Sem intermediários, feiras se fortalecem

Impulsionadas pela busca de hábitos saudáveis, as feiras do produtor crescem na região. Com a venda direta, sem intermediários, dinamizam o mercado. Na maior cidade, em Lajeado, o evento completa 30 anos. Nas menores, a prática começa a ser incrementada.

Segundo a coordenadora da Sindical Regional do Vale do Taquari, Liane Brackamann, o desafio é aumentar a oferta de produtos, organizar a produção nas propriedades, melhorar a orientação técnica e oferecer locais apropriados para a venda.

Destaca o exemplo de Teutônia, onde a feira iniciou há dois anos com a participação de nove famílias. A falta de matéria-prima impede a expansão para outros bairros. “Incentivamos a participação de mais famílias.”

Para Liane, muitas famílias organizam agroindústrias e beneficiam seus produtos com a garantia de um local para vender e fregueses fixos.

Ressalta a oferta de linhas de crédito a juros acessíveis como fundamentais para o produtor melhorar a infraestrutura e se profissionalizar. Responsáveis pela produção de 70% dos alimentos, as feiras se consolidam pela qualidade e diversidade de produtos oferecidos aos clientes da zona urbana.

A maior feira da região ocorre em Lajeado três vezes por semana. As terças, sextas e sábados, próxima ao Parque dos Dick. Nas quartas e sábados pela manhã, no Bairro São Cristóvão.

Dezesseis expositores ofertam diversos produtos e atraem centenas de clientes a cada edição. O maior movimento é nas sextas, com média de duas mil pessoas.

Aos 80 anos, Armindo Kappes completa 18 de participação. É um dos feirantes mais antigos e atesta o crescimento gradual da atividade com o passar dos anos. “A cada dia ganhamos mais clientes.”

Proprietária de uma agroindústria de embutidos em São Bento, Janete Pflugseder, preside a associação há dois anos. Quase 80% da produção é vendida na feira. “Sem ela, meu negócio seria inviável.” O processamento chega a uma tonelada por mês para fabricação de 15 produtos.

Referência em produtos ecológicos

Criada em 2010 em Arroio do Meio, integra 13 feirantes. Tem como diferencial a oferta de produtos ecológicos como verduras, frutas, legumes e outros. Há dois anos, a venda que era quinzenal passou a ser realizada todos os sábados a partir das 7h na Rua de Eventos, na Praça Flores da Cunha.

Helena Warken Weizenmann, de Forqueta, enaltece a importância do local para divulgar a produção ecológica e mudar os hábitos alimentares dos consumidores.

A família Seibel investiu R$ 60 mil em uma agroindústria de Conservas de hortigranjeiros e frutas há sete anos. Conforme a proprietária Ivete, a feira representa 60% das vendas.

Sem conseguir vender o produto para outros municípios devido à legislação, o ponto de venda proporcionou acesso a mais clientes e aumentou os lucros. “Difícil as pessoas comprarem na tua casa. Como é no centro, todos têm acesso e por se tratar de um produto ecológico a aceitação é muito boa.”

Oportunidade aos jovens

Em Bom Retiro do Sul a feira iniciou há dez anos com três famílias participantes. Hoje são dez. Vendem hortigranjeiros, mel, doces, embutidos e outros. É realizada todas as sextas-feiras, das 8h até às 17h, na rua Peri Ribeiro, no centro.

Conforme o secretário de Agricultura Carlos Guever, até o fim do ano serão investidos R$ 30 mil para construção de uma sede.
Com mercado garantido, Carlos aponta ser boa opção para os jovens permanecerem no interior. Para incentivar e ampliar a oferta de produtos, cita a criação de programas para auxiliar os produtores e garantir novos mercados.

Destaca os programas do governo federal como fornecimento dos produtos para a merenda escolar e a criação de agroindústrias para beneficiar a matéria-prima. No município existem dois empreendimentos legalizados e até dezembro outros três devem iniciar a venda legalizada dos produtos para o mercado regional.

Segundo Carlos, nos colégios são ministradas disciplinas para os alunos aprenderem técnicas de cultivo. O setor primário representa 8% da arrecadação municipal. Desde 2012 a movimentação financeira cresceu de R$ 28 milhões para R$ 42,5 milhões. São 800 famílias de agricultores.

Ampliar para atender demanda

Em 20 anos o espaço destinado para a venda de mercadorias na Praça Henrique Roolaart, centro de Estrela, ficou pequeno. As reformas na estrutura começam em agosto. Para o presidente da associação, Eduardo Sprandel, o ambiente mais estruturado possibilita melhor qualidade aos serviços e a inclusão de novos feirantes, que hoje são 33.

Ele retornou para o interior após trabalhar de mecânico na cidade. Cria galinhas poedeiras em parceria com o sogro. Da produção de seis mil galinhas, dois mil ovos são vendidos na feira.

O investimento na reforma é de R$ 121,6 mil, recurso repassado pelo governo estadual. Conforme o secretário da Agricultura José Adão Braun, outra licitação em andamento garantirá a ampliação de 50 metros quadrados no espaço destinado à venda de peixes. Feita de forma quinzenal, tem venda média anual de 24 toneladas. Essa ampliação conta com o recurso de R$ 53 mil, pelo Programa de Apoio à Comercialização do Pescado.

A feira ocorre nas quartas e sábados pela manhã a partir das 7h.

Sucessão garantida

O casal Noeli e Bruno Porn, de São Jacó, integra a feira desde 2002. Com o auxílio dos filhos Eduardo, 23, e Alex, 22, oferecem 18 variedades, entre alface, rúcula, beterraba e rabanete. Toda a renda familiar depende da produção de hortaliças e legumes. São 2,5 hectares plantados e oito estufas hidropônicas.

Segundo Porn, cerca de 60% da produção é vendida no local. Com a reforma no espaço, cita melhora nas condições de trabalho, no atendimento ao cliente e a valorização dos produtores.

Entre os diferenciais, destaca a predominância de produtos orgânicos, em média 80% da demanda. Com isso, os lucros também aumentam. O alface orgânico por exemplo, tem um ganho de R$ 0,75 a unidade. “Num sábado atendi mais de 500 pessoas e vendi mais de mil unidades”, finaliza.

Cliente há 20 anos

Freguesa de sacola cheia, Ieda Hauschild Horn, é uma das primeira clientes. Viu a feira diversificar a oferta de produtos e crescer o número de participantes. Mel e verduras, os alimentos de que necessita vêm direto da lavoura e das agroindústrias. “São produtos livres de agrotóxicos e fresquinhos. É tudo de bom.”

Formalização garante benefícios

Os feirantes de Santa Clara do Sul organizam uma associação para representar o grupo. Há quatro anos vendendo alimentos semanalmente no centro, foi eleita Vera Immich como presidente da entidade. Restam apenas questões burocráticas para colocar a proposta em prática.

A partir da associação formada, esperam conseguir maiores benefícios, como participar de programas e licitações para entregar os produtos às escolas municipais. Uma das propostas discutidas com o Executivo é a concessão de um vale-feira aos funcionários públicos, algo que só se seria possível com a formalização.

Todas as sextas-feiras, das 14h30min às 17h30min, 12 feirantes se reúnem ao lado da Casa de Cultura.Comercializam artesanatos, pães, cucas, tapiocas, hortaliças, geleias e frutas. Gustavo Mallmann ressalta a importância da atividade para a economia das pequenas propriedades rurais. “Criamos um canal direto com o cliente, sem ter aquele vendedor intermediário. Assim, além de oferecer produtos frescos, conseguimos um lucro maior.”

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