Produtores desistem do cultivo de canola

Enquanto no norte do Estado os produtores aumentaram a área destinada para a produção de canola, no Vale do Taquari ocorre o contrário. Entre os motivos alegados estão as condições meteorológicas, dificuldades no manejo, falta de tecnologias, perdas na colheita e a baixa rentabilidade em comparação a outras culturas como o trigo.

Em 2011 foram cultivados 600 hectares na região. A atividade atraiu dez produtores. Este ano, a área diminui 90%. A maior parte dos produtores apostou no cultivo de trigo, cujo preço está valorizado devido às perdas em outros países.

O agricultor Ibson Kich, de Estrela, substitui a canola pelo trigo. No ciclo passado, a oleaginosa ocupou 40 hectares. Além das perdas provocadas pelas condições meteorológicas, enfrentou dificuldades no manejo e acumulou prejuízos na hora de colher o grão. “O amadurecimento é desuniforme. Enquanto a metade poderia ser colhida, outra estava verde.”

A produção chegou a 800 sacas, vendidas ao preço médio de R$ 60. Apesar da cotação do trigo ser 50% inferior, o conhecimento no manejo e a disponibilidade de máquinas para trabalhar em todas as etapas é uma das vantagens apontadas.

Conforme dados da Emater, no RS a cultura ocupará 50 mil hectares. A estimativa é de colher 1,6 mil quilos por hectare. A saca de 60 quilos está cotada em R$ 65.

Área aumenta

Conforme dados da Emater Regional de Passo Fundo, que abrange 40 municípios, a área semeada neste ciclo aumentou em 20%, ocupando 16 mil hectares. Entre os motivos para esse crescimento, o engenheiro agrônomo Claudio Doro enumerava o preço elevado, boa produtividade da safra passada e aperfeiçoamento das técnicas de cultivo, manejo e colheita.

A maioria dos produtores comprou quites para semear e colher o grão. Para evitar perdas na safra, é aplicado um dessecante para provocar um amadurecimento uniforme. “Esse produto despeja sobre a planta um líquido que reduz a debulha das vagens.”

Outro fator determinante é a antecipação com o trigo. O grão é retirado da lavoura em outubro. “Favorece o desenvolvimento das culturas de verão e diminui o risco de ocorrer perdas em caso de estiagem.”

Dados da safra

  • Produção: estimativa é de colher 80 mil toneladas nesta safra
  • Área cultivada: cerca de 50 mil hectares
  • Rentabilidade: 1,6 mil quilos por hectare
  • Custo: a implantação de um hectare custa R$ 800
  • O ciclo de plantio é de 160 dias, planta em abril e colhe até novembro

Fonte: Emater de Passo Fundo. Dados estaduais

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