Projeto de condomínio leiteiro é apresentado a autoridades e produtores

Anta Gorda – Uma nova alternativa para a sustentabilidade de propriedades rurais deve ser implantada em Anta Gorda. A iniciativa é da Cooperativa Cosuel de Encantado que apresentou, recentemente, o Programa Associativo de Produção Leiteira, projeto de condomínios, a autoridades e produtores antagordenses. O presidente da entidade, Gilberto Picinini, acompanhado pelo gerente da Divisão de Produção Agropecuária (DPA), Igor Estevan Weingartner, do técnico agrícola Júlio de Sordi e do produtor Adolfino Parisotto, reuniram-se no gabinete do prefeito Neori Luis Dalla Vecchia para explicar detalhes do projeto que pretendem instalar no município. Também participou o secretário da Agricultura, Cláudio Moraes.

Pioneiro no Brasil, o projeto já está em andamento em seis cidades da região. Inicialmente, em cada unidade, 15 produtores poderão fazer parte do empreendimento sendo responsáveis pela alimentação das vacas, ao adquirirem suas cotas de acordo com o valor dos animais que alojarão no condomínio. Toda a gestão será conjunta com as famílias associadas. O gerente Igor explica que o projeto irá garantir maior qualidade ao leite e, em consequência, melhor preço e qualidade de vida aos agricultores. A intenção é reunir em confinamento 262 vacas, com 210 em lactação. Ele explica que o número de animais foi calculado com base na capacidade da ordenha mecânica que pretendem instalar no local. “Todos os equipamentos devem ser de última geração, vamos andar junto com as tecnologias e facilidades que surgirem para facilitar o trabalho” conta.

Segundo o presidente Gilberto, o projeto está alicerçado nos conceitos de coletividade e a preferencia será para produtores que possivelmente não teriam mais capacidade de continuar na atividade. “Famílias produzindo de forma independente, com dificuldades de mão de obra, idade avançada, escala de produção mediana ou baixa poderão ser nossas parceiras. O leite do grupo será produzido em um único local, o que garantirá maior preço e qualidade”, explica Gilberto, lembrando que os animais receberão assistência técnica intensiva e alimento balanceado e regular.

A proposta sugere que a infraestrutura, a tecnologia e a administração técnica sejam de responsabilidade da cooperativa. Conforme Picini, para a execução, a Cosuel investirá 2 milhões de reais e o município deverá fornecer a área de terras para a instalação do condomínio, com terraplanagem, poço artesiano, LP (licença Prévia) e energia elétrica trifásica. Os produtores entrarão com os animais e serão responsáveis por produzir o alimento para o condomínio. Ele salienta que a renda do produtor será oriunda da comercialização do leite, do milho picado para silagem (alimento dos animais) e a venda de animais excedentes. O secretário Cláudio recebeu com expectativa a notícia. “Com certeza iremos nos esforçar para apoiar o projeto porque nossa intenção aqui sempre é beneficiar o setor primário e, consequentemente, o município”, afirma.

Conforme previsões do projeto, a unidade atingirá a média de 30 litros de leite por vaca ao dia, o que dará o montante de 9.150 litros por lactação, faixa dos maiores produtores de leite do mundo. Com essa cifra, o crescimento de receita de cada município com arrecadação de impostos poderá aumentar em cerca de 168%. O prefeito Neori diz que, ao receber propostas assim “ficaria até sem dormir para poder escutar e aprender com quem lida todo dia com o assunto, nos empolgamos pois temos consciência de que isso é extremamente positivo para nosso desenvolvimento”. Ele lembra que nesse ano é mais complicado, mas, conforme o pedido de Gilberto, para 2014 será estudada uma maneira de encaixar esse investimento no orçamento municipal. “Com certeza queremos o condomínio aqui. Na terra da FestLeite, avanços na produção leiteira devem aumentar cada vez mais”, conclui Neori.

Após a reunião, no gabinete do prefeito, os participantes dirigiram-se ao auditório da Unidade Básica de Saúde onde estavam 15 produtores que previamente manifestaram interesse e encaixam-se no projeto. Para o produtor Adolfino, hoje, a melhor alternativa é continuar em suas próprias instalações com a pecuária leiteria. “Porém acho essa ideia excelente. Eu tenho filho, nora e netos que devem tocar o negócio pra frente, mas muitos conhecidos meus não estão nessa mesma condição”, afirma ele.

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