Protesto interrompe a cadeia produtiva

O bloqueio das rodovias força a paralisação da produção de indústrias. Sem acordo com o governo federal, caminhoneiros ameaçam estender a greve à noite e de madrugada. Esse é o período utilizado para o escoamento da produção regional, o que mantém parte das fábricas em atividade.

A Cosuel encerra o abate de suínos a partir deste fim de semana, de acordo com o diretor-presidente, Gilberto Piccinini. Há falta de matéria-prima, embalagens e produtos para industrialização.

Caminhões estão no pátio da cooperativa, como uma extensão do estoque da cooperativa. As câmaras frias estão lotadas com itens prontos para entrega. Para fugir dos bloqueios algumas indústrias optam por fazer e receber as entregas durante a madrugada.

Apesar de as cargas vivas serem liberadas pelos grevistas, a interrupção do ciclo produtivo termina com a oferta de animais. O setor de rações da Cosuel é prejudicado pela falta do farelo de soja, resultando no desabastecimento aos produtores. Suínos e frangos, quase prontos para o abate, ficam desnutridos: a oferta às indústrias diminui.

A planta da BR Foods, de Lajeado, foi afetada pelos bloqueios nas estradas gaúchas. As operações funcionam de forma parcial porque não há como escoar os produtos prontos e liberar a entrada de matéria-prima para a produção de novos.

A indústria movimenta todo o ciclo agropecuário, iniciando pela compra e transporte de grãos para fabricação de ração animal, passando pela compra de insumos para manutenção de parcerias com milhares de pequenas famílias produtoras rurais, abate, industrialização e distribuição de alimentos.

A Cooperativa Languiru se reúne a cada dia de protesto para elaborar planos de manter o transporte. Por enquanto, segundo o gerente de logística, Carlos Alberto Wietholter, ainda há produção. “Durante o dia, controlamos cada rota. Se estiver liberada, enviamos o caminhão.” Caso contrário, diz, os veículos ficam no pátio da empresa. “Não dá para manter caminhão refrigerado parado na rua.” Parte do produto final é armazenado em depósitos terceirizados, a fim de diminuir os riscos de desabastecimento no Estado.

Nesta quinta-feira, dia 26, no quarto dia de protestos, 62 pontos de rodovias foram bloqueados para a passagem de caminhões. Grupos de manifestantes do Vale do Taquari são unânimes: só recuam se o governo federal garantir redução do preço do diesel e aumento do preço do frete. Em Muçum, a paralisação começa às 5h e termina à noite desta sexta-feira, dia 27.

Força Nacional chamada

O Ministério da Justiça exige desbloqueio em rodovias federais e anuncia multa de R$ 10 mil por hora para quem descumprir a regra. Colocou a Força Nacional de Segurança à disposição da PRF para auxiliar no desbloqueio das vias. Ainda que esteja com as tropas à disposição, a PRF não planeja utilizá-la.

Temor no campo

A queda da produção do leite é a melhor das hipóteses no atual cenário, de acordo com o produtor e secretário municipal de Agricultura de Estrela, José Adão Braun. Sem ração, diz, o produtores ainda podem recorrer à silagem para a nutrição do gado. Apesar na queda, a produção continua.

Por enquanto, segundo ele, a maioria dos produtores consegue entregar o leite nas indústrias. “Aqui na região, o trajeto é mais curto.”

No entanto, diz, se a paralisação continuar, resultará em problemas de abastecimento. Ainda não há reclamação de colocar leite fora, como na região noroeste. Se o produto final não sair do estoque da indústria, segundo Braun, a compra do leite será interrompida. “Não haverá câmara fria o suficiente se essa greve continuar.” O produto faltará no supermercado.

O setor do leite é um dos mais prejudicados na região para o produtor e indústria. Cerca de cinco milhões de litros de leite não chegam às indústrias no Estado, a maioria da região Noroeste. A ociosidade em algumas empresas chega a 80%.

Estoque no mercado

A manutenção da greve ameaça estoques de supermercados da região. O maior problema é quanto a hortifrutigranjeiros e carnes. Produtos vindos da região central do país devem atrasar. Se a paralisação dos caminhoneiros persistir até domingo, dia 1º, a escassez de produtos com óleo de soja poderá ser percebida.

A paralisação prejudica o abastecimento da Ceasa, em Porto Alegre. O movimento de caminhões, com a produção do interior do Estado, estava 60% menor do que na semana passada.

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