Reformas da previdência e do estado são fundamentais para infraestrutura do país

Lajeado – “Nós temos duas despesas que estão absolutamente fora de controle, a previdência social e o funcionalismo público. Para se ter uma ideia destas despesas, de tudo que o governo arrecada atualmente, cerca de 50 a 55% é gasto com previdência social.  Se nada for feito, em 2022, 100% da receita vai pagar somente a previdência e funcionalismo, não sobrará dinheiro para nenhum outro programa. As reformas da previdência e do estado são absolutamente fundamentais.” A afirmação foi feita pelo coordenador do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e diretor-presidente da Construtora Sultepa S.A, Ricardo Portella Nunes, que palestrou na reunião-almoço (RA) desta quarta-feira (20.06) promovida pela Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) e Câmara de Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT). A exposição, intitulada “Logística no RS/Brasil & Concessão de Rodovias”, teve a presença de cerca de 80 lideranças empresariais, comunitárias e políticas.

No evento, o palestrante apresentou os cenários de curto e médio prazo nos programas de concessões em transporte e logística no RS.

 

Modais

No Brasil, a matriz de transporte de cargas apoia-se na seguinte divisão: 65% rodoviário, 15% ferroviário, 11% cabotagem, 5% hidroviário e 4% dutoviário. Dentro de cada, ainda há modais de tipos de cargas. No Rio Grande do Sul, 88% é rodoviária, 5% de cabotagem, 5% hidroviário e 2% ferroviário.

O Fórum Econômico Mundial divulgou ranking com posições do Brasil nas áreas de instituições, infraestrutura, ambiente macroeconómico, saúde e educação. Na área de infraestrutura, dos 137 países analisados, o país está em 103º lugar.

“Isso impacta diretamente com todo o sistema de produção, emprego, renda e desenvolvimento do país. Esse índice mostra que estamos extremamente atrasados”, explica Nunes.

 

Ranking negativo

Na questão de estradas pavimentas, na América Latina, o Brasil ganha apenas da Bolívia e Guyana. “Temos a ideia que somos um país rodoviário, nós não somos é nada”, ressalta.

Comparando o Brasil com grandes países do mundo, as malhas possuem diferenças de magnitude. O Estados Unidos (EUA), por exemplo, possui 4,21 milhões de quilômetros pavimentados, o Brasil possui 210 mil. A diferença também acontece na ferrovia em que o EUA têm 227 mil km de ferrovia e o Brasil 29 mil km; nos dutos em que eles possuem 793 mil km e nós 19 mil km; e nas hidrovias em que o EUA possuem 41 mil km, o Brasil 14 mil km. “Se colocarmos a Europa nesse quadro comparativo, ficaremos mais abaixo ainda. Nós temos problemas sérios em todos os modais de transportes,” afirma Nunes.

Na classificação de extensão total de rodovias das 20 maiores economias do mundo, o Brasil está em quarto lugar. Na classificação de percentual pavimentado desses países, o país está em vigésimo.

 

Reformas

O governo brasileiro aprovou uma emenda constitucional, a PEC do Teto dos Gastos. A PEC determina que, a partir de 2018, as despesas federais só poderão aumentar de acordo com a inflação acumulada conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Nunes aconselhou a todos a observarem com atenção as propostas dos candidatos a presidente e deputados a serem eleitos ainda este ano. “Os próximos candidatos devem fazer as reformas. Elas começam pela previdência e depois estado. Caso o contrário, não teremos mais investimentos em infraestrutura. Temos que pensar na próxima geração, se não fizermos investimento em infraestrutura não vamos deixar nada para nossos filhos e netos”.

 

Concessão 

De acordo com o palestrante, muitos setores do país já veem buscando a iniciativa privada para receber investimentos. É o caso da infraestrutura das rodovias. A concessão da Rodovia de Integração Sul (RIS) tem por objetivo melhorar os trechos: BR-101, de 87,9 km de extensão, que inicia em Santa Catarina e termina no entroncamento da BR-290 (Osório); BR-290, de 98,1 km, inicia no entroncamento da BR-101 (Osório) e termina na Ilha do Pavão; BR-386, de 265,8 km, inicia no entroncamento da BR-285/377 para Passo Fundo e termina no entroncamento da BR- 470 (Canoas);  e BR-448, com 21,6 km de extensão, inicia no entroncamento da BR- 290 e termina no entroncamento da BR-116/ RS-118.

Para realizar a concessão, já ocorreu a aprovação dos estudos de viabilidade da RIS pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 23 de maio de 2018 e está liberado para a publicação do edital de licitação. Os prazos previstos são do lançamento do edital, no segundo semestre deste ano; leilão para contratação da concessionária, também neste período, e início da concessão em 2019, devendo ser constituída uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) para administrar o conjunto de rodovias.

Após sua apresentação, o palestrante, acompanhado do diretor de Infraestrutura da Acil, Leandro Eckert, e do presidente da CIC-VT, Pedro Barth, respondeu às perguntas dos participantes.

 

Realização

As RA de 2018 da Acil têm o apoio de Bebidas Fruki, BRDE, Dalva Pohren Serviços Contábeis, Excellence Garçons, Invictos Ar Condicionados e Refrigeração, Lyall Construtora e Incorporadora, MSommer, Olicenter, Planus Arquitetura e Sicoob Meridional.

Fonte Assessoria de imprensa Acil

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