Região poderá fornecer biometano ao RS em projeto pioneiro no Brasil

O Vale do Taquari poderá ser uma das primeiras do Brasil a vender biometano. A região é uma das abrangidas pelo edital da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás), aberto até 31 de agosto, para a compra do gás produzido a partir de dejetos orgânicos. Com a implantação de uma fábrica de produção de biometano prevista para Estrela, fezes de porcos, frangos e gado poderão virar combustível para abastecer o Estado.

Uma das estratégias da Secretaria Estadual de Minas e Energia para a solução energética, o projeto da Sulgás propõe a compra de 200 mil metros cúbicos de biometano por dia, ao longo de 20 anos. A intenção é garantir que a produção represente, pelo menos, 10% de todo o gás natural consumido pelo Estado. Atualmente, dois milhões de metros cúbicos de gás natural são comprados por dia, da Bolívia, pela Sulbrás, e chegam ao território gaúcho por meio de gasodutos.

“Todos os projetos de venda de biometano que chegarem até alcançarmos o limite de 200 mil metros cúbicos por dia, previsto no edital, serão selecionados. Somos pioneiros. Este é o primeiro edital de compra de biometano do Brasil”, enfatiza o diretor-presidente da Sulgás, Claudenir Braganolo.

Após o contrato assinado, os empreendimentos terão um prazo de até 24 meses para iniciar a entrega do gás, que pode substituir o Gás Natural Veicular (GNV), o óleo diesel, ter uso domiciliar e industrial. Hoje, a energia elétrica do Estado proveniente do gás natural representa apenas 3% do total. O objetivo, de acordo com o diretor-presidente da Sulgás, é de que em seis anos, essa parcela chegue a 30%.

Energia limpa

Para o presidente da Câmara da Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT), Ito José Lanius, caso a iniciativa prevista para Estrela tenha aprovado o fornecimento de biometano para a Sulgás, a região terá uma conquista dupla. “É uma alternativa de geração de energia muito importante porque utiliza dejetos poluentes como matéria-prima. Ela transforme um passivo ambiental em um ativo na região, contribuindo com o crescimento econômico”, avalia.

Braganolo reforça a visão de Lanius e destaca que, além de uma energia limpa, o biometano terá produção descentralizada. “Várias regiões vão ter essa produção. O gás natural, sem dúvida nenhuma, será a solução energética a curto e médio prazo.”

Conforme ele, a intenção é de que o combustível abasteça a própria região onde for gerado. “As regiões foram definidas a partir do potencial de consumo e de matéria-prima. O projeto tem que ter sustentabilidade econômica para ser viável”, pontua.

Em questão

O professor da Univates e doutor em Engenharia Ambiental, Odorico Konrad, fala sobre as características do biometano e sua importância como combustível renovável.

Qual a diferença entre biogás e biometano?
Odorico Konrad – Quando falamos em biometano falamos em biogás purificado. A decomposição biológica de dejetos orgânicos gera o biogás. A gente aumenta a concentração de CH4, ou seja, o metano, dentro desse sistema, para chegar a, no mínimo, 96%. O biometano tem as mesmas características do Gás Natural Veicular (GNV). Em termos energéticos, é a mesma coisa.

Além de substituir o GNV, quais os possíveis usos do biometano?
Konrad – O biometano tem um grande potencial energético. Suas características são similares às do gás natural. Além do uso em veículos, ele pode ser usado para a geração de energia elétrica.

Qual a importância de investir na produção de biometano?
Konrad – Esse investimento propõe a descentralização da geração de energia, tanto para uso veicular quando para o sistema elétrico. Como utilizam-se dejetos orgânicos, ganha-se também, na questão ambiental. Assim como a energia solar e a eólica, o biogás é uma das opções para trabalhar a matriz energética de forma renovável.

Saiba mais

O biogás é o gás bruto obtido da decomposição biológica de produtos ou resíduos orgânicos, como dejetos provenientes da produção de suínos, aves e gado leiteiro. A purificação do biogás gera o biometano – um biocombustível gasoso constituído essencialmente de metano, equivalente ao gás natural derivado do petróleo. No Rio Grande do Sul, o biometano recebeu a marca de GNVerde.

Atualmente, o Rio Grande do Sul compra gás natural da Bolívia. O combustível chega aos municípios gaúchos por meio de gasodutos. De acordo com o diretor-presidente da Sulbrás, Claudenir Braganolo, a intenção é de que, daqui a três ou quatro anos, a chegada do combustível ocorra, também, de forma diferente: transformado em gás liquefeito, ele será transportado por navio até Rio Grande, onde será regazeificado, para distribuição através de dutos.

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