Sincovat

Cruzamento de informações e os riscos empresarias pautam reunião descentralizada em Estrela

O vice-presidente do Conselho Regional de Contabilidade do RS (CRCRS), Celso Luft, foi o palestrante da última reunião descentralizada do Sindicato dos Contadores e Técnicos em Contabilidade do Vale do Taquari (Sincovat) de 2017. Realizada nesta sexta-feira (20) em Estrela, a atividade contou com a parceria da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Estrela (Cacis) e teve como tema os riscos da atividade empresarial frente ao cruzamento de informações na visão do Fisco. Presidente da entidade, Rui Mallmann ressaltou que o objetivo dos encontros fora da sede é enaltecer a importância que a profissão tem perante a sociedade: “É mais uma forma de a gente mostrar que o Sincovat não é apenas Lajeado. O Sincovat é do Vale do Taquari”.

De acordo com Luft, a preocupação com os riscos empresariais se intensificou a partir de 2001, quando o atentado terrorista que derrubou as Torres Gêmeas nos Estados Unidos instigou o interesse mundial pela transparência na prestação de contas e na origem dos recursos. Com a criação das Normas Internacionais de Contabilidade, em 2010, se estabeleceu um padrão de procedimentos em nível global, facilitado pela evolução da tecnologia. No Brasil, a criação de ferramentas como o Sistema Público de Escrituração Digital (Sped)e seus derivados – Nota Fiscal Eletrônica, e-Social e Escrituração Fiscal Digital (EFD), entre outros – favoreceu o cruzamento de informações e ampliou o monitoramento das movimentações financeiras, fiscais e econômicas. A e-Financeira, através da qual as instituições bancárias, seguradoras, corretoras de valores e administradoras de consórcio são obrigadas a informar semestralmente os débitos e créditos que, no total, ultrapassarem o valor mensal de R$ 2 mil para pessoa física e R$ 6 mil para pessoa jurídica, também foi citada como mais um recurso para apertar o cerco da fiscalização.

Mencionando ferramentas como Declaração do Imposto de Renda, Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (Gfip) e Declaração de Informações Sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), além de convênios de integração, como Siscomex, Denatran e Incra, Luft destacou que todas as informações eletrônicas disponíveis no banco de dados da Receita Federal são confrontadas para identificar divergências e incoerências. Inclusive, a própria web tem servido de fonte, em especial as redes sociais. “O grande detalhe que eles estão buscando são os laranjas”, esclareceu.

Ao comentar sobre operações que foram identificadas e autuadas a partir do cruzamento de referências – Lava-Jato, Operação Zelotes, Caso Neymar, Sistema de Caixa 2, etc. – o profissional alertou: “Você tem que saber o tamanho do risco que você está correndo. Isso é o que você tem que medir. Vai trabalhando porque cada vez o cruzamento é maior”. “Nós conhecemos a realidade das empresas, das pessoas. Esse é um pensamento que tem que começar a evoluir”, sugeriu. Ele ainda comentou sobre a Declaração de Operações Liquidadas com Moeda em Espécie (DME), a qual obriga a informação das operações em dinheiro acima de R$ 30 mil e que, segundo ele, é mais uma forma de tentar eliminar as transações difíceis de serem rastreadas.

 

Fonte Simone Rockenbach

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