Produtores investem para reduzir impacto do clima nos animais

A criação de animais, como bovinos, aves e suínos, em situações adversas de clima, pode ter reflexos econômicos negativos em função do clima. Calor ou frio intensos e longos períodos de chuva são portas abertas para doenças ou desconforto que pode resultar em baixa produtividade

O médico veterinário do escritório regional da Emater/RS-Ascar, Martin Schmachtemberg, salienta que há produtores, principalmente no setor de bovinos leiteiros, que já adotam práticas que buscam a redução do impacto do clima sobre os animais.

Ele destaca que a vaca holandesa aguenta bem temperaturas entre 15ºC e 18ºCs. Acima disso, o organismo do animal começa a sofrer, e ele reduz a produção. Para evitar a oscilação na geração de leite é necessário instalar ventiladores e nebulizadores no ambiente. Outra recomendação é elevar o pé-direito das instalações, quando o plantel fica confinado. “E quando as vacas são mantidas no pasto, é preciso que o agricultor tenha em sua propriedade, práticas de sombreamento com o plantio de árvores”, diz o profissional da Emater.

Providência para o frio

No inverno, em períodos chuvosos, é recomendável evitar que os animais circulem no barro no entrono dos alojamentos, o que poderá favorecer o aparecimento de mastite. É preferível que se mantenham os animais presos.

Todos estes cuidados, tanto no verão como no inverno, às vezes, significam mais investimentos.  “O proprietário, no entanto, precisa se conscientizar que isso é necessário para melhorar a produtividade”, afirma Schmachtemberg.

Segundo o veterinário, de nada adiante ter um elevado padrão genético se não existe preocupação com equipamentos, alimentação e meio ambiente.

Preocupação há 17 anos

Quem se preocupa com o reflexo da oscilação climática nos animais é Rodrigo Fell, criador de gado leiteiro na localidade de Novo Paraíso. Fell tem uma parceria com os pais, Hélio e Denise, e com o irmão Leandro.

A família mantém um plantel de 240 animais da raça holandesa que produzem uma média diária de 35 litros por cabeça. A ideia de investir em maior conforto nas instalações começou há cerca de 17 anos.

Na época, o problema maior era no inverno, já que a área para criação era limitada, e a família Fell enfrentava dificuldades com a formação do barro, que todos os dias exigia uma grande mão de obra para higienização dos bovinos antes da ordenha. O criatório eram mantido em piquetes com pastagens nativas ou artificiais.

Com o passar do tempo, a família iniciou a construção de alojamentos. Atualmente, todo o plantel se encontra confinado. Os proprietários ainda pretendem fazer o revestimento do piso com borracha, para que se evite danos nos cascos, o que pode se transformar em uma porta de entrada para doenças. Nos dias frios, é importante também que se renove a cama onde os animais se encontram alojados.

Segundo salienta Rodrigo, hoje, o maior problema está relacionado ao calor. Para minimizar o estresse causado pelas altas temperaturas, a família instalou nebulizadores e ventiladores, para proporcionar maior conforto no verão. O criador diz que os gastos nessa área trazem como recompensa um aumento de produtividade em cerca de 10%.

Sala nova de ordenha

Também foi construída uma nova sala de ordenha, com um custo de R$ 350 mil, para que haja maior conforto, além de agilizar o serviço. Rodrigo diz que a filosofia da família é evoluir aos poucos, mas com segurança, observando a remuneração do produto e a demanda de mercado.

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