Produtor investe em aviário dark house

Tudo controlado automaticamente, 24 horas por dia. Luminosidade, temperatura, umidade, quantidade de ração, água e pouco contato com o produtor. A implantação do modelo americano é vista como uma opção para melhorar a eficiência da criação e se expande em todo país.

Em Forquetinha, o produtor Gilmar Sartori, da comunidade do Atlético, é o pioneiro a apostar nesse tipo de tecnologia na criação de frangos. Além de facilitar o manejo, reduz a necessidade de mão de obra. “Tínhamos duas estruturas normais com 40 mil aves. Era preciso quatro pessoas para cuidar, agora uma sozinha dá conta.”

A atividade leiteira, cuja produção chegava a 200 litros diários, foi abandonada. Além da oscilação do preço, o trabalho ininterrupto até nos fins de semana foi um dos motivos para migrar apenas para a criação de aves. “Vamos construir mais um aviário no ano que vem.” Ele deve substituir as duas estruturas antigas de mais de dez anos.

Sartori calcula um investimento de RS 600 mil na construção do prédio. O complexo é feito em material pré-moldado, com aço galvanizado, com 152 metros de comprimento por 16 de largura, é equipado com um gerador para garantir o funcionamento em caso de quedas de energia elétrica. Dez digestores são responsáveis pela refrigeração. Além dele, um painel evaporativo atua no controle da umidade interna e impede a entrada de luz solar. Durante o período em confinamento, lâmpadas de LED iluminam o local.

Mais eficiência

Apesar da experiência de mais de 20 anos na cultura, Sartori procurou informações sobre o sistema com criadores de Nova Bréscia e Arroio do Maio.

De acordo com ele, além da facilidade de manejo e redução de custos, a conversão do sistema dark house deve ser melhor em comparação aos sistemas de produção tradicionais. “Favorece a sucessão, pois garante bons lucros e reduz o trabalho braçal.” Gustavo, 11, já acompanha o pai nos trabalhos diários e tem a intenção de ficar na propriedade.

Sartori também ressalta o incentivo oferecido pela Secretaria de Agricultura para concluir o projeto. “Executaram a terraplanagem e pagamento de parte da estrutura do telhado.”

Referência para outros produtores

Valdir Walter, 42, espera finalizar a construção do novo aviário até novembro. Com capacidade de alojar 36 mil frangos, estima um retorno financeiro de RS 16 mil por lote. A facilidade de controle do ambiente e conversão do novo modelo são as principais vantagens. “É uma forma de se manter na atividade com pouca mão de obra e menos perdas, principalmente no verão.”

Segundo o secretário da Agricultura, Gérson Drebes, o auxílio do Executivo representa 10% do investimento total na construção. “Além da terraplenagem, repassamos um cheque de RS 8 mil para custear parte do telhado.”

0 incentivo é concedido para produtores de aves, suínos e leite. Além de aumentar a arrecadação e a produção, ajuda o produtor a modernizar a sua estrutura produtiva com acesso a novas tecnologias. A avicultura é hoje a maior atividade no setor primário.

Vantagens

  • Menor atividade das aves, o que reduz estresse e produção de calor.
  • Menor perda de energia e menor consumo de ração (o que significa melhor conversão alimentar)
  • Redução de 1% a 2% na mortalidade.
  • Até dois dias a menos no tempo total de alojamento.
  • Maior densidade de animais no galpão.

Desvantagens

  • Maior número de animais por metro quadrado pode interferir no comportamento natural das aves.
  • Falta de interação com humanos, em razão da automatização do sistema, provoca estresse no momento em que as aves são levadas para o abate.
  • Problemas relacionados com o estresse agudo deixaram a carne mais pálida, fraca e com menos água para reter tempero.
  • Falta de estímulos, em razão da ausência de luz solar.
  • Necessidade de mais pesquisas científicas para aperfeiçoar o sistema.

Fonte: Paola Rueda (World Animal Protection e Ariel Mendes (ABPA)

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