Produtores da Languiru assistem palestra sobre genética e reprodução de bovinos

A manhã do dia 24 de novembro foi diferente para um grupo de 50 produtores de leite da Cooperativa Languiru. Na oportunidade o Setor de Leite do Departamento Técnico da Languiru organizou palestra com o diretor de consultoria da Cooperative Resources International (CRI), Edward Silba, que abordou o tema “A vaca ideal e índices de saúde”. O evento ocorreu na Associação dos Funcionários da Languiru e outros representantes da CRI também acompanharam o mestre em reprodução e nutrição, entre eles o gerente de produto leite no Brasil, Bruno Scarpa Nilo, que auxiliou na tradução em alguns momentos. “A CRI é uma cooperativa de produtores de leite nos Estados Unidos, e no Brasil o foco é genética de bovinos”, apontou Nilo.

Os profissionais técnicos e veterinário do Setor de Leite da Languiru também prestigiaram o evento. O coordenador do setor, Fernando Staggemeier, iniciou a programação agradecendo a presença de todos e enalteceu o nível das palestras organizadas pela cooperativa. “Estamos procurando trazer profissionais de renome da cadeia do leite, seja por meio de iniciativas próprias ou de parceiros. A matéria-prima (leite) que vocês nos fornecem já é qualificada, no entanto, sempre estamos abertos a novos conhecimentos”, frisou.

Uma vaca boa e uma vaca ruim

Buscando a interação com o público, Silba começou a palestra apresentando uma foto de vaca que, em 1910, produziu 12 mil litros de leite com 3,33% de gordura, no Estado de Missouri, nos Estados Unidos. O animal atingiu o recorde mundial de produção naquele ano. “Antigamente nos ensinaram que para ser considerada boa ou ruim, uma vaca tem 44 pontos a serem analisados, como saúde do úbere, angulosidade do quadro e robustez”, acrescentou.

Ao citar as experiências realizadas em fazendas americanas, Silba entende que a pecuária leiteira está buscando algo diferente do que foi trabalhado no passado para aumentar a longevidade produtiva dos rebanhos. Há 40 anos ele presta consultoria a fazendeiros em boa parte dos Estados Unidos, no México e na China, atendendo rebanhos que variam de dois mil a 150 mil vacas ordenhadas por dia. “A genética tem o seu segredo no manejo do rebanho, que se bem nutrido e com acesso ao conforto, dará um grande retorno produtivo”, argumentou. Esse ano Silba começou a prestar essa consultoria a rebanhos e cooperativas aqui no Brasil.

Genética se comporta conforme o manejo

Ele apresentou gráficos comparativos do desempenho de filhas de touros de alto e de baixo potencial reprodutivo. Conforme Silba, algumas das principais reivindicações dos grandes fazendeiros da atualidade são por vacas/novilhas com maior potencial de prenhês e úberes mais saudáveis. “Filhas de touros com taxa de prenhês positiva tendem a gerar filhas com até 34% de taxa de prenhês média, enquanto que touros com taxa negativa de prenhês tendem a gerar filhas com índices muito inferiores, chegando a ter variações de mais de 8%. Touros com vida produtiva alta chegam a ter, no futuro, 200 filhas a mais produzindo leite em um rebanho de mil vacas”, explicou.

Segundo Silba, os fazendeiros estão buscando vacas menores e menos angulosas para diminuir a incidência de descarte e aumentar a produção de leite nas propriedades. Por isso, a importância de se valorizar as informações sobre o touro, de onde é extraído o material genético para futura reprodução. “O consumo médio na dieta de uma vaca é de 3,5% de matéria seca do seu peso, e esse custo da alimentação é diluído dependendo da produção que o animal possui. A genética e a produção se mostram conforme o manejo e a nutrição, e as correlações são várias. Por exemplo, vacas magras, de baixo escore corporal, têm baixa deposição de gordura interna nos cascos e isso pode levá-las a mancar, a claudicar”, concluiu.

Por fim, após a palestra, foi aberto espaço para que os produtores e a equipe técnica do Setor de Leite fizessem perguntas sobre manejo e projeções para o futuro da cadeia leiteira.

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