Produtores participam de capacitação dentro da Chamada Pública do Leite

Um grupo de 20 agricultores dos municípios de Nova Bréscia e Coqueiro Baixo – integrantes do Lote 19 da Chamada Pública do Leite – participou na última quarta-feira, dia 8, no auditório da prefeitura de Nova Bréscia, de uma capacitação com o tema pré-parto e sua importância nos desempenhos produtivo e reprodutivo. Na ocasião, o assistente técnico regional em Sistema de Produção Animal da Emater/RS-Ascar, veterinário Martin Schmachtenberg, ministrou palestra sobre o assunto.

A atividade – parte de um conjunto de ações que está sendo realizada desde o início do ano passado – foi organizada pela Emater/RS-Ascar, que executa a Chamada Pública do Leite em todo o Estado, por meio de convênio com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Na região estão sendo beneficiadas 500 famílias de 41 municípios, sendo 25 do Vale do Taquari, 14 do Vale do Caí e dois da Serra Gaúcha. “O objetivo é o de concentrar o trabalho em propriedades em que a produção seja menor do que 100 litros diários, com foco na sustentabilidade econômica, social e ambiental”, ressalta Schmachtenberg.

Temas relacionados à melhoria da qualidade do leite, ao manejo mais adequado dos animais, a redução dos custos de produção e de necessidade de insumos externos, a gestão da atividade leiteira, a organização dos produtores e ao melhoramento genético do rebanho, têm sido trabalhados desde o início de 2014, por meio de palestras, encontros, visitas e seminários. “Tudo para que as famílias beneficiadas possam ampliar sua produtividade e renda, promovendo também o aumento da qualidade de vida e a possível continuidade dos jovens no meio rural”, analisa o veterinário.

Um dos participantes, o produtor Neimar Fraporti, da localidade de Pilão Alto, em Coqueiro Baixo, produz uma média de 90 litros de leite por dia, com nove vacas em lactação. Mas acredita poder ampliar este número nos próximos anos. “Minha intenção é ir crescendo aos pouquinhos, até chegar a uma produção de 500 litros diários, com 35 vacas em lactação”, salienta. Para atingir esse objetivo, Fraporti pretende abandonar definitivamente o cultivo de tabaco, que ainda ocupa 3,5 hectares na propriedade em que mora com a esposa, a filha e a sogra. “Quero ampliar a minha área de pastagens”, afirma.

Além de fumo, o agricultor também produz abóbora para comercialização, possuindo também horta, pomar a alguns animais para o consumo da família. “Hoje sou muito feliz com o que faço”, observa Fraporti, que no passado morou durante 28 anos em São Paulo, onde atuou como garçom em restaurantes locais. Após conhecer a esposa, abriu o próprio negócio em Porto Alegre, que acabou não dando certo. “O retorno ao meio rural surgiu em decorrência de uma necessidade e hoje acharia difícil voltar pra cidade”, garante o produtor.

Situação diferente viveu o agricultor Luiz Pezini, da localidade de Caçador, em Nova Bréscia. Pezini sempre viveu no campo, mas há cinco anos modificou a matriz produtiva na propriedade em que vive com a esposa, filho e sogro. “Como comercializava feijão e milho, foi mais fácil passar para a produção de leite, já que pude seguir cultivando milho para fazer a silagem”, observa. Hoje o agricultor possui nove vacas em lactação, produzindo 100 litros de leite ao dia. “Mas a minha ideia é construir uma sala de ordenha e ampliar o plantel”, finaliza.

O técnico em agropecuária da Emater/RS-Ascar, Cristiano Laste, ressalta que os participantes da Chamada fazem parte de um grupo de produtores que pretende seguir na atividade, ampliando a produtividade e até reduzindo o plantel, em alguns casos. “Ainda há uma carência de informações sobre temas como melhoramento genético, por exemplo, que podem auxiliar nesse processo, ainda que algumas mudanças relacionadas à qualificação das instalações ou ao manejo das pastagens já estejam sendo feitas”, diz. Hoje, Nova Bréscia produz 7,2 milhões de litros de leite ao ano, com o envolvimento de 170 famílias e 2,3 mil vacas.

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