Programa busca erradicar febre aftosa

O Estado tenta alcançar o status de livre de febre aftosa sem vacinação depois das perdas registradas no município de Jóia, há 13 anos. O patamar significaria a abertura dos mais exigentes mercados mundiais para a carne gaúcha, condição alcançada apenas por Santa Catarina.

Representaria a chance de retomar posições no ranking nacional de exportações de carne bovina e ampliar ainda mais os negócios de produtos suínos, nos quais lidera. A segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Febre Aftosa iniciou nesta semana e se estende até o dia 30. Todos os bubalinos e bovinos com idade até 24 meses, em torno de 5 milhões de cabeças, precisam receber a dose.

Na primeira etapa, em maio, a vacinação alcançou 98,3% do rebanho. Conforme o coordenador do programa no RS, Fernando Groff, a Seapa doará dois milhões de doses para os produtores inseridos nos critérios do Pronaf e do Programa de Pecuária Familiar.

A doença é provocada por um vírus muito resistente ao ambiente. “Ele causa aftas na cavidade oral, nas tetas e nos cascos. Os animais têm dificuldade de caminhar, sentem muita dor e não conseguem comer, isto diminui a produção de leite e causa perda de peso.”

Segundo o especialista, a taxa de replicação é muito alta. Em dez horas, já transmite e o vírus resiste até 15 dias no ambiente. Para ele, a vacina é o que garante o controle da doença, detectada na Venezuela em 2010 e no Paraguai em 2011 e 2012.

Nos nove municípios atendidos pela Inspetoria de Lajeado, a meta é imunizar 24,7 mil animais em 8.082 propriedades. Conforme o médico-veterinário Marco Antônio Reckziegel, quem deixar de aplicar a dose está sujeito à multa e impedido de emitir GTA. “O valor mínimo é de R$ 900.”

Quem comprar as vacinas deve levar a nota fiscal e especificar a quantidade de animais imunizados na inspetoria de sua cidade até cinco dias após o término da campanha para comprovar a aplicação.

Outra exigência é que o proprietário mantenha em dia as informações sobre o total de animais existentes na propriedade, além do número exato de cabeças que foram vendidas, abatidas ou que eventualmente morreram, além da faixa etária de todas elas. As doses necessitam ser armazenadas em caixa de isopor com gelo.

Os últimos casos foram registrados em 2000 e 2001 no RS. Na época foram confirmados 52 focos, o que levou ao sacrifício de 26 mil animais. Foram gastos R$ 11 milhões na compra de vacinas.

O último foco de febre aftosa no país ocorreu em 2006, no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Por isto, até 2015, o Brasil pretende conquistar o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre de febre aftosa com vacinação. Depois, a meta é aumentar o número de estados com status de livre da doença sem vacinação, a exemplo do que ocorre em Santa Catarina.

Sanidade levada a sério

Douglas Sulzbach, de Estrela, trabalha com o irmão e o pai na produção leiteira, média de 2,7 mi litros por dia. O calendário de vacinações é seguido de forma rigorosa. Este cuidado reduz custos com medicamentos, garante a sanidade e a qualidade do produto entregue à indústria. “Os animais são registrados e cada vacina é aplicada dentro do prazo.”

Por meio de um computador, tablet ou smarphone conectado à internet, todo processo de produção é rastreado, como a hora e temperatura em que o leite foi tirado e o armazenamento. “Qualquer problema detectado o leite é descartado”, assegura Douglas.

Até o dia 25 seis equipes visitam 1,3 mil propriedades no município.

A doença e sintomas

A vacinação ocorre desde 1963 no Estado. O vírus é transmitido pelo ar, água e alimentos e afeta o sistema nervoso. Os mais contagiados são bovinos de leite e de corte. A doença ataca em todas as idades, independentemente de sexo ou raça.

Os sintomas são a elevação da temperatura e a diminuição do apetite. Ataca boca, língua, estômago, intestinos, pele e o entorno das unhas, criando bolhas e aftas. O animal baba muito e tem dificuldade de se alimentar. A locomoção fica comprometida. Nos dois primeiros dias, a infecção causa febre. Depois aparecem as vesículas na boca e no pé.

A aftosa não representa risco para a saúde humana. A doença não é transmitida pelo consumo de carne, leite e derivados de animais infectados.
Fonte – Organização Mundial da Saúde Animal (OIE)

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