Produtores de Anta Gorda participam de capacitação sobre ordenha

Um grupo de 40 produtores do município de Anta Gorda participou, na última sexta-feira, dia 30, de uma capacitação em bovinocultura leiteira com o tema “noções básicas de manejo e higiene da ordenha”. O evento, parte do programa Leite Gaúcho, da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR/RS), foi realizado no salão comunitário de Linha Dossena. As atividades foram divididas em duas partes. No turno da manhã foi realizada palestra com o engenheiro agrícola da Emater/RS-Ascar, Diego Barden dos Santos. Na parte da tarde foi realizada atividade de campo, com demonstrações práticas, na propriedade do bovinocultor Alírio Canton.

Mais de 80% do público presente foi composto por mulheres. “Na grande maioria dos casos são elas que estão trabalhando na sala de ordenha”, ressaltou o palestrante. Justamente pela importância delas nessa etapa do processo é que foi escolhido o tema da capacitação. Para Santos o manejo adequado e a higiene na hora da ordenha são partes fundamentais para garantir a qualidade do leite. “E leite de qualidade significa a entrega de um produto diferenciado, mais dinheiro no bolso do produtor e consumidor satisfeito”, diz.

Para o agrônomo, são vários os aspectos que devem ser observados para garantir a qualidade na hora da ordenha e estes vão desde o local adequado e limpo, passando pela lavagem e pela secagem correta dos úberes, chegando até o manejo adequado da ordenhadeira. “Também respeitar os horários da vaca, estimulá-la corretamente e com tranquilidade e perceber os sinais emitidos por ela é importante para que o processo seja realizado sem estresse”, garante. Santos explica que a vaca gosta de ser ordenhada, sendo capaz de ser estimulada até mesmo pelo barulho da ordenhadeira.

Aumento da produção

O engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Fernando Selarayan, que trabalha em Anta Gorda há mais de 30 anos, diz que a produção local, durante este período aumentou em cerca de 800%. De acordo com o agrônomo, há 30 anos eram produzidos apenas três milhões de litros de leite por ano, no município. “Hoje, são 22 milhões de litros por ano, o que dá uma média de 60 mil litros por dia, produzidos pelos cerca de 650 bovinocultores daqui”, ressalta. A ampliação do trabalho de assistência técnica, que qualificou todo o processo, somado ao aumento do número de empresas capazes de absorver a produção são alguns dos aspectos que contribuíram para esta evolução. Não à toa, o município promove a cada dois anos a FestLeite, que visa a valorizar a produção leiteira local. A quinta edição do evento ocorre em abril de 2014.

Entre as participantes do evento, estava a bovinocultora Eda Canton Riboldi, da localidade de Linha Santos Filho. Com 33 vacas em lactação, que produzem uma média de 620 litros por dia, dona Eda sorri ao lembrar que trabalha com leite desde os seis anos de idade. “Hoje tenho 64 anos e se puder vou continuar tirando leite até os 100”, brinca. A paixão fez com que ela participasse de diversas capacitações. “É sempre bom poder se aprimorar naquilo que se gosta”, diz. Ainda que a rentabilidade esteja boa – a família recebe R$ 1,05 por litro da integradora – dona Eda tem apenas uma queixa: a da falta de mão de obra. “Dos meus três filhos, apenas um ainda está na propriedade. Gostaria que os outros dois também prosseguissem na atividade”, lamenta.

Ainda assim nem todos os jovens pensam em sair do meio rural e a produtora Bruna Guarnieri, de apenas 22 anos, encontrou na bovinocultura uma boa alternativa de renda para a propriedade. A jovem, que vive em Linha Viena com os pais e o companheiro, iniciou na atividade há quatro anos, como forma de diversificar a produção em relação ao cultivo de fumo. Hoje possui seis vacas em lactação, que produzem cerca de 110 litros de leite por dia, que são vendidos para o mercado local. “É uma atividade que vale muito a pena. Não troco por nada”, garante.

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