Programa da Emater apresenta bons resultados em Bom Retiro

A segunda etapa do Programa de Fomento à Inclusão Social e Produtiva, operacionalizado pela Emater/RS-Ascar desde o início do ano passado, começa a apresentar bons resultados para famílias de Bom Retiro do Sul. Por meio do programa, famílias em vulnerabilidade social do meio rural têm recebido R$ 2,4 mil, em duas parcelas – uma de R$ 1,4 mil e uma de R$ 1 mil – para serem investidos em atividades produtivas. Na região de abrangência do escritório regional de Lajeado da Emater/RS-Ascar, participam do projeto mais de 200 famílias dos vales do Caí e Taquari.

Uma das coordenadoras do trabalho na região, a responsável pela Área Social da Emater/RS-Ascar, Rafaela Corrêa Sais, ressalta o fato de mais de 80% das famílias já estarem com projetos bem encaminhados. “É um trabalho complexo, que iniciou com a identificação dos participantes e com os diagnósticos realizados para a identificação das reais necessidades desse público, que muitas vezes convive com a invisibilidade”, observa. A atividade, lembra Rafaela, é parte do Programa Brasil Sem Miséria (PBSM), do governo federal, e visa à erradicação da pobreza extrema no Rio Grande do Sul.

Em Bom Retiro do Sul, uma das participantes é a produtora Maria Goreti da Silva Mathyas, da localidade de Cerro dos Gomes. Com o recurso recebido, investiu em um galinheiro para criação de aves de corte e de postura, tendo comprado, além dos animais e a ração, a madeira para a construção do local em que ficam as galinhas. Vivendo em um terreno adjacente, a filha de Maria Goreti, Paula dos Santos, já tem o projeto encaminhado para a aquisição de um kit para comercialização de cachorros-quentes, além de ter investido em suínos e em um freezer para guardar a carne produzida.

Empolgado com as novas atividades da propriedade, o marido de Maria Goreti, Pedro Paulo dos Santos, construiu uma composteira de 70x80cm para colocação dos resíduos. “Foi algo que aprendi lá em Montenegro”, afirma, referindo-se ao Dia de Campo realizado no último mês de novembro e que contou com a participação de mais de 300 agricultores familiares e indígenas de ambas as regiões, incluídos do programa. Além da produção de suínos e aves, o cultivo de aipim e abóbora garante o sustento da família que, no total, possui oito integrantes.

Para outra família participante, o galinheiro para aves de postura já está praticamente pronto e beneficiará a produtora Cristiana da Silva. O apoio para a construção do empreendimento foi dos filhos Carlos Felipe, de 11 anos, e Cristian Rafael, de 15. O jovem Carlos, além do apoio no projeto produtivo, investe na elaboração de pulseiras artesanais, como forma de garantir uma renda extra para a família. “Os preços variam de R$ 1,00 a R$ 1,50, dependendo da cor e do tamanho”, observa.

Para a engenheira agrônoma da Emater/RS-Ascar de Bom Retiro do Sul, Sandra Rieth, é uma grande satisfação poder ver a motivação de pessoas que antes não tinham nenhuma perspectiva de crescimento. “Quando nos aproximamos dessas famílias, percebemos que são muitas as necessidades, e poder auxiliá-las de alguma forma é motivo de orgulho”, garante. Sandra afirma não ter sido fácil no começo. “Havia certa desconfiança por parte deles, mas quanto mais visitas fazíamos, mais nos aproximávamos, mais eles passavam a acreditar no projeto”, analisa. Em Bom Retiro do Sul, o trabalho também é realizado pelas extensionistas Letícia Mairesse e Rosáli Gregórius.

Para o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Luiz Bernardi, o exemplo de Bom Retiro do Sul se repete em muitos outros municípios da região, sendo o trabalho com este público um verdadeiro marco para a extensão rural, que dialoga fortemente com o caráter filantrópico da Instituição. “Ver as famílias satisfeitas, mudando de vida e produzindo é uma verdadeira recompensa pelo nosso trabalho”, salienta. Nos vales do Caí e Taquari, o projeto está sendo realizado nos municípios de Brochier, Capela de Santana, Montenegro, Paverama, São Sebastião do Caí, Tabaí, Estrela, Taquari, Cruzeiro do Sul, Santa Clara do Sul, Pouso Novo, Marques de Souza e Putinga, além de Bom Retiro do Sul.

O objetivo do Programa, que tem o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo (SDR), é aumentar a capacidade produtiva de agricultores familiares em situação de pobreza extrema, por meio de prestação de serviços de assistência técnica e extensão rural e financiamento da estruturação produtiva. No Rio Grande do Sul são 150 mil famílias no Cadastro Único, 72 mil famílias com renda igual ou inferior a R$ 70 e 77 mil famílias rurais no Bolsa Família. O Programa de Fomento visa reduzir esses números.

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