Produtora de Santa Clara do Sul relata experiência em Seminário Estadual

A produtora Íria Scheibler, de Santa Clara do Sul, não conseguiu segurar as lágrimas enquanto contava a sua história durante o 4º Seminário Estadual de Sistematização de Experiências, realizado entre quinta e sexta-feira, dias 5 e 6, em Porto Alegre. Íria recordou o seu começo como bovinocultora de leite, quando possuía apenas duas vacas que mal produziam para o sustento da família. “Quase não tínhamos o que comer”, emocionou-se. Hoje a agricultora possui 17 vacas em lactação que, juntas, produzem cerca de 320 litros de leite por dia, garantindo o sustento da família e a continuidade do trabalho na propriedade.

A mudança para a dona Íria – e para outros agricultores santaclarenses – veio a partir de 2006, ano da implantação do Programa Propriedade Referência, que dava suporte financeiro para as famílias interessadas em desenvolver a cadeia produtiva do leite. Esta política pública, somada à capacitação de produtores e o acesso à assistência técnica por meio da Emater/RS-Ascar, foram determinantes para impulsionar a bovinocultura leiteira local. “Na época, a economia do município dependia fortemente da indústria” ressaltou o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Alano Tonin, durante a apresentação.

O programa no município deu tão certo que produtores como a dona Íria, não apenas qualificaram o seu padrão de vida, como também melhoraram a sua autoestima, por meio da inclusão e da vida em sociedade. A bovinocultora observa que, antes, não tinha nenhum patrimônio. “Hoje tenho meu carro com o qual faço meus passeios e já estou com a passagem comprada para a Áustria, para visitar a minha filha, no próximo mês”, sorri. A produtora também não esquece os extensionistas que a incentivaram em sua caminhada, como o engenheiro agrônomo Lauro Bernardi que, na época, fazia parte da equipe da Emater/RS-Ascar local.

Para Bernardi, o maior legado da experiência foi o de desenhar um método claro e factível de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), necessário para o avanço da atividade. “Método que partiu de uma realidade desafiadora, construído com efetiva participação das comunidades, que apostaram no estímulo ao empoderamento das famílias, através da ocupação dos equipamentos públicos” salienta. “Resumiria a experiência como uma iniciativa de política pública local inteligente, que conectou outras políticas maiores disponíveis, tendo como resultados a apropriação de tecnologias simples, impactantes e geradoras de mais autonomia”, finaliza.

Sobre o Seminário

Promovido pela Emater/RS-Ascar, 4º Seminário Estadual de Sistematização de Experiências, contou com a apresentação, no primeiro dia, de 77 trabalhos desenvolvidos pela Instituição no meio rural gaúcho. No segundo dia, além da apresentação do trabalho de Santa Clara do Sul, foram exibidas mais cinco experiências socioassistenciais, no auditório do Escritório Central da Emater/RS-Ascar de Porto Alegre. O evento encerrou com uma mesa redonda com o tema “O que são atividades socioassistenciais no meio rural e a ação da Emater/RS-Ascar”, coordenada pelo diretor técnico da Emater/RS Gervásio Paulus.

Presente na atividade, o presidente da Emater/RS e superintendente geral da Ascar, Lino De David, afirmou que a sociedade deve enxergar as desigualdades sociais, defendendo a importância de se romper preconceitos em relação ao trabalho realizado junto aos públicos desassistidos. Para De David, o trabalho da Instituição é o de resgatar a dignidade e a autoestima através da inclusão social e produtiva das famílias mais pobres. “Todas as experiências demonstraram a importância de um mínimo de organização, sendo assim o processo de construção, grupal e participativo, capaz de se consolidar”, avaliou.

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