Produção de pepinos em Taquari já atinge 95 mil toneladas

Iniciativa galgada no início de 2013 pela Administração Municipal em conjunto com a Secretaria da Agricultura e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar), a produção de pepinos em Taquari surgiu como uma alternativa diversificada para fomentar a agricultura familiar da cidade. A partir do início da safra, produtores e agricultores taquarienses tiveram a oportunidade de ganhar um novo incentivo no plantio, trabalhando em conjunto com uma empresa produtora de pepinos em conserva, parceira da Prefeitura no projeto. Agora, prestes a iniciar uma nova etapa, a produção de pepinos em Taquari já contabiliza a marca de 95 mil toneladas arrecadadas.

Em meados de novembro do ano passado, os produtores do interior do município já começaram a fazer a distribuição de seu cultivo de pepinos. O transporte, garantido pela Administração Municipal, reúne a produção da cidade, que então é levada de Taquari até Tupandi através da empresa de conservas Bom Princípio Alimentos.

Segundo a Emater, a estrutura necessária para o agricultor produzir pepino consiste em um sistema de irrigação por gotejamento, insumos de produção e estrutura de tutoramento das plantas, que é feito com palanques de madeira, fio de arame e fitilhos. A Prefeitura custeia a fundo perdido 50% do gasto do sistema de irrigação, que pode também ser ampliado e utilizado para outras culturas da propriedade.

“Me sinto no paraíso”

Com esta afirmação, o agricultor Ignácio Eloi Birck, de 57 anos, resume a nova fase de sua vida. O morador da localidade da Beira do Rio não esconde o entusiasmo em iniciar a colheita da sua produção de pepinos. “Eu sempre tive o sonho de depois de me aposentar voltar para as minhas terras, agora consegui realizar”, conta Ignácio, que pela primeira vez aposta na produção de pepinos como complemento de renda em sua propriedade. “Entrei em contato com a Prefeitura e a Secretaria da Agricultura e eles me incentivaram a entrar no projeto. Hoje tenho cerca de mil pés de pepino plantados. Espero que aumente a produção agora no mês de setembro”, declara.

Ignácio acredita que o pequeno agricultor que possui uma área de pouca extensão é muito beneficiado pelo projeto. “Não deixa de ser um incentivo a mais. Gostei da maneira pela qual a Prefeitura olhou para o colono que mora no interior, o passo é muito grande”, sublinha.

Oportunidade para estar mais perto da família

Sildo de Souza Hartmann, de 48 anos, quer fazer de sua plantação de três mil pés na localidade de Boa Vista 2 uma chance para estar mais perto da mulher e do pequeno Guilherme. “Sou agricultor há bastante tempo e iniciei com a produção de pepinos a pouco. Também planto milho e feijão e tenho criação de alguns animais. Minha renda vinha da plantação de mato, então, comecei a apostar no pepino. Agora eu estou em casa, ao lado da família e cuidando de tudo. O jeito de plantar me agradou e é muito vantajoso. Não precisa de muito esforço”, revela.

A iniciativa da Prefeitura em fornecer auxílio também agradou Sildo, que aproveita para sugerir ao poder público a alternativa de pensar em outros tipos de incentivo para os produtores, além do pepino. “Acredito que essa plantação irá pagar as despesas, os outros produtores elogiaram bastante. Segundo contam, dá para sobreviver e ainda sobra alguma coisa”, diz.

Secretário da Agricultura faz balanço positivo do projeto

O secretário da Agricultura, Romacir Martins, se dispôs a esclarecer sobre os projetos da pasta e fazer um apanhado geral sobre a iniciativa da produção de pepinos no interior do município. A próxima safra, que vai de setembro a dezembro, empolga tanto os produtores quanto a Secretaria. Confira a entrevista completa.

De onde partiu a ideia de apostar em uma produção diferente para fomentar a agricultura familiar de Taquari?

Romacir Martins – Fomos procurados em meados de janeiro de 2013 por um representante da empresa Bom Princípio Alimentos, onde os representantes nos disseram que tinham interesse na parceria para compra de produção de pepinos. Nos garantiram assistência técnica e a compra de toda a produção, inclusive com contrato assinado. Nesse meio tempo, entramos em contato com a Emater e fomos até o prefeito Maneco (Emanuel Hassen de Jesus), que se prontificou a ser parceiro no programa. A partir disso, foi elaborado um projeto de lei que estabeleceu um auxílio de R$ 1,2 mil para os produtores para custear a parte de irrigação.

Quantos produtores estão engajados atualmente?

Romacir Martins – Hoje temos 18 produtores cadastrados no projeto, e temos na lista de espera para o mês de setembro mais cinco novos. Se todos os que estão plantando hoje se mantiverem, para o meio do ano teremos 23 produtores engajados. Em setembro de 2013, conseguimos a parceria de 16 produtores, onde tivemos uma produção muito boa. Dentre esses 16, contabilizamos a marca de 49 mil pés de pepinos plantados, que deu uma safra de aproximadamente 95 mil quilos.

Qual a expectativa da pasta para a próxima safra?

Romacir Martins – Estamos prevendo colher de 20 a 25 mil quilos com a safrinha do mês de janeiro de 2014, que infelizmente teve muitos problemas com os produtores, que precisaram replantar devido ao forte calor que atingiu o Estado. A própria empresa que é parceira do projeto entendeu a situação.

Como a Secretaria avalia o projeto desde o seu início?

Romacir Martins – Muito exitoso. Temos tudo para crescer muito mais a cada safra. Além disso, estamos incentivando e dando todo o apoio aos produtores e agricultores do município. No próximo dia 3 de abril teremos uma nova reunião com os produtores na sede das Amoras, onde iremos tentar convencê-los a plantar outras culturas de inverno, aproveitando a estrutura do pepino que irá ficar sobrando. Para substituir, vale a pena plantar outras coisas.

A Secretaria da Agricultura, a Emater e a Bom Princípio Alimentos estão de portas abertas. É importante salientar que a empresa garante a compra de toda a produção. Às vezes as pessoas ficam com dúvidas sobre isso, mas garantimos a compra, independente de quanto for arrecadado. Inclusive, um técnico da empresa está nesta semana em Goiás, em razão do clima quente, pois no Rio Grande do Sul não há produção para abastecer a empresa. Alertamos para que todos os produtores que tiverem interesse em aderir ao projeto para que venham falar conosco.

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