Seminário em Arroio do Meio reúne criadores de abelhas sem ferrão

O município de Arroio do Meio recebeu no último sábado, dia 24, no ginásio Pa-Rural, no Bairro São Caetano, a sétima edição do Seminário Regional de Meliponicultura. Na ocasião, cerca de 250 participantes – entre autoridades, representantes de entidades, secretários, extensionistas e criadores de abelhas sem ferrão – de 45 municípios do Estado, estiveram presentes para prestigiar palestras, oficinas e relatos de experiências com temas relacionados ao manejo e criação de abelhas. No local também houve exposição e venda de caixas e enxames de mais de 20 variedades, degustação de mel e distribuição de mudas.

De acordo com o assistente técnico regional nas áreas de Apicultura e Meliponicultura da Emater/RS-Ascar, Paulo Conrad, o trabalho com abelhas sem ferrão exige uma boa dose de paixão. “Não se trata apenas de garantir lucro com a atividade e sim reconhecer o papel das abelhas como importantes vetores para a proteção de biodiversidade”, ressaltou. Para Conrad, os pequenos animais têm papel fundamental na manutenção dos ecossistemas. “Nesse sentido, se torna ainda mais importante um evento desse porte, onde ocorre um verdadeiro intercâmbio entre os interessados pela área, ainda mais se levarmos em conta o fato de ainda haver certa carência de informações na área”, constata.

O autônomo Ciclério Altervogt, da Linha 11 de Novembro, em Imigrante, é um dos apaixonados pela meliponicultura. Uma grave doença respiratória, que quase lhe tirou a vida, foi determinante para que o gosto por multiplicar abelhas sem ferrão aflorasse, há mais de 30 anos. “Tenho filhos e quero um ambiente sadio para eles e para todos os que estiverem com eles, com frutas e verduras disponíveis e árvores permanentemente polinizadas”, salienta. Tendo como “ganha-pão” o trabalho com manutenção de casas, Ciclério garante ser apenas um hobby a multiplicação de enxames. “É algo que me faz muito bem”, garante.

O aposentado Ângelo Viegas, da Linha Torres Gonçalves, em Arvorezinha, também vem tomado gosto pelo cultivo de abelhas, deixando o viés puramente comercial mais “de lado”. Com cerca de 10 caixas das variedades Jataí, Mirim e Mandaçaia tem unido, em suas palavras, o “útil ao agradável”. Viegas era petroleiro e quando se aposentou começou a criar abelhas com ferrão como forma de garantir a manutenção de seu pomar, tendo ainda uma alternativa a mais de renda, em virtude da produção de mel. “Mas as abelhas sem ferrão têm me atraído muito pelo trabalho que fazem a favor da natureza”, afirma.

Organizado pela Emater/RS-Ascar, Prefeitura Municipal e Amevat, o Seminário contou com a presença de diversas autoridades, entre elas o presidente da Federação Apícola do Rio Grande do Sul (Fargs), Aldo Machado dos Santos, coordenador da Câmara Setorial Temática de Apicultura e Meliponicultura, Nadilson Ferreira, vice-prefeito de Arroio do Meio, Áurio Scherer, gerente regional da Emater/RS-Ascar, Marcelo Brandoli, presidente da Associação dos Meliponicultores do Vale do Alto Taquari, Hugo Schmidt, presidente da Câmara de Vereadores Adiles Meyer e representante da União Comunitária São Caetano, Romano Schneider.

O presidente da Fargs saudou o evento itinerante, que tem crescido a cada ano, como uma forma de chamar a atenção para um assunto de extrema importância, já que as abelhas são responsáveis por polinizar mais de 60% dos alimentos consumidos pelo homem, sendo 90% dos vegetais. “A sua extinção poderia gerar um verdadeiro colapso ambiental, sendo fundamental a reflexão e o trabalho para que esse quadro alarmante não se estabeleça”, pondera Santos. Para o presidente da Amevat Hugo Schmidt, a ocasião serve também para os criadores tirarem todas as dúvidas. “A preservação das abelhas depende de todos nós que estamos aqui”, observou.

Entre os palestrantes estiveram o técnico em agropecuária da Emater/RS-Ascar, Carlos Daniel Fries, que abordou o tema “Plantas melíferas importantes para as abelhas sem ferrão” e a professora da PUC/RS, Betina Blocstein, que ministrou painel sobre o assunto “Identificação das espécies de abelhas nativas sem ferrão do RS”. Os relatos de experiências foram apresentados pelos produtores Dario Fritzen, de Três de Maio, e José Carlos Haas, de Santa Cruz do Sul. As oficinas tiveram entre seus temas, divisão de enxames de trígonas, multiplicação de melíponas, alimentação de abelhas sem ferrão, modelos de colmeias, confecção de iscas e transferência para as colmeias e colheita de mel em caixa modelo Fritzen.

você pode gostar também Mais do autor

Comentários

Carregando...