Programa de Inclusão Social e Produtiva no Campo

Iniciativa da Cooperativa Languiru e parceiros busca incremento da produção leiteira

Lançamento ocorreu no dia 03 de maio e envolve 21 municípios

Em torno de 150 pessoas, entre autoridades, lideranças, parceiros, produtores rurais e imprensa, participaram do lançamento do Programa de Inclusão Social e Produtiva no Campo, idealizado pela Cooperativa Languiru, com apoio e envolvimento da Emater/RS-Ascar, de Sindicatos de Trabalhadores Rurais, de Secretarias Municipais da Agricultura de Teutônia, Estrela e Westfália, do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA), do Centro Regional de Treinamento de Agricultores (CERTA), da Fundação Agrícola Teutônia (FAT) e da Sicredi Ouro Branco. O evento ocorreu no auditório da Sicredi Ouro Branco, em Teutônia.

O grupo iniciou os trabalhos considerando a sustentabilidade da pequena propriedade, especialmente dos pequenos produtores de leite com dificuldades de produzir volumes que compensem a captação da matéria-prima na área de atuação da Languiru. O objetivo central está em desenvolver programa de assistência técnica e social que proporcione a continuidade das pequenas propriedades rurais, centrado na viabilidade da atividade leiteira.

“É uma demanda que surgiu junto ao quadro de associados da Languiru, estimulando o incremento na produção leiteira e a oferta de outras alternativas produtivas nas propriedades rurais familiares, como a lavoura do milho, por exemplo. Unindo esforços, aproveitando o potencial e as características produtivas regionais, estamos no caminho certo para a sustentabilidade e crescimento das pequenas propriedades. De fato, trata-se de um programa de inclusão social e produtiva”, explicou o presidente da Cooperativa Languiru, Dirceu Bayer, destacando que o foco está nas propriedades com produção média entre 80 e 300 litros de leite por dia. “A Indústria de Laticínios da Languiru possui capacidade instalada para industrializar maiores volumes de leite. Com isso, também buscamos a manutenção do quadro social e novos associados. Todo esse trabalho da cooperativa gera empregos, renda e impostos, que são reinvestidos na comunidade local.”

União de esforços

O diretor técnico da Emater/RS, Lino Moura, valorizou a iniciativa que é resultado da parceria entre diversas entidades. “A união de esforços nos permite bons resultados, e um programa de inclusão produtiva sempre vem em boa hora. A assistência técnica pode ser um fator fundamental para a manutenção das atividades e melhoria da renda dos produtores rurais. Mais do que incentivar a inclusão social e produtiva, a iniciativa contribui para que tenhamos menos famílias dependentes de projetos assistenciais. A sucessão rural e a permanência no campo dependem do apoio de todos, permitindo que a agricultura siga como o carro chefe da economia brasileira”, frisou.

O coordenador regional da Sindical Vale do Taquari, Luciano Carminatti, parabenizou à Languiru e aos parceiros pelo programa. “É uma iniciativa diferenciada, colocando as pessoas acima do interesse financeiro, valorizando a agricultura familiar, que sustenta a nossa região fazendo muitos ‘milagres’”, disse.

Representando o secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR/RS), Tarcísio Minetto, o chefe de gabinete Osmar Redin lembrou o fato de que mais de 90% da produção de alimentos do Estado vem da agricultura familiar. “Nesse sentido, há que se pensar permanentemente em políticas públicas que atendam aos anseios dos produtores. É preciso reconhecer a agricultura como profissão, trabalhar pelo ‘empoderamento’ do produtor rural, um agricultor com apropriação tecnológica, renda e qualidade de vida, reduzindo o paternalismo e valorizando o associativismo e o cooperativismo”, afirmou.

O gerente do setor de Monitoramento do Sistema OCERGS/SESCOOP-RS, José Máximo Daronco, representando o presidente Vergílio Perius, classificou o programa como indispensável no cooperativismo. “A produção de alimentos no Brasil passa muito pelo trabalho das cooperativas. A Languiru faz a diferença, possibilitando assistência técnica e acesso a novas tecnologias aos seus associados produtores, investindo em infraestrutura para produzir alimentos em quantidade e com qualidade”, parabenizou, valorizando a força cooperativa de Teutônia.

Falando em nome dos demais municípios representados e envolvidos no programa, o prefeito de Teutônia, Jonatan Brönstrup, igualmente parabenizou a todos os parceiros. “Vemos que as prefeituras não estão sozinhas nesse desafio de sustentabilidade para o campo. Esse programa é mais uma prova de que cooperar é sinônimo de somar, cada um fazendo a sua parte. O cooperativismo é um modelo que dá certo e serve de exemplo”, elogiou.

