Produtor de Teutônia investe em bovinocultura de leite e avicultura e garante sucessão familiar

Como forma de garantir a sucessão familiar em sua propriedade, a família Lamb, da localidade de Linha Germano, em Teutônia, apostou em investimentos nas áreas de bovinocultura de leite e avicultura. Essa foi a alternativa encontrada por Clairton Lamb para atrair os filhos Douglas (22) e Tobias (18), para que dessem continuidade às atividades desenvolvidas há quase 10 anos no local. Clairton e a esposa Néria saíram muitos jovens do campo, para trabalhar em uma fábrica de calçados do município. Com a falência da indústria, tiveram de recomeçar, retornando para a propriedade.

Clairton não queria que os filhos passassem pela mesma situação, em uma eventual ida para a cidade. “Além de ter de cumprir horário fixo, de não ganhar tanto como aqui e ter de sempre atender as exigências do patrão, ainda corre-se o risco de passar por esse tipo de coisa, após uma vida inteira de dedicação”, analisa o agricultor. O retorno à propriedade foi em 2008. Na época, com os filhos recém entrando na adolescência, as perspectivas não eram das melhores. “Tínhamos poucas vacas e o aviário ainda nem existia”, recorda.

Foi a partir de um projeto de crédito, realizado com o apoio da Emater/RS-Ascar, que a situação da família começou a mudar. Se na época possuíam apenas sete vacas, hoje o plantel totaliza quase 20 animais. “Atualmente são oito em lactação, que produzem 120 litros de leite por dia”, explica Douglas. O crescimento se deu, em grande parte, pelo processo de qualificação pelo qual os jovens passaram. “Hoje a gente já pensa em uma pastagem mais adequada ou mesmo em melhorar a genética das vacas”, observa Tobias.

Em relação à avicultura entregam, para a integradora, sete lotes de 30 mil frangos por ano, o que possibilita uma boa renda para a família – também um aspecto determinante para que os jovens permaneçam na propriedade. Mas não é só isso. No local possuem internet, andam de carro, jogam futebol e saem nos finais de semana como qualquer jovem. “A diferença é que aqui a gente faz o que gosta, mexe na terra, está perto dos animais”, ressalta Tobias. “A gente cresceu no interior, então é normal que gostemos das coisas daqui”, completa Douglas.

Ao falar das características da personalidade de cada um dos filhos, dona Néria se orgulha. “O Douglas é mais detalhista e o Tobias é mais paciente, especialmente se tiver que consertar alguma máquina ou equipamento”, diz. Depois de retornar da cozinha, onde foi dar uma “olhada nas panelas”, a mãe completa: “aqui tem que ter massa todos os dias, já que ambos adoram”. O carinho demonstrado pelos pais se espalha por toda a propriedade, chegando aos mais de 10 gatos e aos três cachorros que também vivem no local.

Pensando na continuidade das atividades no campo, os jovens projetam investimentos para o futuro. Para qualificar o trabalho com o leite, a intenção é construir uma sala de ordenha. Enquanto aguardam a melhoria do preço do litro de produto – atualmente em R$ 0,83 – participam de cursos, palestras e outras atividades. “Ontem estávamos na Expodireto (feira que ocorreu na última semana em Não-Me-Toque)”, lembra dona Néria. Além das atividades ocasionais, Douglas cursa o técnico em Agropecuária, passo que deve ser seguido também por Tobias. “A gente sempre aprende alguma coisa”, afirma Douglas.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar Michael Da Silva Serpa, os jovens Douglas e Tobias fazem parte de um processo que tem qualificado os agricultores familiares teutonienses. Boa parte dessa melhoria está relacionada ao programa Leite Gaúcho da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo (SDR) e ao Centro de Treinamento de Agricultores de Teutônia (Certa). “Atualmente houve uma redução no número de produtores, hoje são 681, e um aumento no volume de leite produzido, que está na casa dos mais de 36 milhões de litros ao ano”, observa o agrônomo.

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