Seminário de Meliponicultura em Teutônia encerra com atividades práticas

“É muito positiva a avaliação do VI Seminário Regional de Meliponicultura”, afirma Paulo Conrad, assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar de Lajeado e coordenador do evento, realizado na última quinta-feira, dia 23, em Teutônia. Além da participação de mais de 400 criadores de abelhas sem ferrão de todo o Estado, Conrad destaca a qualidade das palestras, como a de Normatização da criação de abelhas sem ferrão e cita as oficinas e o alto astral entre os criadores de abelhas sem ferrão, também conhecidas por nativas ou indígenas, que se dispuseram a participar do seminário. “São poucas as oportunidades existentes para nos capacitarmos nessa atividade”, diz. A próxima edição do evento, que é anual, será em outubro do ano que vem (2015), em Lajeado.

Entre as oficinas realizadas estão Confecção de iscas para captura de enxames, Modelos de caixas para difeentes espécies, Transferências de iscas para caixas, Divisão de Trigona e de Melipona, Alimentação de abelhas sem ferrão e Colheita e Processamento de Mel.

Durante a solenidade de abertura, o diretor técnico da Emater/RS, Gervásio Paulus, destacou a importância de tornar todas as formas de produção mais sustentáveis. “A apicultura e a meliponicultura têm uma contribuição fundamental nesse processo, que está em perfeita sintonia com as diretrizes, os objetivos e a missão da Emater”, disse.

“Os meliponicultores são preservacionistas, prestamos serviços para o meio ambiente e deveríamos receber pelo serviço que prestamos”, defendeu o vice-presidente da Confederação Brasileira de Meliponicultores, Nésio de Medeiros, ao destacar o crescimento da atividade. A atuação preservacionista da meliponicultura foi salientada pelo presidente da Associação Teutoniense de Apicultores (ATA), Auro Kich, e pela diretora do Colégio Teutônia, Fátima Fuser da Silva.

Ainda na abertura, o vice-prefeito de Teutônia, Evandro Biondo, anunciou um espaço específico para a ATA comercializar os produtos de seus associados no Entreposto Regional de Produtos Apícolas instalado em Teutônia.

Normatização da atividade

O coordenador do evento e assistente técnico da Emater/RS-Ascar, Paulo Conrad, ao antecipar os temas a serem abordados durante o evento, citou alguns objetivos que norteiam a atuação da Extensão Rural na meliponicultura, como proteção de espécies nativas, manutenção da biodiversidade, demonstração de práticas de manejo, discussão e troca de experiências sobre os processos de colheita e armazenamento do mel e estimular o consumo do mel.

Durante o dia foram realizadas palestras sobre Normatização da criação de abelhas sem ferrão, por Dennis Patrocínio, biólogo da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e coordenador do programa RS Biodiversidade, e sobre Legalização da produção de mel de abelhas sem ferrão, por Nadilson Roberto Ferreira, engenheiro agrônomo da Secretaria Estadual de Agricultura (Seapa), e o professor e pesquisador da Ufrgs, Aroni Satter.

Entre as espécies nativas expostas durante o evento estão Tubuna, Jataí, Mandaçaia, Manduri, Guaçu, Iraí, Boca de Sapo e Mandaguari, além das Mirins Guaçu, Droriana, Siqui e Emerina.

A veriedade de espécies chama a atenção dos participantes do evento, criadores, técnicos e estudantes, como Diogo Augusto Käfer, de 12 anos, que mora na Linha Comprida, em Salvador do Sul. Ele conta que há oito anos ajuda seu pai na produção de mel de sete variedades de meliponas em 35 caixas, incluindo uma espécie considerada rara. “Temos em casa a Guiruçu, de chão, que faz seu canudo com terra”, diz o menino, que participa do evento acompanhado de sua mãe. Diogo afirma “quero continuar a trabalhar com abelhas”.

Capacitações

Associativismo e organização dos meliponicultores foi tema da apresentação da experiência de criação da primeira Associação de Meliponicultores do Vale do Taquari (Amevat), fundada em 5 de abril deste ano, por 55 associados criadores, pelo presidente Hugo Schmidt. A Amevat tem sede em Lajeado, mas a atuação é estadual. Juntamente com a Federação dos Apicultores do RS, a associação está organizando o 19º Seminário Estadual de Apicultura e Meliponicultura, que será realizado de 23 a 25 de julho de 2015, em Santa Cruz do Sul.

De acordo com o presidente da Fargs, Aldo Machado da Silva, dia 22 de novembro está programado um Dia de Campo de Meliponicultura em Arroio Grande e Arroio dos Ratos, com muitas atividades práticas. Mais informações junto aos escritórios municipais da Emater/RS-Ascar. Durante a apresentação, o engenheiro agrônomo e assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar, Paulo Conrad, foi anunciado como diretor de Meliponicultura da Federação.

O pesquisador da Embrapa Clima Temperado de Pelotas, Luiz Fernando Wolff, falou sobre o Papel das abelhas sem ferrão/plantas apícolas, destacando a importância das abelhas para a manutenção da biodiversidade e inclusive para a melhoria da qualidade do solo. Wolff sugere aos criadores de abelhas a criação de um calendário de floração em suas propriedades e regiões e citou algumas espécies nativas consideradas excelentes floradas para as abelhas sem ferrão, ou nativas ou ainda indígenas: macieira, pitangueira, buiazeiro, laranjeira, aroeira, caliandra e maria-mole, entre muitas outras nativas do Sul.

O evento em Teutônia foi realizado pela Emater/RS-Ascar de Lajeado, Prefeitura de Teutônia, Associação dos Apicultores de Teutônia e Associação dos Meliponicultores do Alto Taquari.

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