sucessão Rural da Dália Alimentos estabeleceu o mês de julho para as visitas às propriedades. Os 11 jovens participantes da iniciativa receberam a visita do professor e consultor em Pesquisas e Gestão Empresarial que ministra os encontros mensais e coordena o projeto, Lucildo Ahlert, e dos técnicos da região de Encantado nas áreas de leite e suínos, Bruna Nardi e Eliseu Provensi.

A finalidade dos encontros foi auxiliar os jovens na revisão dos dados levantados em relação ao patrimônio, aos custos, às receitas das atividades nas propriedades e à análise dos indicadores gerados pelo sistema para cada atividade, com a participação do técnico da área.

Também houve discussão de alternativas para a melhoria dos indicadores e possibilidade de incremento de produção para elaboração de um projeto, com a participação do jovem sucessor. A discussão envolveu cada participante, familiares, técnico e coordenador do projeto.

As anotações começaram a ser realizadas ainda no mês de fevereiro, quando o projeto-piloto teve início com um grupo de jovens associados da cooperativa. A ideia central da Dália Alimentos é oferecer aulas mensais e gratuitas, visando ao gerenciamento da propriedade agrícola e a permanência do jovem no meio rural, mantendo-os no local de origem e executando a sucessão familiar.

Início do projeto

Na segunda-feira, dia 5 de agosto, durante o sétimo encontro do projeto, foram tratados aspectos pertinentes ao desenvolvimento de cada projeto de melhoria e incremento da produção para a agricultura familiar nas propriedades. “A partir de agora vamos fazer a montagem de um projeto de incremento da produção, com um plano de melhoria para os indicadores técnicos de produção para cada jovem”, explica o professor.

Ahlert esclareceu o que é um projeto e os passos para desenvolvê-lo. “É um empreendimento temporário, porque tem começo, meio e fim, ou seja, possui uma duração finita ao longo do tempo, com o objetivo de melhorar, criar um novo produto ou serviço e incrementar a produção.”

Um projeto é coordenado e controlado por atividades com data de início e término e visa atingir um objetivo com requisitos especificados, incluindo restrições de tempo, custo e recursos. As fases do projeto são: 1) Planejamento de Atividades; 2) Alocação de recursos, 3) Programação, 4) Organização, 5) Execução, 6) Acompanhamento e 7) Encerramento.

Previsão é melhorar a genética para aumentar volume

Na propriedade da família Rizzi, em Linha Leopolda, a seis quilômetros de Doutor Ricardo, a atividade leiteira precisa de incrementos. Foi isso que as planilhas, por meio das anotações e tabulação dos indicadores mês a mês, diagnosticaram.

Após a visita do professor Lucildo e da técnica Bruna, o jovem participante Henrique Luís Rizzi (24) esclareceu dúvidas e percebeu que, para a atividade ser viável, é necessário melhorar a genética dos animais para, consequentemente, ampliar o volume de leite produzido mensalmente.

No caso de Henrique, o projeto a ser estruturado vai apontar o aumento na produção. Há 15 anos trabalhando com gado leiteiro, a família possui um plantel de 12 vacas em lactação e três secas. Também tem cinco novilhas e um terneiro para engorda. A produção diária é de 150 litros de leite.

Entretanto, o objetivo do jovem é ampliar esse volume para 200 litros. Para isso, o melhoramento genético dos animais – mesclados entre as raças holandês e Jersey – é fundamental. É o que frisa a técnica Bruna, que também alerta para a substituição das vacas menos produtivas por animais melhores. “É o primeiro passo para aumentar o volume.”

Através do projeto-piloto também foi possível verificar que a média de produção por vaca é de apenas dez litros de leite/dia, enquanto a média que a Dália Alimentos prevê é de 26 litros. “É preciso dobrar este volume para que a atividade seja viável e lucrativa. Nutrição e genética são os investimentos mais urgentes”, completa Bruna.

Henrique e os pais José Carlos (49) e Ana (45), além dos outros filhos Jeane (19) e Jânio (8), acreditam que a sugestão para investir em genética é o caminho para qualificar a atividade. O jovem, ousado que demostra ser, diz que em dois anos quer ampliar o volume de leite para 200 litros/dia. Para isso, quer se dedicar mais assiduamente à bovinocultura leiteira e abandonar definitivamente o tabaco. “A gente planta um pouco de fumo, mas quer deixar de lado. Acho que o leite é mais rentável”, considera Henrique.

A principal atividade da família é a suinocultura. São três instalações e um total de 1,1 mil suínos em terminação. Também nessa atividade pretendem melhorar, automatizando e minimizando a mão-de-obra.

Instalação de ventiladores

Na propriedade de Gustavo Bagatini (25), em Linha Argola, interior de Encantado, após verificação dos indicadores, diagnosticou-se que serão investidos recursos na instalação de ventiladores. O jovem, que trabalha junto dos pais Neudir (61) e Irene (58) e do irmão Emanuel (24), atua com suínos e aves.

São 1,5 mil porcos em terminação, alojados em três pocilgas. Frangos são 18 mil. O projeto prevê a colocação de ventiladores no chiqueiro. “Com os ventiladores ganha-se dois suínos por baia, um aumento de 200 porcos. Também resulta em mais conforto para os animais, melhor conversão e evita a mortalidade em função do calor”, explica o técnico Eliseu.

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