Sistemáticas de sucessão e peculiaridades da região foram discutidas por jovens produtores da Languiru

Desenvolver conhecimentos específicos na gestão de pessoas e do processo sucessório foram destacados no 19° Encontro do Programa de Sucessão Familiar Languiru, que ocorreu no dia 15 de julho, na Associação dos Funcionários da Languiru. Além de serem instruídos sobre sistemáticas de sucessão familiar, os jovens produtores assistiram à apresentação de cases de propriedades, onde o processo sucessório ocorreu de forma planejada e gradativa. Da mesma forma, assistiram à apresentação de seis estudantes do curso, sobre aspectos econômicos e culturais.

Estratégias de sucessão nos empreendimentos familiares

O consultor em gestão de empreendimentos rurais e em pesquisa, Lucildo Ahlert, lembrou que a família e os negócios da propriedade estão diretamente envolvidos no processo de sucessão, por isso, enfatizou a necessidade de se formalizar um plano de sucessão que tenha o consentimento do sucessor e do sucedido. “Os pais precisam saber o que os filhos querem, ou seja, se vão querer optar pelo campo ou pela cidade. Temos que ter uma gestão aberta e planejar em conjunto”, ensinou.

O professor sugeriu algumas medidas para se ter uma sucessão familiar tranquila, como instituir um caixa único e um plano de participação de resultados. Para complementar, ilustrou situações que podem ocorrer na propriedade rural, como a venda da propriedade para o sucessor com consentimento da família e incentivos aos que saem da propriedade para fazerem parte do acordo do plano de sucessão. “Temos que aprender a ter uma sistemática de remuneração e administrar o caixa pois os filhos também querem ter a sua independência financeira. Os representantes oficiais devem ser reconhecidos”, frisou.

Ahlert observou que é preciso adotar novas estratégias para a agricultura familiar e mudar a forma de gestão dos empreendimentos familiares rurais. Salientou a necessidade de geração de recursos para viabilizar a remuneração dos membros da família de forma sistemática. “Precisamos definir o que são gastos da família e o que são gastos da propriedade. Fazendo isso, podemos atender a necessidade de investimentos para inserir o jovem no negócio e planejar o seu projeto de vida na propriedade”, aconselhou. “Capacitar os integrantes da agricultura familiar na utilização de ferramentas de gestão, para planejar, analisar e controlar atividades e produzir de forma lucrativa”, acrescentou. Para finalizar, ainda apresentou resultados de pesquisa realizada com os integrantes do Programa de Sucessão Familiar Languiru, entre abril e maio de 2015.

Onde a sucessão familiar se concretizou

A programação continuou com a apresentação de cases de propriedades, onde o processo sucessório está se concretizando, ambas no município de Imigrante. Adilson Stevens foi o primeiro a compartilhar a experiência sucessória que ocorreu na propriedade localizada em Linha Ernesto Alves.

Stevens enfatizou que seu pai sempre lhe deu bastante liberdade para decidir o caminho que iria seguir. Na adolescência, fez o segundo grau e o curso de Técnico em Agropecuária na Escola Agrotécnica Federal Juscelino Kubitschek, em Bento Gonçalves. Depois, morou por um tempo em Porto Alegre, onde fez cursinhos pré-vestibular. “Como sou filho único, optei em voltar para casa, para ajudar os meus pais na propriedade. Tínhamos um aviário, gado leiteiro e engordávamos suínos”, relatou. Com o tempo, a propriedade deixou a atividade leiteira para focar na criação de frango de corte e na fase terminação de suínos.

Além da sua esposa, Stevens ainda conta com a ajuda de seus pais nas atividades do dia a dia, como também de alguns colaboradores. Apesar de morarem em casas diferentes, Stevens mantém um relacionamento de camaradagem e parceria com os seus pais. “Temos um caixa único e o rancho mensal é dividido entre os membros da família. Almoçamos juntos e procuramos decidir os rumos da propriedade levando em conta a opinião de cada um. Tem que ser bom para todos”, sintetizou.

Stevens observou que o modelo contemporâneo do agronegócio exige que o produtor invista em tecnologias e esteja atento às tendências. “Pelos resultados alcançados foi uma decisão acertada”, afirmou.

Quem também transmitiu a experiência no processo de sucessão foram os produtores de aves e leite Egídio Meier e Marcelo Meier. Pai e filho relembraram situações que envolveram a compra de áreas de terras e investimentos em infraestrutura realizados na propriedade localizada em Linha Rosenthal. Egídio entende que o conflito entre gerações vai sempre estar presente na propriedade, pois faz parte do ciclo da vida. “Por exemplo, assim como eu discordava de alguns posicionamentos do meu sogro, o meu filho discorda de alguns posicionamentos que eu tenho. No entanto, a gente sempre tenta se entender”, sintetizou.

