Seminário sobre bovinocultura leiteira reúne mais de 150 agricultores em Putinga

Mais de 150 agricultores dos municípios de Doutor Ricardo, Relvado, Ilópolis e Putinga, estiveram reunidos na última quarta-feira, dia 10, no Salão Comunitário da Linha Doutor Felizardo Júnior, Putinga, para o 1º Seminário sobre Bovinocultura Leiteira. O evento, organizado pela Emater/RS-Ascar – por meio do Programa Leite Gaúcho da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR) – e prefeitura, com o apoio da empresa de Laticínios Cenci, contou com palestras e atividades práticas com temas relacionados ao melhoramento genético do rebanho e a importância de se ter uma silagem de qualidade.

O objetivo da atividade, de acordo com o assistente técnico regional (ATR) em Bovinocultura de Leite da Emater/RS-Ascar, veterinário Martin Schmachtenberg, foi o de capacitar os agricultores para que estes estejam a cada dia mais preparados para atender as expectativas em relação a qualidade do leite entregue as integradoras. De acordo com Schmachtenberg, o Programa está sendo operacionalizado, em todo Estado há mais de três anos. “Nos vales do Caí e Taquari, que abrangem o regional da Emater/RS-Ascar de Lajeado, foram em torno de 2.400 bovinocultores de leite capacitados nesse período”, ressalta.

Dos 55 municípios das duas regiões, a produção de leite está presente, de acordo com o veterinário, em 54, sendo, em muitos deles a principal atividade do setor primário. “Só este fato já dá uma dimensão da importância da produção leiteira, e de seu caráter social, na região”, ressalta. Em Putinga, não é diferente. Os cerca de 500 bovinocultores de leite do município são responsáveis pela produção de mais de 16 milhões de litros ao ano. “Número que tem crescido nos últimos anos, com muitos produtores abandonando outros cultivos, como o tabaco”, observa o técnico agrícola da Emater/RS-Ascar, Dario Pedrinho Busch.

Um dos bovinocultores que está nesse processo de transição é Valdecir Cristófoli, da localidade de Linha Três Barras, em Putinga. Atualmente com 78 mil pés de fumo plantados em quatro hectares, o agricultor ressalta o fato de que já chegou a possuir mais de 120 mil pés de tabaco em sua propriedade. Foram as dificuldades de manejo, as inevitáveis frustrações de safra e, principalmente, os conhecimentos adquiridos em uma palestra sobre os perigos do uso de agrotóxicos que fizeram com que Valdecir pensasse em modificar o sistema produtivo de sua propriedade. “Aos poucos comecei a investir no leite”, observa.

Animado com a nova atividade, Valdecir hoje possui 18 vacas em lactação, que produzem cerca de 10 mil litros de leite por mês. A necessidade de espaço para a implantação de pastagens perenes deverá ser determinante para que o abandono do cultivo de tabaco seja completo. “Mesmo com o preço mais baixo pago aos produtores de leite, esta é sempre uma renda garantida, diferentemente do fumo”, analisa. Já para o próximo ano, o agricultor projeta aumentar o plantel para cerca de 30 vacas produzindo leite. “Devagar a gente vai se estruturando pra chegar a esse ponto”, salienta.

Outro agricultor que deverá abandonar o tabaco para investir na produção de leite é o jovem Paulo Roberto Alves, da localidade de Santa Tereza, em Putinga. Ao lado da esposa, Sirlene, cuida de nove vacas em lactação, que produzem cerca de 90 litros de leite ao dia. A decisão pela mudança de atividade ocorreu há nove meses, após a participação de um curso realizado no Centro de Treinamento de Agricultores de Teutônia (Certa). “Além de ser mais penosa e mais tóxica, a produção de fumo não me garantia uma renda fixa todo o mês, como é o caso do leite”, valoriza.

Satisfeito, Paulo garante ter sido o melhor ano como produtor rural. “É claro que a gente tem dívidas, mas sempre conseguimos pagá-las, fazendo sobrar um dinheiro”, analisa. A renda extra deverá ser utilizada, no futuro para a ampliação do plantel, que deverá chegar, de acordo com a estimativa do agricultor, em cerca de 15 animais em lactação que, aos poucos, ocuparão o espaço hoje utilizado para o cultivo de 35 mil pés de fumo. Atento a diversificação, o agricultor não abre mão de produzir frutas e verduras na propriedade, para o consumo da família. “Até o sabão eu faço em casa”, sorri.

O prefeito de Putinga Valdir Pozzebon valorizou a iniciativa dos produtores que, organizados em associações, facilitaram o trabalho da Prefeitura para a utilização de maquinário e realização de obras para acessos. “É um investimento muito importante para o nosso município”, enfatizou. Além de Pozzebon, o evento contou com o envolvimento de outros extensionistas da Emater/RS-Ascar como o supervisor Cézar Burille, a engenheira agrônoma Janes Mezacasa e o técnico em pecuária Diovane Cardoso. Entre os palestrantes também esteve o gerente nacional de Gado de Leite da Empresa CRV Lagoa, Willian Tabchoury.

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