Projeto inclui Porto de Estrela na rota internacional

Os números não podem ser modestos quando se trata de uma hidrovia com quase dois mil quilômetros em uma ligação internacional. A Hidrovia do Mercosul inclui em sua carta de navegação o Vale do Taquari. A região terá a oportunidade de ser conectado a outras regiões do Estado, do país e até ao exterior. O projeto, parte bancado pelo governo federal prevê o uso de US$ 150 milhões para dragagem, sinalização e a reforma de barragens.

O Vale, incluído no trecho I do plano terá a restauração da Barragem de Bom Retiro do Sul e movimentação acentuada no Porto de Estrela como benefícios dessa nova fase do transporte aquaviário nacional.

O superintendente da Administração das Hidrovias do Sul (AHSUL), órgão ligado ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Eloi Spohr diz que a região fará parte de um corredor hidroviário, com a possibilidade de transportar suas cargas por esse canal. O corredor abre caminho para a navegação regional, esquecida nos anos de 1990. “De uma forma geral o país inteiro deixou de investir no transporte aquático e migrou para as rodovias”, avalia.

No movimento de volta, a cifra milionária para ampliação do caminho se justifica pela necessidade de escoar a produção entre regiões. Com estradas saturadas de carretas, as barcaças ganham destaque no governo federal. “E há inclusive uma negociação, que envolve o Itamaraty, para que as obras comecem pelo trecho III, no Uruguai”, frisa Spohr.

O Estudo de Viabilidade Técnico, Econômica e Ambiental (Eveta), mostra que a União terá que fazer parcerias público-privadas para tornar viável o investimento nas obras da hidrovia. “Por isso o projeto também é dividido em fases. A região começará a ser beneficiada no segundo semestre de 2015”, projeta o superintendente.

De acordo com Spohr, a recuperação da barragem eclusa de Bom Retiro do Sul ocorrerá no próximo ano, no cronograma que contempla a melhoria em quatro barragens em diferentes trechos da hidrovia. “A União colocou no orçamento do próximo ano os R$ 35 milhões necessários para esse serviço”, garante. Já a conclusão do trabalho em toda a extensão da hidrovia, chegando ao trecho I – no Porto de Estrela – deve ser executado em até quatro anos.

Quatro vezes mais cargas em 20 anos

Com a inclusão de Estrela na Hidrovia do Mercosul, o volume de movimentação de cargas deve quadruplicar em duas décadas. A projeção feita pelo estudo da AHSUL mostra que atualmente o Vale embarca 144 mil toneladas de fertilizantes, madeira, milho, soja e trigo pelo Porto de Estrela.

Com a capacidade do canal, aumentada em 7,8 milhões de toneladas transportadas ao ano, deve sair da região, até 2035, 700 mil toneladas de produtos, isso sem a exploração do porto.

O superintendente explica que com a mudança na polícia portuária nacional e a transferência da administração do modal regional ao governo do Rio Grande do Sul exigem agora outro tipo de movimentação: a iniciativa privada. “O que viabiliza o porto é a região, as suas indústrias e o interesse em fazê-lo funcionar. Eu penso que o Porto de Estrela precisa ser fragmentado e privatizado, para se tornar útil”, pontua.

A importância do porto medida pelo investimento

O prefeito de Estrela Carlos Rafael Mallmann reforça sua tese de que o modal do município tem potencial econômico. Segundo ele, fazer parte da Hidrovia do Mercosul é a comprovação técnica de que a viabilidade financeira da operação portuária no Vale é uma consequência positiva do investimento.

Mallmann compara o terminal de Estrela como uma rodoviária. Em um ônibus de linha normal, aquele que percorre várias cidades embarcando e desembarcando passageiros, existem vários pontos de parada em uma rota. “É isso que vai acontecer com a hidrovia. O barco sairá de Estrela vai até Cachoeira do Sul e segue até o destino final. Nesse caminho pode transportar outros itens, não só aqueles que a indústria local despacha”, mostra.

Já no que se refere a operação logística em Estrela, o novo governo do Estado dará a “ordem” de embarque para a cessão de uso privada. “A Superintendência de Portos e Hidrovias do Estado vem negociando alternativas. Mas é preciso que ocorra a transição do governo para a conclusão desse processo”, complementa Mallmann.

Hoje, sem a interligação, trafegam pelos rios e canais que formarão a hidrovia, 5 milhões de toneladas de cargas. Em 20 anos, haverá um incremento de 90%, aumentando para 12 milhões de toneladas embarcadas no trajeto.

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