Sindilojas Vale do Taquari é contra reajuste de 9,6% do piso regional

O Governo do Estado propôs um reajuste de 9,612% para o piso regional em 2016. Se aprovado, esse reajuste deve levar o piso regional (em sua primeira faixa) para um valor 25,42% superior ao salário mínimo nacional. A Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do RS (Fecomércio-RS) destaca que a inadequação desse reajuste fica evidente quando se analisa qualquer uma das variáveis que poderiam balizar um diferencial de piso salarial entre o Rio Grande do Sul e o Brasil. A mesma opinião é compartilhada pelo presidente do Sindilojas Vale do Taquari, Giraldo Sandri, que destaca as dificuldades das empresas frente ao atual cenário econômico. “Além dos muitos outros fatores, o momento não está propício para aumento. As vendas estão estagnadas e não tem como as empresas darem este reajuste”, afirma Sandri.

O PIB per capita gaúcho é apenas 8,6% superior ao nacional e o nível de produtividade na economia gaúcha é 4,5% inferior, conforme os últimos dados disponibilizados pelo IBGE e Ministério do Trabalho e Emprego. Em nota, a Fecomércio observa que o com os reajustes concedidos nos últimos anos, o piso regional se tornou um problema econômico devido ao nível atingido pelo mesmo. Esse é o motivo que embasou a proposta das federações empresariais de não reajustá-lo em 2016. É importante ressaltar que, mesmo que essa proposta fosse acatada, o piso regional ainda permaneceria em nível 14,4% superior ao salário mínimo nacional, razão muito maior do que o diferencial de produtividade ou de PIB per capita do Rio Grande do Sul para o Brasil.

Conforme estudos divulgados recentemente pela própria Fundação de Economia e Estatística do RS (FEE), a adoção de um piso salarial inadequado para a realidade econômica da maioria dos municípios do estado pode causar desemprego e informalidade, prejudicando principalmente aqueles trabalhadores menos qualificados e com menor nível de renda. Com isso, a política de piso salarial que vem sendo adotada pelo governo do estado acaba tendo um impacto contrário ao seu objetivo original.

A Fecomércio-RS volta a afirmar que mesmo que o problema do piso regional esteja relacionado ao seu nível, deve-se mencionar que a justificativa do governo para o índice proposto, baseado na variação dos rendimentos do trabalho capturados pela PNAD Contínua, do IBGE, utiliza dados nacionais e não regionais. No Rio Grande do Sul, utilizando a mesma pesquisa, a variação dos rendimentos nominais do trabalho apurado em 2015 foi de apenas 5,8%.

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