Risco de apagões motiva audiência pública no Vale

O temor quanto a novos cortes no fornecimento de energia elétrica durante o verão provoca inquietação de prefeitos. Eles exigem medidas por parte das concessionárias atuantes no Vale do Taquari, capazes de garantir o abastecimento ininterrupto às propriedades. Encontro arquitetado pelo deputado estadual Lucas Redecker reúne líderes regionais e representantes das empresas.

Requerimento para a realização de audiência pública será apresentado pelo parlamentar à Assembleia Legislativa nesta semana. Se aprovada a proposta, a reunião ocorre em novembro em Roca Sales. “Elas (concessionárias) têm o compromisso de fornecer energia elétrica de qualidade. É isto que vamos reivindicar.”

De acordo com o deputado, o maior interesse é pela participação da AES Sul, mas não descarta convidar outras fornecedoras. Lembra que a maioria dos problemas ocorre na área gerida pela empresa. Como exemplo, cita a morte de quase 500 mil frangos em função de um apagão registrado em fevereiro deste ano. Na época, as perdas chegaram a R$ 5,4 milhões.

A proposta de audiência pública surgiu durante reunião de Redecker com o prefeito de Roca Sales, Nélio Vuaden, e com o vereador Fabiano Paloschi. Vuaden aponta estar temeroso com novos cortes. “Roca Sales tem uma demanda com a zona rural, onde produtores do setor primário necessitam de energia de qualidade e equilibrada, principalmente em épocas mais críticas, como o verão.”

Prejuízos de R$ 5,4 milhões

Na primeira semana de fevereiro, cerca de 500 mil frangos morreram após queda de luz em diversas cidades da região. Quase 20 mil clientes ficaram sem energia elétrica. Sem eletricidade, os sistemas de ventilação e nebulização dos aviários foram interrompidos.

Seis municípios foram afetados devido a problemas na linha de transmissão de Lajeado, que é interligada com as subestações de Encantado e Roca Sales. Na época, a AES Sul informou que o acidente aconteceu em função da dilatação de um dos cabos da linha. Relvado, Encantado e Roca Sales foram as cidades com maiores prejuízos. Nelas, foram perdidos 280 mil frangos.

Risco iminente

A capacidade estadual da carga de energia elétrica está próxima do limite e gera risco iminente de apagões. O principal agravante é que 70% do abastecimento no Rio Grande do Sul depende das linhas de transmissão oriundas da Região Sudeste do país que, sobrecarregadas, são incapazes de atender a demanda. A região, assim como outras do Estado, correm o risco ainda de cortes a partir do próximo ano.

Uma das alternativas de reduzir a dependência energética de outros estados seria a geração, mas apenas a Cooperativa Certel produz energia elétrica na região. A exemplo do Estado, gera apenas 30% da demanda, quantia capaz de abastecer cerca de 16 mil famílias. São três usinas hidrelétricas.

Se cotejada a necessidade regional, a geração hídrica é pífia. Em períodos de estiagem, o nível dos rios e arroios reduz, limitando a produção de energia. Mesmo drama enfrentam as principais hidrelétricas do país. A pouca chuva na Região Sudeste compromete a disponibilidade de energia elétrica nas demais regiões.

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