Produção de mudas garante sucessão em Poço das Antas

O produtor Ângelo José Thomas, de Poço das Antas, é só orgulho ao falar de suas três estufas repletas de mudas de eucalipto e de acácia negra, que simbolizam uma produção bem sucedida, que garante sua permanência no campo. Thomas é produtor das pequenas espécies que resultarão em enormes árvores, destinadas a produção de carvão ou lenha. Em sua propriedade, realiza o plantio, manejando-as até o período de entrega, que pode variar de 45 dias até quatro meses, de acordo com a temperatura ou a intensidade das chuvas e do sol. Como viveirista, vende cerca de 800 mil mudas por ano, ao custo médio de R$ 10 o cento.

Foi dessa maneira que Thomas e sua família – a esposa Lisane, o filho Augusto, o irmão Ângelo e os pais Ivo e Hilária – conseguiu comprar casa, carros e outros bens, além de pagar as faculdades do irmão e da esposa e mais a especialização de Lisane, que não abriu mão de permanecer ao lado do marido, na propriedade. “É importante estudar, pois nunca sabemos o dia de amanhã” avalia. Como forma de ampliar a renda e também os horizontes, gerencia uma empresa de decorações e arranjos florais, no município, também fruto do trabalho com as mudas.

Quando jovem Thomas via poucas perspectivas de futuro na propriedade. A principal renda vinha dos 40 litros de leite produzidos diariamente pelas seis vacas da propriedade. Como alternativa, em 1995 aos 20 anos de idade, foi trabalhar em uma fábrica e após em um supermercado. O salário superava um pouco o mínimo e os horários não eram dos melhores. “Iniciava às 17h e voltava pra casa às 2h da manhã. Tinha dificuldade para dormir e estava insatisfeito com a situação. Muitas vezes senti saudade da família e de casa”, lembra.

Foi com o apoio da Prefeitura Municipal – por meio da Secretaria de Agricultura – e da Emater/RS-Ascar que a situação de Thomas mudou. Em 2003, a silvicultura se tornava cada vez mais expressiva na região, faltando produtores dispostos a desenvolver as mudas no município. “Era uma alternativa de gerar renda e promover a inclusão produtiva”, lembra o chefe do escritório da Emater/RS-Ascar local, técnico agrícola Ricardo Cord. Após a realização de visitas a outros viveiristas, somado ao programa municipal de fomento que garantia a distribuição e a comercialização das mudas para diversos municípios da região, Thomas sentiu a segurança que faltava para iniciar o negócio.

Nos primeiro anos, além das mudas, eram produzidas folhagens como eras, clorofítos e pingos de ouro, que auxiliavam na complementação de renda. Já no primeiro ano foram mais de 500 mil mudas vendidas, que pagaram todo o investimento, resultando ainda em um lucro de 10 mil reais. Em 2007, a família já produzia as 800 mil mudas atuais. “Poderíamos até vender mais, mas não vemos necessidade. Assim podemos trabalhar em família e no nosso tempo”, explica Thomas. Mesmo com o sucesso nos negócios, nunca deixaram de produzir para subsistência. Produtos como carne de rês e suína, ovos, aipim, feijão, frutas, verduras e legumes são retirados da horta de casa.

O planejamento da propriedade também é parte importante do processo. Thomas busca, permanentemente, a redução de custos e o reaproveitamento das águas da chuva e da matéria-prima existente na propriedade, fora a qualificação e a modernização dos materiais utilizados. Cord enfatiza que hoje, o Viveiro Thomas é referência neste tipo de trabalho, na região, pela qualidade das mudas oferecidas, pela pontualidade da entrega e pelo bom atendimento. “A atividade não apenas proporcionou renda muito acima da urbana, mas também qualificou a vida e aproximou a família ainda mais”, avalia.

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