Produtor de Westfália investe no cultivo de olerícolas

O município de Westfália mantém certa tradição no que diz respeito ao setor primário, com o alto número de produtores envolvidos com a bovinocultura de leite, avicultura e suinocultura. Para se ter uma ideia da importância das três matrizes – que colocam o município do Vale do Taquari nas primeiras posições quando o assunto é a produção primária por Km² no RS -, somente em 2015 foram 23 milhões de frangos produzidos com o envolvimento de 122 agricultores. Ocorre que, de algum tempo para cá, com o estímulo da Emater/RS-Ascar, alguns produtores têm apostado em outras alternativas para as suas propriedades.

É o caso do agricultor Egídio Pedro Roese, da localidade de Linha Frank. Ao lado da esposa Vera o produtor investe, desde 2012, no cultivo protegido e suspenso de pimentões, tomates-cereja e rabanetes. Para se ter uma ideia da rentabilidade do sistema, em sua propriedade são cerca de três mil pés de pimentões que resultam em um total de 15 toneladas da olerícola ao ano. “E como trabalho com tecnologia de ponta, com plantas selecionadas, com o uso de irrigação por gotejamento e sem a utilização de qualquer agrotóxico, posso comercializar o produto por R$ 10 o quilo que, ainda assim, não darei conta da demanda local”, salienta.

A experiência para a implantação das estufas, Egídio obteve quando trabalhou por mais de uma década no Ceará, desenvolvendo projetos produtivos no Estado nordestino. Foram justamente os fatores climáticos e o baixo acesso a tecnologia que fizeram, à época, o agricultor mudar de ares. Ainda assim, Egídio jamais ignorou o potencial de mercado da produção local de olerícolas, estando sempre atento à possibilidade de retornar a sua cidade natal. “Não à toa, a minha ideia para o futuro é ampliar a área cultivada, especialmente pelo fato de a nossa microrregião possibilitar o cultivo durante o ano inteiro”, explica.

O Extensionista da Emater/RS-Ascar de Westfália, Marcelo Müller, ressalta o fato de o cultivo de hortaliças e de frutas ser ainda incipiente no município – são apenas oito agricultores envolvidos – ainda que se apresente como uma excelente alternativa de rentabilidade, com menor investimento, e em espaços de terra, em muitos casos, menores. “E é preciso que se diga que, aqui no município, vivemos uma situação limite no que diz respeito ao solo e a mão-de-obra, que são extremamente necessárias para grandes produções como a avicultura, a suinocultura e a bovinocultura de leite”, garante.

Para Müller, este, daqui para frente, pode ser um caminho para Westfália, já que a demanda do consumidor para cultivos produzidos com uma tecnologia mais “limpa” – como é o caso da aplicada por Egídio – é permanente. “A aptidão histórica de nosso município, que, de quebra, ainda possui excelente infraestrutura, não é algo que possa ser mudada de um dia para o outro”, observa o extensionista. Ainda assim ele avalia como positiva a oportunidade de trabalhar a diversificação da produção local. “É uma situação que beneficia a todos, de agricultores a consumidores”, completa.

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