Produtores comemoram alta no preço da saca do milho

O produtor Nelson José Schorr (58) plantou 85 hectares de milho nesta safra de verão em suas propriedades no Bairro São Bento, em Lajeado, e em Cruzeiro do Sul e Santa Clara do Sul. É 10% a menos do que a quantidade do ano passado. Mesmo assim, projeta um 2016 mais rentável, já que o preço da saca do grão aumentou até 59%. “No ano passado, estava em torno de R$ 26. Esse ano está em R$ 34, R$ 35.”

A forma com que o agricultor se organizou para esta temporada é uma tendência identificada pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). “De um modo geral, teve uma diminuição de área de plantio no Estado. Então, a diminuição da oferta acaba puxando o preço”, aponta Alano Tonin, engenheiro agrônomo da Emater em Lajeado.

A entidade projeta 34.820 hectares de área plantada com o grão na região dos vales do Taquari e Caí, com produtividade de 5.214 quilos por hectare. Desse total, 7% já foram colhidos, e 10% estão maduros por colher. “O restante está em crescimento vegetativo, enchimento de grão e em período de germinação”, complementa Tonin.

O período do plantio até o início da colheita vai, na maioria dos municípios do Vale, de 10 de agosto até 20 de janeiro. Para quem conseguiu plantar mais cedo, a colheita já acontece no início de janeiro. É o caso de Nelson Schorr. “Colhemos em janeiro a metade. Daqui a um mês, praticamente, já está tudo colhido.”

Para ele, a hora da venda é de atenção aos diversos fatores que influenciam no preço da saca. “Acompanho muito o Canal Rural, a cotação da Bolsa de Chicago, do dólar. A gente espera para vender quando está um preço um pouco melhor.”

As análises vêm de anos de experiência. Schorr trabalha no campo desde pequeno, com o pai. Faz cursos para se atualizar – no ano passado, viajou aos EUA para conhecer mais sobre a cultura do milho. Hoje, o filho Gerson José é o grande parceiro na lida no campo. “Em época de colher a safra, a gente trabalha 14 horas por dia. Não tem fim de semana.”

Clima favorável

O clima deste ano é apontado pelo engenheiro agrônomo da Emater, Alano Tonin, como um dos fatores que ajudam as lavouras a apresentarem resultados positivos. As chuvas regulares auxiliam a cultura de milho de verão. “Por ser um ano de El Niño, quando chove mais, a cultura do milho fica maior”, observa.

Soja, o carro-chefe

Além dos 85 hectares de milho, Nelson Schorr tem plantados em suas lavouras 220 hectares de soja e cem de trigo. O produtor reconhece que, atualmente, a soja é o grão que melhor dá retorno ao homem do campo. “A soja é o carro-chefe. É a melhor de vender, mais rentável por causa do dólar.”

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