Processar é alternativa para elevar lucro

O cultivo está entre as atividades que ajudam a diversificar a economia no meio rural. Porém o baixo preço desagrada. Mesmo com alta qualidade e calibre, o quilo está cotado em R$ 0,85. No mercado esse valor chega a R$ 4,50, da variedade chocolate.

Outra dificuldade é a falta de mercado para escoar a fruta. Processamento surge como alternativa. Os irmãos Sandro e Sirineu Kappler, de Linha Arroio Augusta Alta, investem na construção de uma agroindústria para produção de polpa de frutas, entre elas, o caqui. Com capacidade de processar 80 toneladas, boa parte da matéria-prima será comprada de produtores locais.

Conforme o técnico em agropecuária, Deoclésio Picolli. Além de valorizar a fruta, será uma nova opção de venda. Quanto às dificuldades de conseguir novos clientes para o caqui, ressalta como principal motivo a concorrência com outras regiões produtoras, como a Serra Gaúcha. “Quando tem de sobra lá, dificulta a venda aqui.”

Comenta que a Emater busca novos clientes, mas a distância dos centros consumidores e a baixa oferta prejudicam os negócios. O caqui ocupa quatro hectares e envolve quatro famílias. No total a fruticultura envolve 220 famílias, somando 308 hectares e produção anual de cinco mil toneladas, com destaque para a uva.

De acordo com o agrônomo da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, Ênio Todeschini, para garantir mercado e preço, é necessário planejamento. O caqui é muito perecível e resiste por poucos dias em câmara fria, sem perda de qualidade.

Aconselha o cultivo de variedades, para não ter a colheita concentrada em um curto período. “Com o plantio escalonado, é possível ter uma safra mais extensa, com melhor possibilidade de colocação do produto no mercado, por um preço que compense os custos.”

Desestimulado

A safra na propriedade da família De Bona, em Linha Marechal Hermes, está no fim. Mesmo com alta qualidade e calibre, a remuneração pelo quilo oscilou entre R$ 0,45 (destinado para indústria de geleia) e R$ 0,85 para consumo in natura.

Na localidade outros três produtores cultivam a fruta e vendem 90% da produção para uma única agroindústria de Farroupilha. Atrasos no pagamento aumentam a insatisfação.

Na propriedade de Selvino, os 400 pés plantados há 12 anos devem render três mil quilos. Uma quebra de 30% devido ao sol forte de fevereiro, que queimou boa parte das frutas. Com a ocorrência de ferrugem e a doença pinta preta, o caqui teve que ser destinado para fabricação de Schmiers e geleias.

Enquanto isso, os custos aumentaram 60% nos últimos três anos. “A fruta no pomar não é valorizada, apenas ganha preço nas mãos dos intermediários e nas gôndolas dos mercados.”

Além do caqui, a família cultiva 600 pés de goiaba. O rendimento alcança 30 toneladas por safra.

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