Já Marcelo, que trabalhou por um tempo como funcionário de empresas do setor avícola, também esbarrou no conflito de gerações depois de se formar técnico em agropecuária no Colégio Teutônia, em 1999. “Voltei para casa com um monte de ideias. Eu tinha que convencer o meu pai que, por sua vez, tinha que convencer o meu avô que era o dono da propriedade”, disse.

Hoje, a propriedade conta com dois aviários e produz 20 mil litros de leite por mês. Entre as medidas adotadas para viabilizar a propriedade e valorizar todos os membros da família está, primeiro, descontar as despesas e manutenções do tambo de leite, para só então dividir as sobras entre Egídio e esposa (50%) e Marcelo e esposa (50%). “Controlamos um livro caixa que reúne as receitas e despesas, além de administrar as dietas do rebanho, as compras de insumos e manutenções. Os novos investimentos são discutidos durante o café da manhã, todos os dias”, revelou Marcelo.

O associado da Languiru sugeriu aos jovens que procurem viajar e conhecer outras propriedades para acompanhar a evolução do agronegócio. “Quando a gente sai de casa, vemos o que os outros estão fazendo e conseguimos diferenciar os exemplos bons dos ruins. Quando ficamos muito em casa, a tendência é seguirmos os mesmos métodos a vida toda”, refletiu.

Relato de jovens produtores

Em seguida, integrantes do grupo deram depoimentos sobre diferentes aspectos, que envolvem a gestão das propriedades rurais. O produtor de leite Douglas Sulzbach explicou como é feita a gestão da atividade leiteira com meios informatizados na propriedade dos pais, que fica em Linha Novo Paraíso, município de Estrela. A produtora de leite Sabine Cristina Cord Pedruzzi falou sobre a participação de resultados e contrato de parceria na propriedade localizada em Linha Clara, município de Teutônia. O produtor de leite Maciel Gorgen compartilhou como procedeu na questão de investimentos próprios, compra de propriedade dos pais e plano de sucessão na propriedade localizada em Linha Sítio, município de Cruzeiro do Sul. O produtor de aves e leite Lucas Frederico Ahlert fez comentários sobre investimentos próprios e plano de sucessão na propriedade localizada em Linha Schmidt Fundos, município de Westfália. A produtora de leite Eliana de Oliveira contou aos seus colegas como é a participação de resultados e como são decididos os investimentos na propriedade localizada em Linha Santa Rita, município de Estrela. Já o produtor de leite Paulo Birck explanou sobre a participação de resultados, investimentos em seu nome, contrato de parceria e plano de sucessão na propriedade de sua família, localizada em Linha São Jacó Baixa, município de Estrela. Para finalizar as atividades, os jovens produtores foram separados em grupos e responderam a questões sobre a sucessão nos empreendimentos familiares rurais, que foram debatidas em plenária.

Direção presente

Além dos coordenadores dos Setores de Aves, Leite e Suínos do Departamento Técnico, o encontro também foi prestigiado pela direção da Cooperativa Languiru. O presidente Dirceu Bayer destacou o andamento do Programa de Sucessão Familiar e observou que os jovens produtores fazem parte do futuro da Languiru. “Ficamos motivados ao ver esse grupo se reunir com o objetivo de buscar a profissionalização”, confidenciou.

Bayer incentivou os jovens a participarem da tomada de decisões da cooperativa, como por exemplo, na escolha dos líderes de núcleo. “Preparamos vocês porque isso fortalece a cooperativa. Sejam atuantes nas comunidades pois acreditamos muito nesse trabalho”, aconselhou. Ressaltou que o trabalho da cooperativa está sendo reconhecido pela comunidade regional, estadual e nacional. Para exemplificar, citou a visita da SanCor, uma cooperativa argentina que esteve conhecendo unidades industriais da Languiru, no mês de julho. “Eles ficaram impressionados com o que viram aqui e nos convidaram para ir até a Argentina”, revelou.

O vice-presidente Renato Kreimeier enalteceu a fidelidade dos associados e classificou-os como o maior “patrimônio” da cooperativa. Enfatizou que uma gestão qualificada é importante para o êxito de uma propriedade rural. “Uma cooperativa só é forte se gerida por pessoas com conhecimento, por isso, estamos muito contentes em ver cada um de vocês se qualificando com esse curso. Uma pessoa empreendedora sempre procura novos conhecimentos”, comentou.

Visita às plantas industriais da Languiru

Incluído nas atividades do Programa de Sucessão Familiar, o grupo ainda tem realizado roteiro de visita às unidades industriais da cooperativa. No dia 23 de julho estiveram na Indústria de Laticínios, em Teutônia, e na Fábrica de Rações, em Estrela.

Na oportunidade conheceram as rotinas de trabalho das duas plantas, com detalhamento dos volumes de produção de lácteos e alimentação animal. Destaque para os processos e controle de qualidade.

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