RS pode melhorar a competitividade com a Hidrovia do Mercosul

Estado – Um impulso ao desenvolvimento das regiões metropolitana, central e sul do Rio Grande do Sul e uma rota alternativa para escoamento das produções de arroz, soja, insumos e matérias primas. Estas são algumas das possibilidades que o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) da Hidrovia Brasil-Uruguai, coordenado pela Administração das Hidrovias do Sul (Ahsul), já conseguiu mapear depois de 10 reuniões realizadas nos principais portos fluviais e cidades estratégicas do Estado. Esses debates com as comunidades já permitiram identificar potenciais de cargas, como aço, fertilizantes, grãos, tabaco, cevada e outros produtos de exportação que podem garantir a viabilização de uma rota fluvial com menores custos, menos poluição ambiental e maior desafogo para as já saturadas rodovias que levam aos portos marítimos. Além disso as comunidades consideram a hidrovia como um fator de desenvolvimento e geração de empregos regionais.

Na opinião do presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT), empresário Oreno Ardêmio Heineck, “o intermodal rodo-hidroferroviário é um investimento público fantástico, inserido dentro da modernidade logística mundial que muitas outras regiões e estados gostariam de ter. A efetivação de um plano governamental que viabilize a otimização do seu uso e a sua efetiva inserção na hidrovia do Mercosul é a concretização de um sonho para o Vale do Taquari e para o Estado”.

Ele considera este primeiro passo, que é a execução do Evtea, como uma resposta positiva às articulações e anseios que a região vinha fazendo há muitos anos. “Sem dúvida, é o início de um novo e virtuoso ciclo econômico e social pela redução do custo logístico que proporcionará a atração de novos investimentos e o desenvolvimento dos empreendimentos locais”, afirma.

O objetivo destes encontros é apresentar os projetos de melhoramentos previstos, auscultar as comunidades abrangidas sobre o empreendimento e colher impressões, sugestões e propostas da sociedade local que compatibilizem seus anseios aos do projeto proposto. A próxima reunião será dia 26 de abril, em Lajeado, no auditório da Reitoria da Univates, sala 514, das 09h30min às 11h30min. Estará presente também a este encontro uma delegação de especialistas do CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina, que acompanha o projeto da Hidrovia Brasil-Uruguai com o objetivo avaliar os reflexos sociais, econômicos, ambientais, territoriais e institucionais no desenvolvimento regional. Segundo Soledad Mantero, consultora do CAF, e que esteve presente nas reuniões realizadas em São Leopoldo e Porto Alegre, “uma das tarefas dos especialistas é marcar lineamentos que possam potencializar os benefícios e mitigar os impactos na região, uma vez que se trata de um projeto binacional”.

Nos encontros comunitários nos municípios de Tapes, Cachoeira do Sul, Rio Pardo, Jaguarão, Santa Vitória do Palmar, Rio Grande, Pelotas, São Leopoldo, Uruguaiana e São Borja, os cerca de 700 participantes consideraram a revitalização das hidrovias como um importante incentivo para o desenvolvimento econômico e do turismo nas regiões litorâneas às Lagoas dos Patos e Mirim, principalmente. Além dos setores do agronegócio, das indústrias e do turismo as administrações municipais e Câmaras de Vereadores dos municípios visitados já começam a se mobilizar e atuar em conjunto para que o projeto – com recursos assegurados do PAC 2 – seja rapidamente executado.  A conclusão do Evtea está prevista para o final do ano e as dragagens devem começar logo em seguida.

Hidrovia

A hidrovia abrange a região da Bacia da Lagoa Mirim, em território brasileiro, a Bacia da Lagoa dos Patos, o Lago Guaíba, a Lagoa do Casamento, os rios Jacuí, Taquari, Cai, Sinos, Gravataí, Camaquã, Jaguarão, Uruguai e Ibicui, em território brasileiro e os rios Cebollati e Tacuary, no Uruguai, formando um eixo fundamental para o intercâmbio comercial entre o Brasil e o Uruguai. Recentemente, Brasil e Uruguai assinaram um acordo para o transporte fluvial e lacustre internacional de carga e de passageiros que com a reabertura da hidrovia pode baratear o frete dos produtos hoje transportados via Montevidéu, e favorecer o comércio internacional.

O que prevê o Evtea

O Evtea irá estudar todos os segmentos da cadeia logística hidroviária:

  • Modelagem da Gestão da Hidrovia;
  • Portos e Terminais;
  • Embarcações;
  • Infraestrutura Hidroviária.

Na parte referente à infraestrutura hidroviária, os produtos finais serão:

  • Projeto Executivo dos Canais que garantirá o tráfego na hidrovia, da embarcação-tipo, em 90% do tempo relativo ao Ano Seco;
  • Projeto Executivo de Engenharia de Sinalização e Balizamento;
  • Projeto Executivo de Dragagem e Derrocamento.

Os recursos necessários para execução das obras estão assegurados no PAC-2, que prevê investimentos de R$ 217 milhões nos próximos anos, para efetiva implantação da parte brasileira da hidrovia Brasil – Uruguai.

Mais informações: hidrovias.rs@gmail.com
Cecy Oliveira – tel 9954-9747
Consultora Consórcio Ecoplan/PetCon
EVTEA Hidrovia Brasil-Uruguai

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