Produtores apostam no cultivo em estufas

Mudanças meteorológicas e necessidade de manter a oferta constante levam produtores a investirem no cultivo de hortaliças em ambiente protegido. Abrigadas, as plantas aumentam a produtividade, melhoram a qualidade e diminuem o custo com defensivos agrícolas em torno de 70%.

Os irmãos Mallmann, de Estrela, iniciaram há 15 anos a produção de temperos e hortaliças no sistema hidropônico. São cultivadas 110 mil plantas em três estufas. Conforme Ângelo, 48, entre as vantagens do cultivo protegido aliado ao sistema de hidroponia, estão a estabilidade na produção durante 12 meses ao ano, melhor controle de insumos e água, além de estar prevenido contra intempéries. “Estamos protegidos e não corremos o risco de perder meses de trabalho em algumas horas.”

Apesar de custo de implantação da estrutura ser elevado, a técnica é uma das alternativas para manter a oferta constante aos clientes. “A céu aberto é impossível driblar o excesso de chuva, granizo, geada ou as altas temperaturas. A qualidade é inferior e temos dificuldades de fechar contratos com mercados.”

Adriano calcula perdas de apenas 10% no cultivo protegido. Ressalta a economia de água e adubos. Por dia são necessários apenas quatro mil litros para manter as plantas irrigadas. Com o cultivo em terra e sem  proteção, esse volume aumentaria em dez vezes. 

Entre as dificuldades, destaca a falta de mão de obra e a deficiência na orientação técnica tanto para aprimorar o cultivo protegido como para melhorar a hidroponia.

Aviários adaptados

Após o rendimento com a criação de 120 mil frangos cair, três das quatro estruturas erguidas na propriedade forma adaptadas para produzir hortaliças. De acordo com Adriano, a ideia surgiu após assistir a uma reportagem na televisão. “Tínhamos desistido da produção de leite e precisávamos diversificar.”

Até o fim do ano, outras duas estufas estarão em funcionamento. O investimento é de R$ 45 mil em estrutura e equipamentos. A oferta de matéria-prima deve aumentar em 30%. Os produtos são vendidos para mercados do Vale do Taquari. A cada 40 dias são comercializadas 110 mil unidades de alface e molhos de rúcula, salsa, agrião e temperos. O preço médio é de R$ 1,20.

Demanda crescente

As constantes mudanças meteorológicas fazem a área de cultivo protegido crescer no Estado. Conforme a engenheira agrônoma, Sandra Maria Dalmina, da Emater Regional de Caxias do Sul, é quase inviável produzir sem proteção. “Tivemos 20 dias de chuva em julho. A céu aberto quase tudo foi perdido e os preços dispararam.”

Cita a oferta de linha de crédito do Programa Mais Alimentos com alternativa para quem quiser investir na técnica. Cada produtor pode financiar até R$ 150 mil, com juros de 2% ao ano e dez anos para pagar. O custo estimado para uma estufa produzir olerícolas é de R$ 12 mil. No caso de parreira, esse valor alcança R$ 70 mil. Estre as principais vantagens, destaca a oferta estável de produtos durante o ano todo.

Como empecilho, menciona a falta de conhecimento para produzir em ambiente protegido. “As doses de agrotóxico, adubos, água, tudo muda. Neste ponto estamos carentes de informação.” A técnica deve ser um dos temas a ser discutido na 6ª HortiSerra em 2015 em Caxias do Sul, para os produtores de hortigranjeiros do Estado.

A região da Serra corresponde por 52% de hortigranjeiros do Estado. A atividade emprega 54 mil agricultores, que produzem 1,9 milhão de toneladas de frutas e hortaliças por ano, em 102 mil hectares.

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