Produtores apostam na fabricação de queijo

A criação de agroindústrias se transforma em sinônimo de lucro, emprego e sucessão. O Vale do Taquari é a região no Estado que tem o maior número de empreendimentos registrados. São mais de cem em atividade. Entre os produtos mais vendidos, destaque para o mercado de origem animal, como suínos, aves e leite. Erva-mate, doces, conservas e derivados da cana-de-açúcar também estão entre os principais.

Em Barra do Coqueiro, o casal Maico Fraporti e Suelen Toldo aposta na produção de queijo. Por dia são industrializados 170 litros de leite. Conforme Fraporti, o empreendimento garantiu a sucessão na propriedade.

Foram investidos mais de R$ 70 mil na construção do prédio e na compra de duas áreas de terra. Por mês são vendidos 750 quilos de queijo para escolas e mercados da cidade. O preço médio do quilo é de R$ 11.

A meta é industrializar dez mil litros de leite nos próximos anos e iniciar a produção de iogurte, bebida láctea, ricota e doce de leite. Para garantir a oferta de matéria-prima, o produtor aposta na ampliação do rebanho, da raça Jersey. Hoje são 17 em lactação, número que deve dobrar até o fim de 2014.

Tanto Maico como Suelen já foram empregados na cidade. Mas a vontade de serem donos de seu negócio os fez voltarem para o campo.

Número dobra

Há três anos, um programa municipal autoriza a Secretaria da Agricultura a repassar até R$ 25 mil por empreendimento. O valor pode ser investido na compra de material de construção, máquinas, equipamentos e veículo, melhorias na infraestrutura e projetos de licenciamento ambiental. Os beneficiados devem ter 80% da renda proveniente do setor primário.

Com o programa, o número de agroindústrias dobrou, chegando a seis em 2012. Em até cinco anos, esse índice deve aumentar em oito vezes no município. Entre os produtos há venda de aipim descascado, vinhos, sucos, melado, cogumelos, queijos, embutidos e conservas de frutas e geleias.

Consumo aumenta

O país produz 200 tipos de queijos e é o sexto maior produtor mundial. Embora o consumo ainda seja pequeno, 2,7 quilos por pessoa, houve um crescimento de 107% no consumo dos queijos em geral e de 269% no de queijos finos nos últimos anos.

Em outros países como Argentina e França, o consumo chega a 11 quilos per capita, e na França a 23 quilos. Dentre os queijos finos produzidos no Brasil, temos os tipos mobier e saint paulin, e os tipos mofados gongorzola e camembert, utilizados no preparo de pratos requintados.

No Brasil, a produção passou de 150 mil toneladas, em 1991, para mais de 1 milhão de toneladas em 2013, segundo os últimos dados da Associação Brasileira das Indústrias de Queijos (Abiq).

Os queijos mais produzidos são: muçarela, requeijão culinário, prato, requeijão cremosso e petit suisse, nesta ordem. A variedade muçarela, principal queijo produzido, representa 28,1% do total.

Produto orgânico

Para oferecer ao consumidor um produto diferenciado, o casal aposta na produção orgânica. Maico participou de vários cursos e palestras para tornar a produção de matéria-prima ecologicamente correta. O uso de agrotóxicos foi reduzido em 90%. “Usamos herbicida apenas nas lavouras de milho.”

A meta é substituir o agrotóxico por repelentes naturais. Outro desafio é conseguir a certificação da propriedade.

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