Crédito rural

O diretor executivo da Sicredi Ouro Branco, Neori Ernani Abel, acompanhado do analista de crédito da cooperativa, Gilnei Reis da Silva, apresentaram linhas de crédito rural e fontes de recursos disponíveis. “Estamos ao lado dos agricultores familiares, tanto que mais de 90% das nossas operações são de crédito rural, qualificando a atividade no campo”, ressaltou Abel, enaltecendo ainda as linhas de custeio e para investimento do BNDES. “A inadimplência na agricultura familiar é muito próxima de zero, por isso o Sicredi possui crédito junto ao BNDES.”

O programa

O gerente regional da Emater/RS-Ascar, Marcelo Brandoli, conduziu a apresentação do Programa de Inclusão Social e Produtiva no Campo. Lembrou o início do planejamento e o trabalho conjunto entre parceiros envolvidos. “O foco está no atendimento ao produtor rural, incluindo o maior número de produtores possíveis com produção entre 80 e 300 litros de leite por dia. A atividade leiteira é muito importante e envolve muitas famílias”, frisou.

O projeto piloto conta com o envolvimento de 21 municípios, com a seleção inicial de dez produtores em cada um deles: Arroio do Meio, Bom Retiro do Sul, Brochier, Colinas, Cruzeiro do Sul, Estrela, Fazenda Vilanova, Forquetinha, Imigrante, Mato Leitão, Nova Bréscia, Paverama, Poço das Antas, Rio Pardo, Santa Clara do Sul, Santa Cruz do Sul, Teutônia, Travesseiro, Tupandi, Venâncio Aires e Westfália.

Após o lançamento regional, haverá a apresentação do programa em cada um dos municípios contemplados, entre os meses de maio e junho. Posteriormente ocorre a pré-inscrição e seleção dos agricultores, com novos associados devendo procurar a Cooperativa Languiru e os já associados dirigindo-se aos escritórios da Emater nesses municípios beneficiados.

A seleção do público beneficiário passa por avaliação do Grupo Gestor do programa. Posteriormente essas propriedades participam de diagnóstico, com visita técnico-social e coleta de dados para composição de indicadores de resultados e impactos, já a partir do próximo mês de julho. O programa segue com planejamento individual e acompanhamento técnico-social nessas propriedades selecionadas, com visitas para elaboração e acompanhamento para o desenvolvimento de plano de ação individual.

O programa ainda terá atividades em grupo, com dias de campo e levantamento de necessidades coletivas, a partir do mês de agosto, atividades abertas a outros produtores rurais que não estejam envolvidos diretamente com o projeto. Em 2018 o planejamento prevê, em maio, avaliação municipal dos indicadores do programa, considerando volumes de produção, qualidade, custos de produção e renda líquida. Em junho de 2018 o cronograma de atividades prevê a realização do 1º Encontro Regional dos Participantes do Programa de Inclusão Social e Produtiva.

“Temos muito trabalho por fazer, mas, juntos, vamos mais longe. Estamos sobre um ‘ouro branco’, considerando que a cadeia leiteira é muito importante econômica e socialmente”, destacou Brandoli, apresentando números do que uma variação positiva nos índices de produtividade pode representar. “A atividade leiteira movimenta muitos recursos financeiros, é a atividade mais trabalhada no Estado”, concluiu.

Moção de alerta

Encerrando a programação, Carminatti apresentou moção de alerta por conta dos impactos causados pela importação de leite à cadeia produtiva do Rio Grande do Sul. O documento foi assinado pelas entidades representativas do setor e deverá ser formalizado e encaminhado ao Governo do Estado. “Precisamos nos unir para tratar desse assunto com os órgãos responsáveis do governo, uma forma de protegermos os nossos produtores e nossas cooperativas”, defendeu o coordenador regional da Sindical Vale do Taquari.

Bayer reforçou a importância da constituição de uma comissão permanente para tratar desses assuntos. “A importação de leite dificulta a atividade de toda cadeia produtiva. Ninguém é contra as importações, pois precisamos ampliar nossas divisas com negócios internacionais, mas deve haver uma atenção especial aos volumes importados. Precisamos do apoio de todos neste movimento de grande responsabilidade”, encerrou.

Fonte Leandro Augusto Hamester

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