Profissionais expõem perspectivas para o Brasil depois da Copa

Os rumos do Brasil nos campos da política e da economia, após a realização da Copa do Mundo, foram debatidos em painel ocorrido na segunda-feira, dia 30 de junho, na Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil), em Lajeado. Cerca de 240 pessoas acompanharam as apresentações do cientista político, jornalista e consultor em Relações Internacionais Marcel van Hattem, arquiteto e escritor Percival Puggina, e professor e doutor em Economia Ronald Hillbrecht.

De acordo com Hillbrecht, existem três “regras do jogo” para o país prosperar: estrutura institucional, qualidade dos “jogadores” e cumprimento das leis. Para ele, o governo precisa criar políticas de suporte ao funcionamento de mercados, os quais devem ser competitivos e integrados à cadeia produtiva internacional. A educação ocupa o primeiro lugar do grupo das prioridades do Brasil. “Assim como no futebol, precisamos colocar nossos jogadores em boas escolhinhas”, aludiu. O cumprimento das normas, segundo Hillbrecht, só é possível com um “árbitro imparcial”, ou seja, com autoridades que façam valer a condição do Brasil de estado democrático de direito.

Puggina foi enfático logo no início da sua apresentação: “a Copa não poderia e não poderá ser prioridade nacional”. Ele usou do exemplo do pai que dá uma festa a todos os vizinhos do bairro. Os convidados saem satisfeitos, só que a família não concorda e sofre as consequências do gesto. Para ele, isso é o que acontece no Brasil, só que com a “família” dividida. Puggina não poupou criticas ao sistema político vigente, que, em sua opinião, tem concentração de poder, presidencialismo de corrupção e parcerias ideológicas questionáveis. A notícia boa de Puggina refere-se à movimentação da sociedade. “Sinto renascer em mim uma esperança. Vejo que se criou uma consciência mais afinada, de que estão nos fazendo de bobos”, destacou.

Van Hattem salientou que a insatisfação começou a ser demonstrada com os protestos iniciados no ano passado. Para ele, o que sobrou desta movimentação foram a violência, dos contrários à Copa, e a credulidade dos que aceitam. Por isso, ele propõe que se busquem melhorias a partir de instituições e valores. Segundo o cientista político, os cidadãos são conscientes destes objetivos, mas não reagem por questões como descrença e distanciamento da política, terceirização do problema e desorganização. “Para imaginar depois da Copa, temos que pensar a longo prazo, com pessoas indo às urnas para fazer a escolha correta e sendo respeitadas pelos políticos”, concluiu.

A atividade faz parte do ciclo de palestras Imagina Depois da Copa, realizado pelos Institutos Liberal e Liberdade. A realização em Lajeado contou com o apoio da Acil, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Lajeado, Sindilojas Vale do Taquari, Sindicato das Indústrias da Construção Civil, Mobiliário, Marcenarias, Olarias e Cerâmicas para a Construção, Artefatos e Produtos de Cimento e Concreto Pré-Misturado do Vale do Taquari (Sinduscom-VT), Sindicato dos Contadores e Técnicos em Contabilidade do Vale do Taquari (Sincovat) e Associação das Empresas de Serviços Contábeis do Vale do Taquari (Aescom VT).

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